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Nicanor Francisco de Azevedo Paiva

Nicanor Paiva

Se o homem pudesse ser comparado a alguma coisa certamente seria a um computador. Dentro dele estão guardados memórias, dados, datas, fatos, sentimentos e um grande número de informações. Algumas vidas são pobres de tais registros, outras exageradamente ricas, como acontece com NICANOR FRANCISCO DE AZEVEDO PAIVA.

Nascido na Vila do Arrozal do Pirai, em terras da Fazenda Pau D'Alho, no dia 17 de agosto de 1901, seus pais viviam de atividades agrárias, ele Aurélio Augusto de Azevedo Paiva e, ela, Babiana da Silva Paiva.

NICANOR PAIVA tem os cursos de Guarda-Livros e Contador, realizados nos anos de 1922 e 1930, respectivamente. Nascido no campo, diz que a vida em tais circunstâncias, não dá oportunidade para registrar fatos pitorescos na infância. Suas impressões sobre as coisas e as pessoas do seu tempo (mocidade e idade madura), exige muita reflexão. Trazer até suas experiências atuais, a vivência de algumas décadas cheias de transformações político-sociais e marcadas por um processo de comunicação dinâmico, em contraste com uma época de transformações lentas, quase estagnadas, não é muito simples. Todavia, de suas observações mais profundas, pode dizer que o Brasil caminhou, na primeira década deste século por uma estrada pouco desbravada. A guerra de 1914 trouxe para o nosso País como para o Mundo, influências que resultaram em transformações político-sociais mais importantes que as que resultaram do 14 de julho. Mas, não foram somente os costumes que sofreram tais transformações, observa NICANOR PAIVA, elas atingiram também o Homem, o seu comportamento é bem diferente hoje do que foi no início do século.

Revolvendo os registros de sua memória, NICANOR FRANCISCO DE AZEVEDO PAIVA, aponta fatos que marcaram sua vida até hoje: O cometa de Halley; a epidemia de terçã-maligna que grassou em toda a região próxima à represa do Ribeirão das Lages, no Município de Pirai, que a Light construía para fornecimento de luz e energia ao Rio de Janeiro, ocasião em que ele perdeu sua irmã Carolina, vítima do mal, que o atingiu também, tendo se salvo milagrosamente; a epidemia de gripe espanhola e a Segunda Guerra Mundial.

Os momentos alegres e tristes em qualquer época, são incontáveis. Sempre que os seus serviços ou a sua participação podem ser úteis ao próximo ou a entidades, sente profunda satisfação o que o alegra sobremodo. Cada vez que foi escolhido para dirigir tantas entidades, que constam do seu Curriculum, sem que para isto tenha pleiteado ou se insinuado, sente-se desvanecido, feliz e alegre, daí a razão de todas as suas tarefas, em todas as ocasiões terem sido sempre fáceis e agradáveis. Os momentos tristes foram naturalmente marcados pela morte de seus pais, de seus irmãos, de seus cunhados, de sua filha Sirenussa e, também, de tantos bons amigos.

Como um homem com a sensibilidade de NICANOR PAIVA descreveria o amor?

Ele diz: "O amor é um sentimento de profundas raízes sentimentais. Ordinariamente se manifesta de forma fugaz, efêmera e inconsistente, até encontrar o ponto determinante quando se faz projetos positivos de casamento. Foi assim o panorama sentimental que descortinei". Ele casou-se com a Sra. Isaulina Maria dos Santos Paiva.

No casamento, diz ele, não se faz projetos experimentais nem convenções com bases fracas. Faz-se com a sólida associação de propósitos que possam levá-lo à perenidade. Nestas circunstâncias o relacionamento tem que ser baseado na reciprocidade de deveres e obrigações, de direitos e de respeito mútuo, de compreensão, de tolerância e de fidelidade. Quanto ao futuro, graças a Deus, afirma NICANOR PAIVA, já não o preocupa. Sente-se, neste patamar de sua vida, perfeitamente realizado, não tendo maiores aspirações nem ambições, senão a de ver seus filhos sem problemas de qualquer espécie. Enquanto que, no concernente à educação, procurou dar tudo o que estava ao seu alcance, além de dar também aos filhos plena liberdade religiosa e política. Quando teve que enfrentar a vida sozinho, NICANOR o fez com absoluta confiança na sua capacidade de escolher o caminho que seus pais desbravaram com seus conselhos e com suas experiências, tomando atitudes corretas e imunes de qualquer laivo de suspicácia.

