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O grande exemplo de Jânio – Por Plínio Marchini

Plínio Marchini - Famoso pelos seus editoriais

O Sr. Jânio Quadros deu ontem, na Praça Oito, dois exemplos que precisam ser fixados pelo povo principalmente agora, que esse povo se prepara ao exercício do direito de escolher seus governantes.

Um candidato não é somente a mística dos panfletos e os anúncios de jornal: o candidato é antes de tudo um homem que possui, ou deve possuir, idéias a respeito dos problemas do cargo ao qual ele concorre. E assim sendo, cabia ao Sr. Jânio Quadros demonstrar conhecimento dos problemas brasileiros. E já que falava no Espírito Santo —também dos problemas do Espírito Santo.

Não foi de outro teor o seu discurso. S. Exa., com aquela agilidade mental que é a sua característica mais acentuada, sintetizou em rápidas palavras as mais legítimas reivindicações do nosso Estado.

Poucos dias antes, como citou em seu discurso o Sr. Setembrino Pelissari, aquela mesma Praça Oito servira de balcão na honra alheia, onde os concorrentes do cidadão Teixeira Loti foram classificados com todas as injúrias e calúnias possíveis. À falta de méritos do seu candidato, os lojistas preferiram atacar Jânio Quadros, numa linguagem cuja violência foi à ordem do "demente", "caolho", "maluco" e outras preciosidades de falta de educação política.

Qual foi a resposta que lhes deu Jânio? Foi à Praça Oito e esquematizou ação do seu Governo, detendo-se principalmente no que toca ao nosso Estado. Mostrou as falhas da organização nacional e apontou meios para corrigi-las.

Por acaso não é esse o mérito que o cidadão idealista deseja encontrar no candidato? Se eleição fosse apenas uma briga vulgar, não haveria necessário que nelas se colocassem homens — bastavam nos uns galos. Se ao Invés de idéias o candidato devesse ser um alucinado que xinga e calunia, seria justo supor que não se estava escolhendo um Presidente — mas um baderneiro.

Colocando o seu discurso em termos altos, atendo-se somente aos problemas nacionais de relevância, Jânio polarizou as atenções da massa e arrancou-lhe, aplausos sinceros, de puro entusiasmo cívico.

A análise que fez, por exemplo, da previdência social, é digna de figurar como uma plataforma do governo. Conforme, lembrou o candidato das oposições, é um crime entregar a previdência aos políticos, para que estes façam delas uma arma eleitoral na maior das vezes dirigida para a exploração do próprio trabalhador a quem ela deveria estar servindo.

Mas Jânio lembrou das estradas, recordando que o Governo Federal construiu apenas, nos últimos cinco anos, 57 quilômetros de rodovia asfaltada Lembrou o Hospital das Clínicas, cuja construção está descurada inteiramente durante o atual governo. E lembrou mais: situou o nosso problema d energia elétrica, definiu-se com relação à Hanna, classificando de crime o seu jogo para sufocar a economia da Vale do Rio Doce.

Enfim, Jânio foi bem o oposto dos varejistas da honra alheia que naquela mesma praça lançaram a sua bílis irada contra os líderes janistas e contra o próprio candidato.

Jânio e hoje, para nós, o símbolo de uma campanha construtiva, preocupada com os problemas nacionais. Os adversários que ouvíramos alguns dias antes não eram planejadores da ação de um governo: eram, isto sim, um bando desordenado e irado, desses que tudo destroem, mas que nada saber construir.

A diferença que os separa de Jânio é o insulto. A identidade, que possuem com o Marechal Lott é a mesma incapacidade de falar sobre os interesses nacionais.

Essa foi, sem dúvida, mais comovente descoberta feita pelo povo, na Praça Oito: esperava um candidato que nos desse noções de sua política e encontrou um técnico que conhece a fundo as principais reivindicações do Espírito Santo. Queríamos apenas um visitante que nos falasse com carinho. Encontramos, em Jânio, um irmão que sabe do que sofremos e que se oferece, pressuroso, para nos auxiliar numa campanha de redenção econômica.

Tão grande foi a atenção do povo para este homem honrado, tamanho o seu interesse por suas palavras e pelos seus pensamentos, que nem mesmo uma ambulância colocada estrategicamente pelos adversários para desfilar de sirene aberta por irás ao comício conseguiu tumultuar o comício. Um comício que a chuva não dissolveu, que as sirenes abertas não abalaram. Um comício de gente de bem ouvindo gente de bem. Um comício de patriotas em busca de, um Brasil melhor, onde seja dado a cada um o que é seu, sem o sacrifício de qualquer de nós.

 

Fonte: Jornal O Diário, 9 de agosto de 1960 – Ano IV
Autor do texto: Plínio Marchini
Compilação: Walter de Aguiar Filho, abril/2018

 

 

 

 

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O DIÁRIO não foi a minha primeira experiência em jornal. Comecei trabalhando em A Gazeta, quando era da UDN e dirigida pelo Dr. Olympio de Abreu

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