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O carisma de Anchieta - Por: Américo Menezes

Capa do Livro do Padre Viotti - Anchieta, O Apóstolo do Brasil - Edições Loyola, 2ª Edição - São Paulo, 1980

No dia 9 de junho próximo ocorrerá a importante efeméride do 4° centenário da morte de padre José de Anchieta, o grande catequizador dos nossos índios, considerado o fundador da cidade de São Paulo, nos Campos de Piratininga, sendo ali venerado por todos os títulos. No pátio do colégio dos jesuítas, por ele criado naqueles tempos idos, existe hoje a Igreja do Beato Anchieta, desde que sua memória já com o papa João Paulo II foi elevada à categoria de beatitude.

O Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo e a Academia Espírito Santense de Letras em ação conjunta muito louvável sem dúvida - promoveram condignas comemorações em homenagens à grande data. Houve uma certa antecipação das festividades para não coincidir com outras também efusivas que serão realizadas neste Estado, especialmente na cidade de Anchieta onde o beato faleceu, bem como em São Paulo que lhe prestará homenagens altissonantes, segundo estamos informados.

As duas citadas instituições culturais do Espírito Santo, de 19 de março a 22, escolhidos seus representantes, ininterruptamente, nesses quatro dias, trouxeram a lume a vida do Santo Padre Anchieta.

Coube-nos, encerrando as homenagens, no dia 22, conforme o programa, fazer uso da palavra em Anchieta (antiga Reritiba, fundada pelo Venerável); incumbência por nós recebida com a maior satisfação, porquanto nutrimos por Anchieta, desde longa data, admiração muito especial e muito grande.

Por isso, com o coração cheio de emoção, perante o auditório em Anchieta, ao qual compareceram autoridades municipais em geral, representantes das instituições culturais de Vitória, professores e muitas pessoas gradas, preferimos deixar de lado o discurso escrito contido em nossa mão, para falar de improviso, dando expansão aos sentimentos de admiração e devoção ao Santo Anchieta, cultuados há muitos anos. Queríamos transmitir a todos os presentes, se possível, toda a nossa sentimentalidade sob a forma de uma semente espiritual em favor da canonização de Anchieta antes do esperado romper do ano 2000.

Em mãos com duas das maiores obras sobre Anchieta, a do Padre Hélio Abranches Viotti S.J. "Anchieta Apostolo de Brasil" e a do nosso conterrâneo Jayme Santos Neves "A Outra História da Companhia de Jesus", passamos a semeá-las nos seus pontos altos que mais nos impressionaram. Os milagres, por exemplo, praticados por Anchieta, relatados pelo Padre Viotti com as comprovações apresentadas em seu livro, despertaram, sem dúvida, a curiosidade geral dos presentes.

O mundo que passou a falar do aleijado que saiu andando, conforme a narrativa do autor de "Anchieta o Apóstolo do Brasil", citando nomes dos que foram alvo dos milagres e das pessoas que assistiram. A abundante pesca dos xaréus para saciar a fome dos índios em certa oportunidade, contada com pormenores por Joaquim Tomaz, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, que recebeu o prêmio "Joaquim Nabuco" com o seu livro Anchieta também foi lido.

A essa altura prometemos anunciar, no final da nossa palestra, uma noticia de grande significação para a possível canonização de Anchieta. Essa nos tinha sido transmitida, pessoalmente, pelo próprio Padre Hélio Abranches Viotti, nosso amigo em São Paulo, dois dias antes.

Com o livro de Jayme Santos Neves em mãos, passamos a destacar depoimentos preciosos. Tínhamos, entretanto, que levar em conta o nosso tempo no microfone para não nos exceder. Estas palavras do livro de Jayme eram imprescindíveis. "A Pátria se antecipou à Igreja, tornando o Dia Nacional de Anchieta a data de sua morte. A Pátria antecipou à igreja porque é muito mais fácil o reconhecimento do herói do que o reconhecimento do santo", como bem o percebeu Dom Marcos Barbosa, diz o autor.

Empolgado pelo carisma de Anchieta, continua Jayme Santos Neves, citando o poeta Cassiano Ricardo com estes versos: O seu destino de Santo/ Era o mais simples de todos/ Era andar/ Era em caminho do mar/ Ora pra dentro da terra/ Subindo e descendo a terra/ Azul e perpendicular/ O seu destino em andar/ Sonho de quem mal dormia/ Olhos cheios de horizonte/ Pés santos de correria/ Pensamento no futuro/ Sonho sonhando em chão duro.

Outra poesia Curta e muito expressiva de Cecília Meirelles o autor também transcreve:

Vede o Santo Anchieta/ O santinho corcós/ De roupeta preta/ Posto em oração/ Erguido nos ares/ Acima do chão.

Já era hora de anunciarmos a prometida novidade alvissareira, conforme havíamos dito anteriormente. O padre Viotti, considerado o maior estudioso da vida do beato, hoje com 91 anos, gozando de perfeita lucidez, com muita alegria, afirmou-nos pessoalmente: "O primeiro processo formado para a canonização de Anchieta logo após a sua morte, com o depoimento vivo de onze sacerdotes da época, desaparecido inexplicavelmente, tinha sido por ele encontrado nos anais dos arquivos do Vaticano". Esse processo, como todos esperam, muito pode contribuir para a desejada canonização do primeiro, e único Santo brasileiro.

Transcrito de “ A Gazeta de 17-04-97

 

Fonte: Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. Nº 49, ano 1997
Autor: Américo Menezes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, abril/2014 

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