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Âncora na Prainha

Na Praça Tamandaré, na Prainha em Vila Velha ES, há uma âncora como adorno, que passou ali a existir quando a referida praça foi urbanizada pela primeira vez no primeiro mandato do antigo Prefeito Américo Bernardes da Silveira, em 1964, fato esse que fui testemunha ocular.

Falar dessa âncora nos remete a falar da Praça Tamandaré, de suas palmeiras, ícone de referência da Prainha. Antes ali existia uma alameda de palmeiras imperiais, que foram plantadas por volta de 1913 quando da gestão do antigo Prefeito João Tomaz, sendo que das originais restam algumas. Essas palmeiras são da espécie Roiystonea Olareacea originárias das Antilhas.

Onde foi feita a praça era um areal, que a rapaziada jogava futebol principalmente pela tarde. Havia pés de oiti que ladeavam a praça pelas calçadas, e dava ao local um ar bucólico.Temos foto de 1957 quando o Werneck ainda jovem militar posou ali para a eternidade. Hoje é o dono do quiosque que se situa ao lado da Câmara de Vila Velha na Prainha.

Antes, no lugar dos oitis, havia flamboyants que foram cortadas para a passagem da extensão da linha de bonde, que ocorreu nos anos 30, do largo da Matriz até o quartel do então 3º BC. Como no Centro da cidade há a Praça Duque de Caxias, homenageando o Patrono do Exército, o Prefeito Américo achou por bem homenagear a Marinha, por conta da unidade de ensino que passou a existir em Inhoá, a EAMES inaugurada em 1960, daí então conseguiu um busto de Tamandaré que domina a Praça.

Todo aquele largo chamava-se por certa época de Praça da Bandeira, que foi secionada por Américo. Ali Américo construiu o Fórum da Justiça "Afonso Cláudio", depois ampliado na desapropriação do imóvel vizinho onde morou o Sr. Camargo e onde existiu também o Clube Albatroz dos oficias da Marinha. Na esquina seguinte, hoje sede local da OAB, morou o Sr.Silas Leão. Do outro lado onde está hoje a Casa da Memória (cujo imóvel teria sido da família Aguirre), tendo ao lado por último Marina Pitanga onde funcinou outrora uma alfaiataria de Sr. Simões, que de certa feita foi impactado por um bonde que descarrilhou e ali adentrou. Embaixo funcionou por certa época o bar Stragalar do "Zé" DeMartin, o Zé Itarana.

Continuando, havia os fundos da usina de beneficiamento de areia monazítica, depois já nos anos 70 surgiu o Coléigio Godofredo Schinaider, com a frente voltada para a rua São Bento (depois rua Bernardo Schnaider), e três residências, uma delas do finado Wilton Chamon, outra do Sr. Cola e outra do Sr.Colodetti.

As célebres palmeiras da Prainha foram cantadas em prosa e verso, e a alameda teve várias tentativas de replantio das palmeiras substituindo as faltantes, que haviam morrido ou por doença ou por terem sido atingidas por raios, sendo que por falta de rega das mudas, não foram em frente como em 1985 e em 1989. Somente por intervenção da Associação de Moradores de Vila Velha Centro que houve o replantio com sucesso, em 1992 com a participação efetiva da Silmo de Souza Rodrigues, sendo que no ato um neto do João Tomaz, o Átila de Freitas Lima ajudou a plantar uma muda. As mudas foram conseguidas na propriedade vizinha na Rua de Inhoá do médico Alzir Bernardino Alves. A rega ficou por conta da comunidade que diariamente levava baldes de água para socorrer as mudas que assim conseguiram sobreviver.

Na reforma feita pelo antigo prefeito Municipal Max de Freitas Mauro Filho, duas palmeiras foram reposicionadas para alargar passagem para a Praça da Bandeira, na continuidade da Rua Frei Palácios, e nessa reforma a âncora permaneceu. Num longo período de quase nenhuma manutenção da praça, até metros da corrente da âncora foram roubadas a luz do dia sem que ninguém se importasse. Ela é de ferro fundido, de navio, do tipo sem cepo, chamadas também de âncora patente. Aproxima muito do tipo Hall, e de fabricação de modelo do início do século XX conforme consegui pesquisar. Passou a ser referência da população e crianças, jovens e mesmo turistas gostam de observá-la e tocar para sentir sua imponência. A Casa da Memória de Vila Velha tem bom número de fotos do logradouro principalmente da obra de 1964 que Américo ali desenvolveu criando a Praça Tamandaré quando ali colocou a âncora.

Autor: Roberto Brochado Abreu – membro da Casa da Memória de Vila Velha

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