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O Porto da Barra – o último suspiro da pujança econômica de Itapemirim

Capa do Livro: Crônicas da História de Marataízes - Um olhar sobre a cidade, 2010 Autor: Ronald Mignone

No século XVIII, o Brasil já havia perdido a liderança da produção açucareira, em face da concorrência de colônias francesas, inglesas e holandesas na América, bem como pelas oscilações de preços no mercado mundial e da corrida em busca do ouro, que levou a um progressivo abandono das lavouras e engenhos. No século XIX, o açúcar deixava, efetivamente, de ser principal produto da atividade econômica nacional, transferindo essa importância para o café.

A decadência econômica do açúcar iniciou um período de declínio da economia de Itapemirim, provocando a emancipação dos municípios serranos, onde se concentravam as lavouras de café (que, como se sabe, eram a “bola da vez” da economia daqueles tempos), que passaram a pertencer ao novo município de Cachoeiro de Itapemirim, emancipado em 1867.

Itapemirim, entretanto, ainda sobrevivia bem com suas fazendas e, por conta do progresso da região sul do Estado, havia um movimento crescente de cargas e de passageiros do interior para o litoral, com seu escoamento pelo Porto da Barra de Itapemirim.

O trânsito de pessoas e de cargas naquela época era complicado de se fazer por terra. Antevendo obter lucros com o transporte fluvial de café da região serrana para a Foz do Rio Itapemirim, o Capitão Henrique Deslandes, pleiteou junto ao Governo a concessão para a navegação a vapor pelo Rio Itapemirim, tendo assinado contrato por força de lei provincial de 1872.

O Capitão Deslandes era paranaense de Paranaguá, fotógrafo e dentista, tendo lutado na guerra do Paraguai (dezembro de 1864 a março de 1870) como voluntário, estabelecendo-se no Espírito Santo, inicialmente em Vitória, onde montou um ateliê fotográfico, mudando-se, depois, para a Vila de Itapemirim.

No dia 3 de abril de 1876 foi inaugurado o serviço de navegação pelo Rio Itapemirim, com quatro vapores: dois de rodas e dois de hélices, ligando o Porto de Cachoeiro, onde hoje é o Bairro Baiminas, ao Porto da Barra de Itapemirim. Pouco tempo depois, foram adquiridos mais dois vapores e uma barca de passageiros, além da encomenda de outro vapor na Inglaterra.

É interessante relatar que o nome daquele bairro onde ficava o porto em Cachoeiro, Baiminas, foi assim batizado por conta de ser ali um entreposto de comércio de gente da Bahia e de Minas Gerais, sendo essa, portanto a razão do seu nome.

Posteriormente, o capitão Deslandes entabulou uma sociedade com Manuel Ferreira Braga, criando a companhia Braga & Deslandes, adquirindo, na Barra do Itapemirim, o trapiche de Silva Lima & Braga, que teve como primeiro proprietário o Barão de Itapemirim.

O trapiche da Barra foi construído por volta de 1860 pelo Barão De Itapemirim, sendo um prédio belíssimo, todo em estilo colonial, coberto por telhas vindas de Marselha, na França, com janelões e portas de pinho de riga vindos de Portugal.

Infelizmente, como já dito, por descaso das autoridades, esse imponente edifício está em ruínas, sobrando apenas um pedaço de sua parte frontal de pé, havendo, todavia, um projeto para sua restauração, assim como já está sendo feito no Palácio das Águias, situado logo defronte.

A produção de açúcar nos engenhos, mesmo depois do término do ciclo do açúcar, e a navegação pelo Rio Itapemirim, com o escoamento de cargas pelo Porto da Barra, foram, portanto, os responsáveis por segurar a economia de Itapemirim nesse período.

 

Fonte: Crônicas da História de Marataízes - Um olhar sobre a cidade, 2010
Autor: Ronald Mignone
Compilçação: Walter de Aguiar Filho, julho/2016 



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