Em questão de amizades, ele diz que é um sentimento que não pode ser avaliado por dimensões geométricas. É um sentimento de planuras sem relevos, onde todos os amigos se postam numa única superfície, por esta razão nunca cita nomes, justamente para deixá-los num mesmo plano de igualdade dentro do seu coração.

Na vida, sempre procurou evitar qualquer espécie de atrito, respeitando as opiniões alheias, em qualquer aspecto que elas se apresentam. Quanto à sua vida profissional atual, como as que teve anteriormente, agrada-lhe sobremodo, como comerciário ou militar, tendo procurado ser sempre eficiente e dedicado para que a tarefa lhe seja amena e agradável. No lar tem procurado manter um padrão de convivência bem à maneira de seus pais, em cuja casa sempre houve uma perfeita e constante harmonia. Quanto a vitórias e derrotas, a sua vida tem, até hoje a forma de um regato cuja nascente minúscula dentre as pedras de uma fonte, caminha lento e constante pelos vales ou pelos grotões, recebendo de ambas as margens reforços para aumentar o seu volume. Uma caminhada através de paisagens sombreadas ou ensolaradas mas, assinalada pela perseverança de uma ascensão para a vitória, sem qualquer estanque que o detenha. Assim tem sido a vida de NICANOR PAIVA através dos anos, sem ter sentido o amargor das derrotas.

O maior objetivo deste idealista nato é promover a estabilidade social e econômica de seus familiares. Para tanto procura cumprir os seus deveres com dignidade e correção. Pois somente a tranquilidade de espírito pode nos libertar das tensões angustiantes. Em determinada época de sua vida, NICANOR PAIVA se especializou em charadas em todas as suas formas, colaborando em várias revistas especializadas ou não, nacionais ou estrangeiras. Hoje ocupa o tempo disponível no cultivo de orquídeas.

A família, para ele, é um relicário para onde convergem as suas devoções sentimentais. São seus filhos e netos: FILHOS — Tolumnio, lsanusis, Albatenio, Sirenussa (falecida), Manoel Amaro dos Santos Neto (órfão adotado); NETOS — Fernando Antônio, Mariland, Rosana, Antônio Carlos, Ivana, Ruben Dario, Flávio, Fabiano, Fernando, Paulo de Tarso e Albatenio Junior; BISNETAS — Tatiana e Adriana.

Para um homem com tantas vivências, NICANOR PAIVA não acredita numa filosofia especial para a vida. A vida, diz ele, é uma dádiva de Deus. Obedientes a Ele, somos induzidos a conduzi-la em rumo certo em busca de um estado de compreensões mútuas, para um dia alcançarmos a tão almejada fraternidade universal. Tudo isto na simplicidade de nosso cotidiano. Obedientes a estas conotações, devemos vivê-las como elas se nos depare, segundo as contingências do momento. Portanto, é necessário que se saiba cultivar como princípios fundamentais, a humildade, a simplicidade, a honestidade, a discrição e a sinceridade.

Até onde o dinheiro é importante para o êxito das pessoas?

Responde NICANOR PAIVA: "Para mim o trabalho foi sempre mais importante que o dinheiro. O trabalho é a forja da experiência e esta é muito importante na vida do cidadão. Grande parte do meu tempo foi tomado por atividades nas várias instituições que dirigi e para as quais trabalhei e ainda sirvo, com desvelo e dedicação, sem auferir qualquer espécie de remuneração. O dinheiro é mais importante para os que não confiam na sua capacidade de ação, colocando a vaidade e a ambição de grandeza como razão precípua da vida. Por esta razão, também, o dinheiro pode dar status e prestígio aos cabotinos, aos vaidosos, aos narcisistas que andam à cata de projeção social e fatuidade, porque se sentem bem com este procedimento".

