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O grande cacique – Por Cacau Monjardim

Fábrica de cimento Monte Líbano

João Pereira dos Santos, vice-rei do cimento no Brasil, começou a vida trabalhando como boy, numa fábrica de linhas do nordeste.

E, nesse começo modesto, fixava-se, também, um destino.

Sua vida foi daí em diante um permanente jogo de intricados cordéis, de fio em fio, de meada em meada, ele conquistou seu novelo empresarial, hoje representado por um patrimônio de 500 milhões de cruzeiros; distribuição por nove poderosos complexos industriais, do Pará a São Paulo.

Foi este homem, de cabeça chata, de corpo redondo, de sorriso largo e de indormida disposição para o trabalho que resolveu, um dia, aceitar o desafio cachoeirense do cimento. No sul do Estado, por imposição de uma determinação histórica grupos estaduais, aliados a um grupo italiano, tentavam a implantação de uma grande indústria de cimento que acabou sendo um fracasso total, ainda na fase de montagem.

Sucediam-se em Cachoeiro, as romarias de credores de porta em porta. O Governo Estadual, grande inspirador do empreendimento, buscava aqui e ali soluções para o triste dilema da fábrica de cimento.

Bendito o momento que o velho nordestino aceitou o convite capixaba para vir conhecer Cachoeiro de Itapemirim, suas jazidas de calcário e o fracassado empreendimento que era, à época, a fábrica de cimento, que ficara famosa pelo discutido e atribulado caso do "Estouro da Barbará".

Antes dele muitos estiveram em Cachoeiro. Mas, só ele, contra uma cidade inteira, resolvera aceitar o desafio do cimento. Acostumado a enfrentar as mais duras lutas, tinha uma certa predestinação para se meter em negócios complicados. O de Itabira era mais um fio que vinha se juntar ao novelo do velho João.

Venceu a batalha. Pagou tributo ao desafio. Pagou altos dividendos pela coragem de ter enfrentado uma cidade, então pequena, ciosa de um espírito de solidariedade comum à gente simples do interior e que não poderia admitir que um pau de arara qualquer ali chegasse e ousasse encarar de frente um povo que jamais se acostumara a conviver com o fracasso.

O velho João Santos tomou como primeira decisão, após a compra da fábrica e das jazidas e assumir os compromissos financeiros que se avolumavam, transferir para Cachoeiro um dos seus filhos - João Santos Filho - que acabara de casar e recebia como prêmio um lua de mel na fazenda Monte Líbano, onde o velho cacique resolvera construir a nova fábrica. O primeiro lar do filho foi o barracão de obras da indústria.

João Santos Filho, transformava-se, também, num "mestre de obras" como seu pai.

A história da Itabira tem todos os lances que marcaram a vida e a obra de João Santos.

Trabalhando duro, sua gente, sob o comando de seu filho, (e a suas incursões pessoais periódicas para conferir), construiu a nova fábrica, enquanto fazia a produção da primeira passar de 5 mil sacas-diárias, para 22 mil sacas, recuperando totalmente a indústria.

Hoje, quando está pronto para produzir 60 mil sacas-diárias de cimento, a Itabira pode dizer que tem uma história à altura da saga de seu grande criador - "o senhor meu pai" - como é tratado, respeitosamente, o velho cacique, pelos "meninos", João, José Bernardino e Fernando.

Setembro de 1968

 

Fonte: Capixaba, sim. (hoje mais do que ontem), 2006
Autor: J. C. Monjardim Cavalcanti
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2016

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Augusto Ruschi

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Augusto Ruschi nasceu em Santa Teresa, em 13 de dezembro de 1915, uma pequena cidade de colonização italiana nas montanhas do Espírito Santo

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