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O Frade e a Freira - Lenda: Por Doralice de Oliveira Neves

O Frade e a Freira, a mais emblemática formação rochosa capixaba (sem data) - Acervo: José Luiz Pizzol

O Frade e a Freira são duas pedras que ficam entre Itapemirim e Itapoama. Ambas estão em atitude de prece, separadas por um abismo.

Dizem que quem escala o morro, quando começam a apagar-se os raios do Sol, vê um velho Monge, que conta a história do Frade e a Freira deste modo:

“Os mistérios de Tupã eram guardados por Jurema, uma ‘Cumbatan Poranga’ que tinha a beleza da flor do manacá banhada pelo orvalho da noite.

Um dia, a Senhora do Céu desceu no ‘Ybitu Cavaru’ e disse a Jurema:

- O homem branco manchou a terra matizada de ouro e diamantes com o sangue de teus irmãos de raça; as criancinhas estão sem mãe e Tupã, para não deixar ‘Anhangá Cuera’ carregá-las, quer que Jurema seja mãe dos ‘curumis’. Quando a mãe do dia aparecer na casa de Moacir, encontrarás, junto ao morro uma Casa Grande, onde abrigarás as criancinhas e delas serás mãe!

A jovem selvagem abaixou a linda cabeça ornada com uma grinalda de flores silvestres e respondeu:

- ‘A! Xe angá hu emoté Yara!’

A Senhora do Céu voltou com o ‘Ybitu Cavaru’ para a casa do Senhor e Jurema caiu em profundo sono...

Quando Araci iluminou a Terra, a Cabana Grande estava erguida ao pé do monte. Jurema despertou e viu ao seu lado um hábito das religiosas servas do Senhor.

Jurema cobriu seu corpo moreno com as vestes sagradas e foi cumprir ordens da Virgem do Céu...

Uma tarde, as nuvens estavam todas vestidas com os raios de Guaraci, quando o silêncio religioso da Cabana foi perturbado por três pancadas na porta. Ao abri-la, Jurema viu com espanto, uma criatura de raça estranha. Era um jovem frade que vestia, também, um hábito todo feito de pobreza e humildade, e que viera de Pátria distante trazer o Amor de deus à terra do Pindorama.

Ainda muito moço, mas já a serviço de Deus, o missionário peregrinava pelos desertos da nova Pátria, em busca de discípulos para os ensinamentos sagrados, chegando muito cansado à porta daquela Cabana.

Quando os olhos dos moços se encontraram, Rudá, para destruir a missão sagrada daquelas almas místicas, alvejou seus corações com a impiedosa seta.

Ele fizera, lá no Mosteiro da Pátria distante, o voto de renúncia ao amor profano e ela, em plena selva, recebera da Senhora do Céu a missão de ser mãe dos filhos de outras mães! Mas o amor foi mais forte que o dever do apostolado...

Em vão, os jovens missionários pediam ao Criador das coisas que lhes tirasse do coração aquele amor que lhes destruía a missão do espírito, que era o amor convertido em caridade. Suas preces não subiam ao Céu, porque Anhangá não deixava.

Depois de uma pausa, o Monge prosseguiu:

‘Era uma linda tarde e toda a selva se iluminava com uma suave luz de deslumbrante policromia... os ventos tangiam uma doce melodia. As flores bailavam. O Frade e a Freira rezavam, juntos, nas selvas, a Ave Maria. Uma força poderosa une as mãos dos moços religiosos... de mãos dadas, caminham; caminhadas para o amor transformado em sublime miragem.

No alto do morro, os dois moços param... erguem para os Céus os olhos em prece. Quando seus lábios se vão unindo, impelidos pelos corações, grita a voz da alma, impelida pela missão evangélica...

Arrependidos, os jovens caem de joelhos e são convertidos em dois blocos de pedra, separados por um abismo, que tragará todos aqueles que tentarem desvendar o mistério do Frade e da Freira...”

 

Fonte: Estudos da Cultura Espírito-Santense. Vitória. 2006
Autor: Getúlio Marcos Pereira Neves (neto de Doralice de Oliveira Neves)
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2012 

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