Não se considerando uma pessoa de destaque na Sociedade do Estado, NICANOR sente-se distinguido em todas as camadas sociais e isto o desvanece muito. Acredita que esta distinção iniciou quando foi designado para chefiar a Casa Militar do Interventor e posteriormente Governador João Punaro Bley.

Na sua opinião, um homem para atingir a estabilidade econômica deve apenas trabalhar e nunca fazer dívidas. Por esta razão nunca teve ambições além dos limites de suas possibilidades e capacidade.

NICANOR PAIVA deixaria como mensagem aos jovens, a seguinte: Não destruamos os fundamentos da nossa formação cristã. Saibamos construir uma Nação que se projete vigorosa e possante no cenário mundial. O futuro se constrói no presente com a argamassa do passado. Se tivermos boa argamassa faremos um bom futuro. Façamos hoje uma obra que mereça os louvores dos que virão depois de nós.

Dentre as atividades que teve podem ser destacadas as seguintes: Diretor da Rádio Espírito Santo; Fundador e presidente do Grêmio Literário Ruy Barbosa; fundador e diretor do Jornal Único e da revista Alvorada. Colaborou nas revistas "Vida Capixaba" e "Canaan" e no jornal "O Estado'', na sua primeira fase. Colabora em "A Gazeta". Foi presidente do Clube de Regatas Saldanha da Gama e posteriormente presidente do Conselho Deliberativo do mesmo Clube. Foi Presidente da Federação Espírito-Santense de Esportes e, depois, Presidente do Tribunal de Justiça Desportiva. Foi presidente da Federação Amadorista Capixaba de Esportes. Foi membro do Conselho de Contribuintes da Prefeitura Municipal de Vitória. Presidente do Conselho Deliberativo do Clube Vitória. Exerceu a mesma função no Praia Tênis Clube. Foi Provedor do Orfanato Jesus Cristo Rei. Presidente do Rotary Club de Vitória e Governador do Distrito 458 do Rotary Internacional no período 1972/73. Presidente da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade por dois períodos, sendo atualmente Secretário de seu Conselho Estadual. Conselheiro da Associação de Amparo à Velhice. Conselheiro nato do Clube de Regatas Saldanha da Gama. Secretário da Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (APAE), desde sua fundação, da qual foi presidente. É vice-presidente do Colégio dos Governadores do Distrito 458 do Rotary Internacional. Fundador da Sociedade Capixaba de Orquidófilos, da qual foi secretário e presidente em três períodos. Fundador e atual conselheiro da Associação Espírito-Santense de Imprensa. Relator da Comissão encarregada de julgar os livros de poesias ou concursos patrocinados pelo suplemento de "A Tribuna"'. Vencedor do Concurso de Contos Regionais instituído pela "Revista da Semana". Sócio benemérito do Centenário Futebol Clube, do Clube Náutico Brasil e do Clube de Regatas Saldanha da Gama. Em 7 de maio de 1975 foi eleito por unanimidade membro do Conselho Universitário da Universidade Federal do Espírito Santo, como representante da comunidade por dois anos. Suplente do vice-presidente da Federação Nacional das APAEs. Agraciado com o diploma e medalha de Amigo da Marinha. Sócio honorário dos Rotary Clubs de Vitória-Oeste e Vitória-Praia Comprida. Sócio da Sociedade de Cultura Artística de Vitória, do Instituto Luiz Braile, do Santo Antônio Futebol Clube, da Fundação da Cidade do Garoto e sócio proprietário do Touring Club do Brasil.

Carlos Drummond de Andrade, o poeta, disse que “Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco". Mas, não para um homem como NICANOR FRANCISCO DE AZEVEDO PAIVA, cuja alma e cujo coração ainda buscam exemplos para deixar e sementes para plantar nas terras férteis do futuro.

 

Fonte: Personalidades do Espírito Santo. Vitória – ES. 1980
Produção: Maria Nilce
Texto: Djalma Juarez Magalhães
Fotos: Antonio Moreira
Capa: Propaganda Objetiva
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2020

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