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Nossa Senhora da Prainha – Por Maria Stella de Novaes

Igreja Nossa senhora da Conceição da Prainha, 1882 (Foto: Joaquim Ayres) - Postagem e informações: Jose Luiz Pizzol

Recebido no Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, a 30 de maio de 1925, o Sr. Dr. Luís Adolfo Tiers Veloso proferiu uma página de recordação denominada "Poesia da Crença", na qual narrou fatos históricos, envoltos em lendas relacionadas com a demolição da igreja consagrada a Nossa Senhora da Conceição, na Prainha, lugar, depois, aterrado e, agora, ocupado pela Praça da Independência.

Descreveu, por exemplo, que, ao preparar-se o préstito processional, a fim de trasladar-se a imagem para a igreja de São Tiago, o Sol refulgia glorioso, na limpidez do céu todo anil!... Mas, iniciado apenas o desfilar do cortejo, na praia, repentinamente, obumbrou-se o firmamento e desabou uma carga d'água tão violenta que, em cinco minutos, as ruas ficaram alagadas. Dispersaram-se os fiéis como por encanto.

Vendo-se a sós, os portadores do andor reconduziram-no à igreja e depuseram a imagem no seu altar. Logo, serenou-se o tempo e o Sol brilhou novamente, num céu puríssimo. Acudiram, então, os fiéis ao repetido chamado. Reorganizou-se a procissão; outro, porém, e mais violento aguaceiro obrigou-os a retroceder. Ficou a solenidade adiada. Estava tudo encharcado: — ruas, povo, condutores do andor... Entretanto, sobre o manto da Virgem e sobre as palmas que lhe coroavam a fronte, não se percebia nem uma gota das águas do céu!...

Outras lendas firmaram-se, na imaginação do povo, como recordação do pequeno templo, querido principalmente dos pescadores.

Em 1902, grassava a peste bubônica, em Vitória. Memorando ainda a demolição da igreja querida, comentavam os capixabas, aparições de Nossa Senhora da Conceição aos pescadores, seus devotos. Era "uma velhinha de alvos cabelos ondulantes, que errava, pelas circunjacências da Cidade, banida do seu lar. Falava aos pescadores, contava-lhes o esbulho de sua antiga e humilde morada. Profetizava luto e castigos, — punição do pecado irremissível.

Depois, a velhinha transformava-se, inesperadamente, numa Virgem de extraordinária formosura, e desaparecia. Deixava os simples e rudes homens do mar, estupefatos, enlevados!...

A 4 de junho de 1896, rezou-se, pela última vez, a Santa Missa, na igreja de Nossa Senhora da Conceição, na Prainha. Foi a imagem conduzida para o Rosário.

(O Estado do Espírito Santo, 6-6-1896). A 10 de outubro, iniciou-se a demolição.

 

Fonte: Lendas Capixabas, 1968
Autora: Maria Stella de Novaes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2015

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