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Núcleo de norte-americanos no ES

Fonte: Panorama Histórico de Linhares - 1982
Autora: Maria Lúcia Grossi Zunti

Para se entender o estabelecimento dos norte-americanos em terras do município de Linhares é necessária uma breve exposição histórica.

No ano de 1860, teve início nos Estados Unidos da América do Norte a luta a que se chamou "guerra da secessão"; luta civil cujo principal motivo era a escravidão. Os americanos estabelecidos ao norte do país desejavam aboli-la, e os do sul, latifundiários do algodão, que demandava muita mão-de-obra escrava, puseram-se naturalmente contra. A guerra durou cinco anos e, no final, venceram os ianques ou nortistas. Os sulistas ficaram inconformados, principalmente porque, quase no fim da guerra, o presidente Lincoln aboliu a escravidão.

Muitos desses sulistas, ou confederados, emigraram para países onde a escravidão era ainda permitida. E como o Brasil era um destes, vários vieram ter aqui.

Para o Espírito Santo veio um grande grupo em 1865, chefiado pelo coronel Charles G. Gunter, de Alabama. Celebrou contrato com o Governo que o autorizava a medir 20 léguas por 10, de terras nas margens norte e sul do Rio Doce, próximas ao rio Mutum e Guandu. Esta área, como sabemos, pertencia ao município de Linhares. Mas o Coronel fixou-se apenas no "fertilíssimo vale, à beira do lago Juparanã e iniciou seu cultivo com diversos indivíduos de sua terra natal". Quatro anos mais tarde o Ministério da Agricultura manda o engenheiro Virgínio Gama Lobo inspecionar o cumprimento do contrato.

O engenheiro então informa em relatório várias irregularidades. O senhor Charles estava tirando jacarandá, "permitindo que os intrusos se aproveitassem das terras do Estado", e uma das terras que ocupou na lagoa Juparanã fugia completamente aos termos do contrato. Inclusive, o zeloso engenherio nomeia como "intrusos" vários linharenses de renome por aqui na época. Ao final, ele diz que apenas alguns americanos restavam no rio Doce: Brasil Manley Gunter, Augusto Teodoro Adnet e mais três outros.

Ofício da Câmara de 1884 informa que este Adnet era diretor do Aldeamento Indígena de Mutum, e, como já referimos anteriormente, um parente dos Gunter fixou-se em Linhares por bastante tempo.

Não vingou, pois, este núcleo colonial norte-americano em Linhares, ou motivado pela "má direção do empresário" ou por situações outras de adaptação.

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