Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

O reinado do café - Cachoeiro atraiu as primeiras ferrovias

Ferrovia em Cachoeiro

Tal como em São Paulo, onde o café abriu cinco estradas de ferro que ligavam as regiões produtoras à capital e ao porto de Santos, no Espírito Santo a cafeicultura também pôs os trens em circulação. Ao contrário do ocorrido em São Paulo, aqui o processo de implantação das linhas ferroviárias foi devagar, aos trancos.

No começo, pensou-se em dar um passo maior do que as pernas. Uma lei provincial baixada em 1872 definiu as bases da rede ferroviária capixaba, projetando um corredor de exportações que ligaria Vitória a Ouro Preto e Serro, em Minas. Esse projeto nunca foi concretizado. Na prática, foi substituído pela Estrada de Ferro Vitória a Minas. Iniciada em 1903, ela visava Araxá, acabou em Itabira e viabilizou a velha idéia do corredor exportador mineiro-capixaba.

A primeira ferrovia capixaba foi inaugurada em 1887. Com 71 quilômetros, ligava Cachoeiro de Itapemirim a Castelo-Reeve (próximo a Alegre). Sua carga principal era o café. Em 1913, quando já tinha sido encampada pela Estrada de Ferro Leopoldina, a pequena Estrada de Ferro Caravelas estendeu seus trilhos até Espera Feliz, em território mineiro. E nisso ficou, feliz.

Cachoeiro de Itapemirim, a capital do café capixaba, tinha vínculos mais estreitos com o Rio de Janeiro, a capital federal, do que com Vitória, a capital provincial. No fim do século XIX, os trilhos do Rio e de Vitória se aproximavam de Cachoeiro. Com dificuldades, a Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo concluiu seu primeiro trecho em 1895: o de Vitória-Viana. Em 1900, estava pronto o trecho Vitória-Domingos Martins. Em 1910, finalmente, a ferrovia sulista completava a sonhada ligação entre Vitória e Cachoeiro. Havia passado tanto tempo, porém, que tudo já havia mudado. Desde 1903 já tinham chegado à capital do café capixaba os trens da Leopoldina, com matriz no Rio, contribuindo assim para fortalecer os laços econômicos entre a cidade maravilhosa do Rio de Janeiro e a poderosa capital secreta do mundo, escondida entre as montanhas do Sul do Espírito Santo.

Cachoeiro de Itapemirim, de 1887 a 1910, com a primeira ferrovia e os últimos trilhos, sintetiza a história do transporte ferroviário do café no território capixaba. Fora da região comandada por Cachoeiro, o café praticamente não usou o trem.

 

Fonte: O reinado do café, A Gazeta 31/08/1992
Pesquisa e textos: Geraldo Hasse, Linda Kogure e Abmir Aljeus
Fotos: Valter Monteiro e Tadeu Bianconi
Concepção gráfica: Sebastião Vargas
Ilustração: Pater
Edição: Orlando Eller
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2016

O Reinado do Café no ES

Rota dos Vales e do Café – Fazenda Independência

Rota dos Vales e do Café – Fazenda Independência

Para uma experiência de imersão no universo de época do ciclo do café, nada melhor do que se hospedar em um casarão antigo como a sede da Fazenda Independência, em Mimoso do Sul

Pesquisa

Facebook

Matérias Relacionadas

O reinado do café - Os negros eram mais numerosos no Sul do ES

A região de Itapemirim, no Sul do Estado, concentrou o maior número de escravos no Espírito Santo

Ver Artigo
O reinado do café - Cadê a floresta? O fogo a comeu!

Cadê a floresta? O fogo a comeu! Cadê o rio? Está cheio de entulho! 

Ver Artigo
O reinado do café - Do Reno para terras frias de Santa Isabel

Primeiro vieram os portugueses, que colonizaram o Espírito Santo. Depois, os açorianos, que fundaram Viana, em 1813

Ver Artigo
O reinado do café - O café desfaz um marasmo de 300 anos

Ele chegou devagar, ninguém sabe por onde. E foi tomando conta do território capixaba

Ver Artigo
O reinado do café - Cachoeiro, a ‘capital secreta’ do mundo

Na virada do século, a cidade era rica e cheia de novidades 

Ver Artigo
O reinado do café - Rio abaixo, em canoas, o café ganha o consumidor

Desde o século passado, a navegação fluvial testava a vocação portuária do Espírito Santo

Ver Artigo
O reinado do café - Os burros carregaram o estado nas costas

As tropas de burros tiveram uma importância fundamental no transporte do café e de outras mercadorias no território capixaba

Ver Artigo