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O casamento do Adelpho Monjardim - Por Sérgio Figueira Sarkis

Foto de Ilustração: Equipe de remadores do Clube de Regatas Saldanha da Gama em abril de 1929. Identificados: Emilio Bumachar e Adelpho Poli Monjardim (3º e 4º da E/D). Foto de Jair Dessaune. Acervo de Adelpho Poli Monjardim.

Membro de uma das mais tradicionais famílias capixabas, Adelpho Monjardim foi, entre muitas coisas, escritor, geógrafo, historiador e, principalmente, por duas ocasiões, prefeito de Vitória. Era filho do Barão de Monjardim.

Foi criado, inicialmente, na sede da fazenda da família, localizada em Jucutuquara, hoje transformada no Museu Solar Monjardim, sob o controle da Universidade Federal do Espirito Santo. Durante sua juventude, desenvolveu hábitos sadios, praticando esportes no Clube Saldanha da Gama, principalmente o halterofilismo, que lhe proporcionou, sempre, físico bem definido, mantido até o envelhecimento.

Membro da Academia Espírito-Santense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, Adelpho foi autor de inúmeros livros. Alguns, a respeito da geografia da Ilha de Vitória. Outros, sobre lendas que povoavam o burburinho do povo capixaba.

Exerceu o comando da Capital, a primeira vez, por nomeação. Na segunda, por mandato outorgado pelo povo, sendo o primeiro prefeito eleito da cidade, para o período de 1° de fevereiro de 1959 a 31 de janeiro de 1963.

Sempre de terno e gravata, Adelpho, não tendo automóvel, caminhava a pé, de sua residência, na Rua Barão de Monjardim, até seu local de trabalho, como tesoureiro da Prefeitura, localizada na Rua 7 de Setembro, no Centro.

Usava chapéu de feltro, por hábito nunca colocado na cabeça, sempre segurando-o com a mão direita. Isto lhe proporcionou o apelido de Hino Nacional. Solteiro convicto, tinha uma namorada de nome Yolanda Paoliello. O namoro dos dois durou pelo menos uns 30 anos de absoluta seriedade e respeito mútuo.

Após todo esse tempo de convivência de inspiração amorosa, resolveu se casar na Catedral Metropolitana de Vitória. O evento mereceu a atenção de toda a sociedade local e também da imprensa escrita, falada e televisada. Esta se deslocou em peso até o templo católico, para testemunhar o que parecia, até então, impossível de acontecer.

Ao término da solenidade, os repórteres cercaram o casal e, dentre muitos questionamentos, foi perguntado a Adelpho por que havia demorado tanto tempo para se casar. Enfático, respondeu:

— A situação financeira não permitia.

Sem comentários.

 

Fonte do Livro: No tempo do Hidrolitrol – 2014
Autor: Sérgio Figueira Sarkis
Fonte da Foto: Fotos Antigas do Espírito Santo - Por José Luiz Pizzol
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2019

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