Morro do Moreno: Desde 1535
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O Cinturão de Vitória - Por Adelpho Monjardim (1949)

Ilha de Vitória

Em continuação à Vigia, o morro da Capixaba não se caracteriza nem pela altitude nem pela beleza. Seria comum como outro qualquer se não estivesse ligado à vida e à história do tradicional bairro, que é das mais interessantes.

Ao sopé, na fímbria mesmo dos seus pendores, surgirem as primeiras casas dos colonos; dos primeiros pescadores, que de geração em geração chegaram aos nossos dias e são os que ainda habitam o lendário Porto Pedreiras, berço das mais fascinantes lendas sobre os nossos homens do mar, suas crendices e superstições.

Hoje a rua Barão de Monjardim, antiga São João, dá-lhe novo aspecto com as suas elegantes construções e moderno calçamento. A baía, sempre movimentada, tem nele apreciável adorno, não só por suas virentes matas como por notável formação rochosa que, indiscretamente, modela certa região do corpo humano. A seguir vigorosa pedreira secciona-o quase na divisa com o morro Bispado, assim conhecido por ter pertencido à Mitra Diocesana. De um para outro o contraste é chocante. Enquanto reveste-se o primeiro de vistoso arvoredo, cobre-se o segundo de mirrados e escassos camarás. Nessa altura avança até mergulhar suas raízes no mar, seccionadas pela rua Barão de Monjardim, traço de união entre o leste e o oeste da ilha. Com o Penedo, no continente, forma a parte mais estreita da baía. Em seguimento surge a sede do Clube de Regatas Saldanha da Gama, um dos grandes clubes do Brasil, situado no mais belo cenário da costa brasileira. Levanta-se das ruínas do antigo Forte São João, e da velha praça forte foram conservadas as veneráveis relíquias que o tempo respeitou. Podem ser admiradas grossas muralhas sobre o mar, os pesados canhões assentados nas respectivas ameias, a praça d’armas e o paiol de pólvora, que embora situado no corpo central do edifício foi integralmente respeitado. É digno de apreço o belo pórtico restaurado e conservado como nos seus áureos tempos. Por sua vez substituíra o Forte de São João o fortim que em 1592 fora improvisado para repelir os corsários de Sir Thomas Cavendish.

No Saldanha o monte torna a afastar-se do mar e na divisa com o Forte apresenta nova e extensa pedreira que se prolonga até o cume. Retraindo-se do saliente granítico formado pelo seu vizinho, este forma a baixada em que se encontra o bairro do seu nome. Na baixada começam os mangues que numa largura média de meio quilômetro se prolongam até a Praia Comprida. Os mangues do Forte, parcialmente aterrados, terminam na ilha de Santa Maria, vis-à-vis com Jucutuquara. Antes de avançar novamente para o sul e postar-se à margem da Avenida Vitória, o morro do Forte retrai-se em estreito e profundo vale de pitoresco aspecto, invadido por graciosas vivendas. A chapada é vasto tabuleiro onde avultam algumas árvores de avantajado porte. Sobre a avenida Vitória, à altura do Romão, inflete para o norte formando meia lua com o morro do Cruzamento ao qual se junta para se prolongar, na mesma direção, com o nome de Jucutuquara e formar o cinturão externo do extremo leste do maciço montanhosa da ilha de Vitória e que se vai fundir no grupo liderado pelo pico Frei Leopardi, depois de com ele formar o vale de Fradinhos.

Ao denominar de complexo o sistema orográfico vitoriense não vai o intento de uma definição acadêmica. Segundo Hartt as montanhas de Vitória e o Mestre Álvaro, ou Alvo, formam grupos isolados. Quanto a este a distância que o separa de Vitória é ocupada por extensa planície coberta pelas formações terciárias e quaternárias constituídas por sedimentos cuja natureza e espessura são ainda desconhecidas. A montanha é um maciço de forma piramidal e de constituição gnáissica típica da serra do Mar. O pretendido vulcão não passa de fantasia e dele não foram encontrados vestígios pelos que o visitaram, entre os quais o naturalista Saint-Hilaire e recentemente engenheiro japonês Ruigi Haga.

O maciço vitoriense é, entretanto, ramificação do maciço Atlântico, ou melhor, da serra do Mar, que se prolonga pela margem sul da baía de Vitória até o monte Moreno, sua última formação. Um vale rochoso, estreito e profundo, que o mar invadiu para formar a atual baía, liga o maciço da ilha às montanhas do continente. A topografia da baía de Vitória, com os seus vales submersos, descascamentos, meias laranjas, faces de escorregamento etc., demonstra também as formas de relevo características da serra do Mar.

O pico Frei Leopardi é a chave do sistema insular. Nele se ajustam as montanhas que, em toda sua extensão, se dividem e subdividem em denominações locais sem obediência a razão ou critério de ordem geográfica. Partindo do Frei Leopardi uma forte lombada avança aproximadamente uma milha para nordeste, de onde inflete para oeste indo atingir o bairro de Santo Antônio e daí por um cordão de montanhas, que toma sucessivamente os nomes do morro do Cabral, Santo Antônio, Alagoanos, pedra do Alemão, Caratoíra, Moscoso, Santa Clara, Fonte Grande, Mulundu e Vigia, fecha o grande circuito do maciço vitoriense.

Em Jucutuquara tem o maciço os seus limites extremos a leste, onde surgem os primeiro montes isolados que completam o sistema orográfico da região. Uma grande montanha que nasce fronteira ao pico Frei Leoparti prolonga-se em sentido norte-sul e vai morrer sobre a avenida Vitória, face a face com os alagados da ilha de Santa Maria. Na parte central dessa montanha, que separa Jucutuquara de Maruípe, ergue-se o Solar Monjardim, notável edificação colonial considerada, pelo Serviço do Patrimônio Histórico Nacional, monumento histórico. Em Maruípe recebe o nome local e de pedra Mole; em Jucutuquara o de morro da Casa Grande, pedra do Bonde e morro do rio Branco.

O morro Grande, bela montanha símile do Vesúvio, termina com um cabeço granítico dominando toda a baixada que se estende aos seus pés, apreciavelmente edificada. Segue-se o Gurigica, menor e menos interessante. O bento Ferreira sobre a praia do mesmo nome e o morro do Súa, no bairro assim denominado. O itapenambi, onde se encontra o Hospital Infantil, o da Gamela, Guajuru, Itapebuçu, em que se ergue a The Western Telegraph Co., o Barro Vermelho, todos no moderno bairro de Praia Comprida.

São estas as principais elevações da ilha de Vitória, merecendo algumas estudo mais demorado, que por sua importância geográfica, formação geológica ou razões de ordem histórica.

 

Fonte: Vitória Física, 1995
Autor: Adelpho Monjardim - Prêmio Cidade de Vitória, 1949
1ª Edição: Revista Canaan Editora, 1950
2ª Edição: Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Vitória, 1995
Prefeito Municipal de Vitória: Paulo Hartung
Secretário Municipal de Cultura e Turismo: Jorge Alencar
Diretor do Departamento de Cultura: Luiz Cláudio Gobbi
Editor Executivo: Adilson Vilaça
Produtora Executiva: Silvia Helena Selvática
Projeto Gráfico: Ivan Alves
Editoração Eletrônica: Edson Maltez Heringer
Foto e Capa: Léo Bicalho
Revisão: Reinaldo Santos Neves
Chefe da Biblioteca Municipal Aldelpho Poli Monjardim: Ligia Maria Melo Nagato
Bibliotecárias: Elizete Terezinha Caser Rocha e Cybelle Maria Moreira Pinheiro
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro, 2014



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