O que a baiana tem todo mundo sabe. Elas já foram cantadas em verso e prosa pelo mundo inteiro, seus vestidos são marca registrada e seus acarajés e vatapás deliciam os mais exigentes paladares. O jeito "malemolente" do povo baiano não é defeito, é característica.
Mas por que falar dos baianos quando o assunto é o capixaba? Porque há muito tempo os intelectuais tentam explicar o Espírito Santo e o povo que vive aqui. Definir as características deste povo e descobrir, afinal, o que nos torna diferentes, é um desafio.
E se é possível reconhecer um baiano a léguas de distância, o mesmo não se pode dizer do capixaba. E não é só pelo jeito de falar, andar, comer ou vestir. O baiano ama a Bahia e fala dela. Orgulha-se dela.
Caipira no nome e por natureza, "o capixaba não é ufano com as coisas de sua terra", afirma o historiador Eliomar Mazzoco. Mas isso, antes de ser um defeito, é exatamente o que nos torna únicos.
Talvez a falta de um diferencial, que seja tão evidente quanto a figura da mulata passista, do gaúcho ou da baiana, seja a nosa marca. Somos acanhados e esta característica nos torna mais antenados com o mundo. "O Espírito Santo é uma síntese do país", destaca Eliomar Mazzoco.
Somos provincianos e sem identidade, é o que se ouve por aí. E aí não podemos esquecer que o capixaba tem um problema de auto-estima que o leva a não acreditar naquilo que faz ou produz.
O antropólogo Darcy Ribeiro, e seu livro "O Povo Brasileiro", afirma que três forças influenciaram nossa formação étnica: a ecológica, a econômica e a imigração.
Historicamente nos isolamos, e esse isolamento se reflete, ainda hoje, nesta maneira provinciana de ver o mundo. Mas não nos isolamos por vontade própria e sim por imposição de uma conjuntura política e econômica que precisava proteger o ouro escondido nas Minas Gerais.
Fomos impedidos de abrir estradas e de avançar. Por muitos anos, o capixaba viveria assim, como sentinela do ouro.
Por aqui, pouco se fez a não ser manter a faixa de praia conquistada pelos pioneiros. Quando os grandes centros industriais e comercias começaram a surgir, o Espírito Santo foi excluído do processo. Os passos por aqui eram lentos em meio a uma região que se desenvolvia à velocidade de um ônibis espacial.
Fonte: A Tribuna (21/05/2000)
Autora: Marcilene Forechi
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