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Matilde

O bucólico e pacto distrito de Matilde, em Alfredo Chaves, foi fundado pelos italianos em 1884. Os colonos chamavam o vilarejo de terço, que significava a terceira parada. Plantavam feijão, molho, e café, informa José Maria Camiletti, vice-presidente da Associação Comunitária de Matilde.

Transformado em distrito em 1919, está dividido até hoje em três partes – Matilde Velha, Matilde Nova e Matilde. O vilarejo leva este nome porque o engenheiro inglês, Carlos Bloomer Reever, nascido em 1867, responsável pelas obras da Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo (Leopoldina), decidiu homenagear sua esposa emprestando seu nome ao povoado.

Banda de porco

Camiletti relata que, por causa da briga por uma “banda de porco” com um morador, Reeve mudou o traçado da ferrovia, que deveria passar inicialmente em Matilde Velha. Os trilhos foram transferidos para Matilde, onde atualmente está a estação ferroviária.

A banda de porco também pode ter forjado o assassinato do engenheiro, em 09 de maio de 1897, em presumível assalto em que o dinheiro do pagamentos dos operários da obra foi roubado. O corpo de Reeve está enterrado até hoje no cemitério de Matilde Velha, localizado atrás da Igreja do Santo Isidoro, construída em 1884.

Luiz Serafim Derenzi afirmou em Os Italianos no Espírito Santo, que a maioria dos imigrantes que se instalou em Matilde era alfabetizada e gostava de música. O local foi visado por bandos de jagunços. Alguns italianos começaram a fazer fortuna, como Lizandro Nicoletti. Foi seu “armazenista” Mainardi Aurélio que reagiu a um assalto em sua casa de negócio.

Derenzi registrou também que o engenheiro Reeve foi morto quando chegava ao arraial trazendo o pagamento dos operários. Ao receber a tiros, o chefe da obra atirou a bolsa com dinheiro ao capoeirão que encobria o córrego. Doze anos depois, o proprietário da colônia encontrou a bolsa, contendo 12 contos de réis e os devolveu a administração da estrada.

Seguindo a tradição dos colonos italianos, Matilde mantém traços bem comunitários. Até o final da década de 50 foi um povoado com significativo centro comercial, estimulado pela ferrovia e rico em café. Ainda restam casarões que abrigam grandes armazéns. Em 1950 chegou a tentar sua emancipação de Alfredo Chaves, lembra Camiletti. Nos anos 60 começou a decair, com a política nacional de erradicação dos cafezais.

Hoje o distrito é formado basicamente por pequenos proprietários rurais. A agricultura está mais diversificada, com a introdução da cultura da banana e a oloricultura. O sistema de mutirão prevalece, organizado pela Associação Comunitária.

Fonte: A Gazeta 26 de setembro de 1994. 

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