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O Centro de Vitória e sua revitalização - Por Gabriel Bittencourt

Projeto do Eng. Saldanha da Gama de uma ponte ligando o Penedo ao Forte de São João na curva do Saldanha - Foto: Moacyr Fraga, 1929

As notícias sempre renovadas da revitalização do Centro de Vitória e da restauração dos imóveis nele localizados mantém viva a ideia da necessária solução para o bairro, epicentro da memória histórica da nossa formação. Mas, na realidade, tudo está ainda por fazer. Revitalizar o Centro, concordamos com a ex-prefeitinha Lília Mello, é mais do que pintar fachadas, "é todo um conjunto de ações que envolvem interferências no trânsito, paisagismo, projetos sociais"; contexto no qual se discute, ainda, a desobstrução das belíssimas fachadas do casario antigo, a transformação da Duque de Caxias em "Rua 24 Horas", além da criação de um Shopping vinculado ao prédio da antiga Mesbla que, lamentavelmente, não chegou a ser concretizado.

Muito do patrimônio histórico-arquitetônico, de que vale a pena preservar para a memória capixaba, localiza-se no Centro de Vitória. Por isso, são, sempre, de suma importância as restaurações periódicas de tais construções para revitalização desse centro histórico, particularmente aquelas localizadas na área que poderíamos denominar de Corredor Cultural da Antiga Avenida Capixaba. Isto é, a partir do prédio do antigo Serviços de Melhoramentos de Vitória, hoje do MAES, que data de 1925, e que foi a base da "cirurgia regeneradora" que o bisturi do governador Florentino Avidos (1924-1928) promoveu na Ilha-Capital. Daí projetou-se o Mercado da Capixaba, o Grupo Escola Gomes Cardim (a FAFI), a Praça Costa Pereira e o Teatro Carlos Gomes. Patrimônio histórico-arquitetônico cuja deterioração, em nossa opinião encontra-se vinculada muito mais ao trânsito pesado que flui diariamente em demanda dos demais municípios da Grande Vitória.

Assim sendo, não seria uma boa sugestão a exumação do projeto que existe desde o início do século XX, e que se encontra no Arquivo Público Estadual, da construção de uma ponte em curva, sobre o canal de navegação da baía de Vitória, a partir da antiga Fortaleza São João e da "Curva do Saldanha", com prolongamentos para a Rodovia Carlos Lindenberg e a Darly Santos? E por que não um "Mergulhão" sob a Avenida Jerônimo Monteiro, a exemplo do que existe na Praça XV de Novembro no Rio de Janeiro. Felizmente, é ainda pelo antigo traçado das vielas coloniais que temos acesso à Cidade Alta e ao que de mais expressivo encontramos para a História da cidade. A começar pelo antigo Colégio dos Jesuítas e pela Capela Santa Luzia que são obras da infância de Vitória. Aquele, aliado à Assembléia Legislativa e à Catedral, terminou por compor um conjunto arquitetônico que o governo Jerônimo Monteiro (1908-1912) reconstruiu sobre os escombros de uma arquitetura religiosa colonial jesuítica. Restando, ali, a centenária Igreja de São Gonçalo e o frontispício do antigo Convento dos Franciscanos. Mas, a memória documental da Cidade e do Estado, que o mesmo Monteiro decisivamente mandara organizar, permanecia até há pouco no Arquivo Público Estadual; cujo prédio, posteriormente, Florentino Avidos fez construir, na Rua Pedro Palácio, instalando, também ali, a Biblioteca Pública Estadual. Obras que podem ser alcançadas pela Escadaria Maria Ortiz, remodelada à época de Avidos, ou pelas demais escadarias que dão acesso à Cidade Alta e ao boulevard (Rua Pedro Palácios), que evocam a belle époque da Capital Capixaba.

Quando Vitória era uma linda cidade... "parecia mesmo um presépio..." afirmavam aqueles que a avistavam à noite, do mar, uma Cidade Presépio, como o Centro da Cidade ficou denominado. Por isso, ele é tão importante para nós capixabas, como para todos que se preocupam com a memória espírito-santense.

 

Fonte: Escritos de Vitória nº 6 - Parque Moscoso, PMV e Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo, 1994
Autor do texto: Gabriel Bittencourt 
Gabriel Bittencourt Nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, em 1942. Historiador e Jurista, 1° Vice-Presidente da AEL e do IHGES. Autor do livro História Geral e Econômica do Espírito Santo, dentre outros.
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2019

Personalidades Capixabas

Carlito Von Schilgen

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Que faríamos de nós sem o amanhã? O passado embora extremamente agradável de recordar, está morto. O presente está sempre a puxar por nós. Mas o amanhã é o paraíso do sonhador. Tudo é possível amanhã; nenhum sonho é demasiadamente louco, nenhum objetivo parece inatingível...

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