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O fim da água

A situação está tão crítica que a própria Organização das Nações Unidas lançou esses dias o programa de alerta mundial chamado Tik Tak, alusivo ao ruído de um relógio, pois é somente questão de tempo o colapso geral da natureza por conta da poluição e nela a degradação do uso da água.

Cada indivíduo dotado de razão deverá dar sua parte de contribuição, a começar com a proteção das águas que dispõe, sem o que não se pode esperar que ocorrerá rápida recuperação da natureza por conta de alguma medida acertada que um governo poderá tomar.

Para os vilavelhenses a água foi um atropelo ao seu desenvolvimento urbano, pois sendo boa parte de seu território de terrenos muito baixos em relação ao nível médio do mar, o escoamento das águas é difícil, existindo regiões alagadiças e lagoas, sem contar com os braços de mar que tem.

Esses "braços" existem por conta de dobras da crosta terrestre, dado que o assoalho do oceano, confrantante, por pertencer a plataforma continental brasileira, vem lentamente subindo, emergindo, e com isso houve a formação de restingas que estão com cotas mais altas que áreas internas.

Boa parte dessas terras baixas constituem a bacia de expansão natural quando das grandes cheias do rio Jucu, decorrentes de maiores precipitações pluviais em suas cabeceiras. Em 1900, por exemplo, o Governador Cleto Nunes desistiu de transferir a Capital de volta para Vila Velha por conta das referidas enchentes e dos mosquitos. Antes um pouco, o Engenheiro sanitarista Saturnino de Brito, afirmava que o Espírito Santo precisava de uma cidade para Capital já que a ilha de Vitória era inviável para tal. Na época não existiam os grandes aterros de Vitória, e a rua mais importante era a estreita e ladeirosa rua Duque de Caxias.

Em 1860 numa rápida visita a Vila Velha e ao Convento da Penha, lá de cima, D. Pedro II ao avistar as áreas planas de Vila Velha que a partir da Prainha estavam ainda praticamente intocadas, com vegetação natural de restinga e terrenos arenosos formando o que se chama de mosaicos e tufos de mata altlântica, ao afirmar que era um bom local para surgir uma cidade, estava, ao meu ver, mal informado, principalmente no que tange na incapacidade do homem de ocupar espaço em harmonia com a natureza, caso não seja tão imprevidente por não compreender a natureza e ganancioso muitas vezes. Pois bem, o que seguiu foi o surgimento de uma série de loteamentos sobre áreas alagadiças, sem entrelaçamento adequado entre si, formando quase um labirinto urbano em boa parte, sendo que somente na década de 80 do século XX é que surgiram leis de uso e parcelamento do solo em áreas costeiras, mas as dificuldades de reparos já estavam instaladas.

Cabe como ponto de partida, o vilavelhense conhecer e memorizar os seguintes veios d'água que dispõe para valorizá-los e aprender a conviver:

Oceano: Atlântico, com as Praias das Pitangueiras (do Governador), do Tabajara (ou do Libanês), da Sereia, da Costa, Itapoã, Itaparica, do Morro da Concha, da Barra, dos Arrecifes, da Ponta da Fruta, do Sol, e outras com toponímias a relacionar.

Baía marítima: Baía de Vitória, com a Praia de Piratininga.

Reentrâncias marítimas: Saco do Aribiri, e enseadas da Glória (Prainha da Glória), Prainha de Vila Velha, do Ribeiro, de Santa Luzia e outra bem minúscula próxima e a direita do Cabo de Santa Luzia.

Braço de Mar: trecho final do "Rio Marinho", "Rio Aribiri", "Rio da Costa ou Canal da Costa" e trecho final do "Rio Congo".

Rio: trecho final do rio Jucu e inicial do Rio Congo.

Riachos ou Córregos: que são diversos como o Inserica, o da Praia do Ribeiro, o Xury, o Doce e o Sete, e outros a relacionar. Os dois primeiros sofrem influência da maré alta, e o último é tão seco, que na maior parte do ano não consegue ter água suficiente para desembocar no oceano, fato há muito registrado pelo IBGE.

Bacias: Marinho, Jucú, Aribiri, Sete, Congo, Costa e Ribeiro, e outras pequenas

Canal: dos Jesuítas - o mais antigo das Américas e constitui pequeno trecho que interliga a bacia do Rio Jucu com a bacia do Rio Marinho, tornando esse último influente do Rio Jucu.

Valas: Bigossi, Guaranhuns, a da Glória, a do Bairro Alvorada, a de São Torquato (canalisada e encoberta) e outras a relacionar.

Fontes de água: do Moreno, do Batalha, do Pá-bu-bú, de Inhoá, do Copolilo e outras a relacionar.

Lagoas: Jabaeté (carece de grande proteção e estudos mais detalhados), Vermelha (na região da Ponta da Fruta - adjacente ao bairro Morro da Lagoa), Encantada na região da bacia do Aribiri na região da Cobilândia, e Cocal (sendo essa possível ter surgido por motivo de escavação para extração de areia) e outras a relacionar.

Observações: existem diques interceptando bacias ou delimitando-as como o de Guaranhuns e o de Santa Inês.

Por: Roberto Brochado Abreu. Membro da Casa da Memória de Vila Velha. (11/09/2009)

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