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O Pássaro de Fogo – Por Maria Stella de Novaes

Paisagem do Espírito Santo - Ao longe o Mestre Álvaro

Conta-se que, em tempos que se foram, nos limites da Mitologia com a História, uma princesa indígena, belíssima, filha de valoroso soberano, e um jovem de tribo guerreira contrária, apaixonaram-se irredutivelmente.

Aumentou, por isso, a rivalidade, entre os silvícolas e, de modo notório, atiçou feroz oposição dos caciques. Jamais o primeiro daria consentimento ao enlace de sua querida filha, com um inimigo do seu povo, embora fossem valiosos os presentes do noivo e, conforme os oráculos, sinceras suas afirmações de amor. Estabeleceu-se, em conseqüência, intransponível divisa, entre as terras ocupadas pelas duas tribos, terras dos atuais municípios de Cariacica e da Serra.

Acontece, porém, que não há trincheiras, para o amor. Conseguiram os apaixonados o concurso de uma ave misteriosa que, em horas determinadas, os conduzia a dois cômoros fronteiros, dos quais se podiam avistar. Então, a índia cantava e a delícia da sua voz chegava ao eleito do seu coração. O íncola retribuía aquela saudação afetuosa, com a improvisação de um estribilho.

Continuaram, assim, naquele idílio incomparável, até que chegou ao conhecimento do cacique a fuga romântica de sua filha. Foi o bastante, para que reunisse os oráculos e conseguisse, de um feiticeiro, a intervenção de uma fada, que transformou os apaixonados, em pedra, nos referidos cômoros. Estes se elevaram e constituíram dois montes lendários e belos, importantes, no litoral capixaba: — o Muxoara, a princesa, em Cariacica, e o Mestre Álvaro, o príncipe, na Serra.

Compadecida, porém, de um destino tão cruel, a fada concedeu aos enamorados uma trégua, na rigidez de suas posições. Anualmente, na passagem de São João, recuperam, de modo invisível, a forma humana primitiva; juram fidelidade e presenteiam-se, com valiosas jóias e outros mimos.

Além disso, transformada em bola-de-fogo, a ave amiga é a mensageira, entre aqueles noivos eternos. Transporta-lhes as juras de amor e os presentes, que atestam sinceridade infinita.

É o motivo por que, — afirmam os entendidos, — à noite de São João, uma bola-de-fogo passa, no céu, e vai do Muxoara à Serra, e vice-versa. É a viagem do jogo, a descrever, no espaço, a eternidade do Amor!

 

Nota:

— Em “Cariacica”, o Sr. Omir Leal Bezerra insere A VIAGEM DO FOGO, pelo Natal, sob a forma de um facho, que vai do Muxoara para o Mestre Álvaro, para regressar, na passagem do Natal seguinte.

 

Fonte: Lendas Capixabas, 1968
Autora: Maria Stella de Novaes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2016

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