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O 2º Donatário Vasco Coutinho Filho – Auxílio a Estácio de Sá

Luisa Grinalda ou Grimalda, esposa de Vasco Fernandes Coutinho - Acervo: IHGVV - Casa da Memória

Em princípios de 1564, quando Estácio de Sá passou pelo Espírito Santo em demanda do Rio de Janeiro, onde iria imortalizar o nome, Vasco Fernandes Coutinho (filho) já devia ter assumido o governo da capitania. O fato de Belchior de Azeredo seguir com o sobrinho do governador geral parece indicar que ele não detinha mais a responsabilidade da administração capixaba.(1)

O novo donatário, ao que se presume, veio de Portugal para o senhorio que lhe coubera por herança.(2) Se, efetivamente, assumiu o posto em fins de 1563 ou início do ano seguinte, coube-lhe inaugurar a administração com uma atitude de relevo na vida do país. Aludimos ao auxílio prestado pelo Espírito Santo a Estácio de Sá na empresa que culminou na expulsão dos franceses da Guanabara e fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, depois capital do Brasil. A colaboração que a capitania de Vasco Coutinho dispensou a este episódio da consolidação da hegemonia portuguesa no Brasil se inscreve entre as mais belas e eloqüentes demonstrações de acuidade política e solidariedade fraternal do período colonial. Era o momento em que se definia o destino da futura nacionalidade – ou a terra continuava uma possessão de Portugal ou se entregava ao domínio dos franceses. Solicitada sua ajuda, o Espírito Santo deu quanto pôde – dois valorosos e heróicos soldados e legião imensa de bravos guerreiros. Belchior de Azeredo foi um dos baluartes da vitória das armas luso-brasileiras na Guanabara. Duas vezes, pelo menos, foi posta à prova sua bravura.(3)

Em ambas, demonstrou possuir fibra de autêntico soldado. O funcionário, homem de justiça, administrador, portou-se à altura dos grandes capitães que a colônia conheceu.

 

NOTAS

(1) - JOSÉ MARCELINO informa que “em 1564 [Belchior de Azeredo] já não era capitão-mor e somente provedor da Fazenda” (Ensaio, 19, nota 1). Misael Pena diz que Vasco Coutinho (filho) recebeu a capitania de Belchior de Azeredo em 1563 (História, 45). – Por sua vez, BRÁS DA COSTA RUBIM depõe: “Não consta o ano em que chegou [Vasco Coutinho (filho)], é provável que fosse em fins de 1563” (Memórias, 221).

(2) - Vasco Fernandes Coutinho (filho), certamente, não estava no Espírito Santo à época do falecimento do primeiro donatário. Presente fora, e seria absurda aquela passagem do mandado de Mem de Sá, datado de dezesseis de outubro de 1561, onde se dizia: “e a nenhuma pessoa entregareis [a capitania] [...] salvo se vier Vasco Fernandes Coutinho, filho do defunto”. DAEMON o presumia residente no Reino (Prov. ES, 80).

Era casado com D. Luísa Grinalda, filha de Pedro Álvares Correia, e D. Catarina Grinalda (LAMEGO, Terra Goitacá, V, 374) – Luísa Grinalda era natural de Portugal (DAEMON, op. cit., 80).

– Vale a oportunidade para uma referência a D. Ana Vaz, mãe de Vasco Fernandes Coutinho (filho). Não se tem notícia da sua presença no Brasil, embora, desde os primeiros tempos da capitania, fosse conhecida a ilha de Ana Vaz. Seria uma homenagem de Vasco Fernandes Coutinho (pai) à mulher que amara ilicitamente? Ou o topônimo indicava residência, local de lavouras pertencentes a Ana Vaz? Por excessiva que fosse a liberdade de costumes na colônia, o donatário jamais chegaria ao extremo de homenagear a concubina ausente, permanente ou transitória, dando seu nome a um acidente geográfico da capitania.

Mais razoável é que Ana Vaz tivesse vindo na expedição dos primeiros povoadores e Coutinho lhe tenha oferecido a ilha a que deu seu nome. Os companheiros consagraram a doação denominando-a ilha de Ana Vaz.

3 - Em fevereiro de 1564, quando a frota comandada por Estácio de Sá entrou na barra do Rio de Janeiro, Belchior de Azeredo e outros perseguiram e atacaram uma nau francesa, aprisionando-a (FELISBELO FREIRE, História, I, 30). A maior façanha do ex-secretário de Vasco Coutinho teve lugar a treze de julho de 1565, quando, após renhido combate, capturou duas canoas inimigas de vinte que vinham sobre a nascente povoação (FREIRE, op. cit., 36). O feito vem minuciosamente descrito na fé de ofício que Estácio de Sá passou a Belchior de Azeredo, documento que se pode ler nos Anais do Rio de Janeiro, de BALTAZAR DA SILVA LISBOA, I, p. 94 ss.

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, maio/2017

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