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Más autoridades do ES – 1782

A Terra Goytaca - Alberto Lamego, livro escrito em 1913

Em 1782, empossou-se no cargo de capitão-morgovernador Inácio João Monjardim, de quem Alberto Lamego escreveu: “autoritário e vingativo, sua fama vogava por toda a Capitania”.(57)

A justiça continuava sendo administrada pelos ouvidores, nem sempre dignos da toga que vestiam. Neste, como em numerosos outros aspectos, a situação da capitania em nada diferia do que se passava nas outras partes da colônia luso-americana. A crônica do tempo está repleta de nomes de autoridades venais, de governadores e juízes que fizeram fortunas no exercício dos cargos, traficando com tudo e com todos.

Se quase sempre as queixas das vítimas eram abafadas pelos canais que conduziam à Coroa, algumas vezes – raríssimas – os culpados recebiam punição.

Os arquivos estão devolvendo, agora, aos seus faiscadores, os gritos de revolta e os clamores dos injustiçados. E a História, impossibilitada de outra ação, aponta ao ódio e à execração a memória daqueles que oprimiram os humildes e se infamaram, alienando despachos e sentenças.

Lamego, em sua A Terra Goitacá, rememora, em páginas candentes de justa revolta, as condenáveis atitudes de Monjardim, seus prepostos e mais o ouvidor Dr. José Antônio de Alvarenga Barros Freire, alinhando série enorme de negócios escusos praticados por aqueles, sem que o último agisse, como de seu ofício. As vítimas tiveram intérprete corajoso no padre José Nunes da Silva Pires, pároco de Nova Almeida que, em dois documentos, demonstrou a extensão dos males que afligiam o povo devido à desonestidade dos responsáveis pela sua segurança e bem-estar.(58)

Embora não se tenha encontrado explicação para o fato – estranhável porque Vitória era a sede da comarca – vale recordar que os ouvidores, desde quando também não se conseguiu apurar, residiam na vila de São Salvador dos Campos dos Goitacazes. A informação está no ofício de Barros Freire (ouvidor do Espírito Santo), dirigido a Martinho de Melo e Castro, secretário de Estado, comunicando “ter tomado posse do seu logar na Villa de N. S. da Victoria cabeça da comarca e fixado residencia, como os seus antecessores, na Vila de S. Salvador dos Campos Goytacazes”. Na mesma ocasião, o ouvidor denunciava importantes extravios de dinheiro da Fazenda Real e falsificação de assinaturas. Também se gabava de ter recolhido ao cofre perto de trinta mil cruzados.(59)

 

NOTAS

(57) - LAMEGO, Terra Goitacá, IV, 90.

(58) - Terra Goitacá, IV, 87-102.

(59) - Datado: “Espírito Santo, seis de junho de 1784” (ALMEIDA, Inventário, II, 560).

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, junho/2018

História do ES

Maximiliano, Saint-Hilaire e Rubim

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