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Obelisco da Praça dos Namorados
19/05/2011

“Exmo sr. Governador do Estado. Exmo sr. Bispo Diocesano. Exmo sr. Prefeito da Capital. Exmas Autoridades federais e estaduais. Exmo srs. Consules. Minhas senhoras, meus senhores.

Por onde quer que nos tenha levado a curiosidade do nosso espírito através das terras que temos visitado, nas diversas viagens que fizemos através com continente Europeu, nós, que conservamos com acendrado carinho o culto pelos feitos grandiosos dos nossos antepassados, verificamos sempre e em toda parte a gratidão dos nossos povos para com aqueles que souberam servi-los, nas grandes, como nas pequenas cidades que atravessamos nessas perigrinações de curiosidade, vimos Monumentos grandiosos pelo esolendor arquitetônico de suas fachadas e pelo arrojo das concepções artísticas dos seus criadores; vimos também Monumentos modestos que, na singeleza de suas pedras cinzeladas, ou no brilho dos seus mármores simples, atestavam o respeito e a gratidão dos decendentes desses benfeitores, relembrando a todos os instantes o Herói ou o Sábio, o Artista ou o Filósofo, o Navegador ou o Guerreiro, que, cada um em sua esfera de ação procurou engrandecer, honrar, ilustrar, dignificar a sua Pátria, tendo sempre para ela voltados os seus pensamentos e os seus trabalhos. Por toda a parte esses Monumentos atestam aos filhos da terra, como aos viandantes, o preito de gratidão dos seus povos, pelo muito que eles fizeram por aqueles que alí os homenageam. E, não só aos filhos da terra a que pertencem levantaram os povos os Monumentos com que sintetizam a sua gratidão – eles a rendem também aos benfeitores da Humanidade, onde quer que eles hajam nascido, e que por seus trabalhos beneméritos merecem o respeito e a gratidão de toda humanidade.

Foi por uma dessas viagens que fizemos através dessas terras, que nasceu em nossa mente a idéia de dotar esta linda Capital com um monumento que suntetizasse uma das datas que mais caras fossem aos corações dos seus habitantes, e fosse , ao mesmo tempo, um preito devido de homenagem a alguém que muito houvesse feito por este Estado. Veio-nos à lembrança a proximidade da data histórica do grandioso feito hoje, Povo e Governo, comungando num mesmo entusiasmo de amor cívico festejam com as maiores demonstrações de alegria a que já temos assistido nesta cidade. Em nosso Espírito se fixou o desejo de prestar esta homenagem ao grande Vasco Fernandes Coutinho, o primeiro donatário destas terras, levantando numa das praças desta cidade, um monumento que simbolizasse a data de sua chegada às terras deste Estado. Data que marcou o início da nossa civilização: o despertar destas terras uberrimas para a vida coordenada dos povos civilizados; um momento que, no palpitar de sua expressão simbólica, nas linhas rígidas dos seus graníticos blocos ou na mudez expressiva dos seus brinzes trabalhados, lembrando gloriosos e passados feitos, atestasse aos nossos descendentes que a passagem do quarto centenário da chegada de Vasco Fernandes Coutinho a estas plagas não passara desapercebida.

É para nós, filhos dessa mesma Pátria a que pertenciam aqueles que pela primeira vez passearam as lindas praias e terras deste grande país, e que já irmãos e filhos aqui nascidos contamos entre os membros de nossas famíliasa, uma satisfação muito grande, imensa, podermos, oferecer ao honrado e laborioso povo deste Estado este pequeno monumento, cuja pedra fundamental aqui estamos assentando.

Irmanados como estamos com a sua população, pelo mesmos desejos de ver grande e próspero esta Unidade da Federação Brasileira, em que nos temos empenhado, carreando a pedra do nosso esforço para a continuação da construção moral e material desta bela terra, sentimo-nos realmente jubilosos em poder oferecer ao povo deste Estado esta prova material desse esforço, perpetuando num símbolo, modesto pelo seu valor material, mas alevantado e grande pelo seu significado moral, essa data imperecível que é Vinte e três de Maio de mil quinhentos e trinta e cinco, que nos relembrará sempre essa figura destacada, que em nossa história foi Vasco Fernandes Coutinho.

 

Senhor Governador do Estado:

 

As famílias Oliveira Santos aqui representadas pelo seu chefe, nosso venerando Pai, a cujo esforço e bondade devemos o pouco que somos, pelo muito de sã moral e de amor os trabalho com que nos educou o espírito, e pela nossa amada Mãe, aqui também presente a quem devemos todo um mundo de amor e carinho, pedem vos cimenteis a primeira pedra deste Monumento que, em acasião oportuna, vos será devidamente entregue ao digno Povo deste formoso Estado, por cuja prosperidade fazemos os mais sinceros votos.

Termino agradecendo a V. Exa. por haver aceitado esta pequena oferta que fazemos e o haver indicado este local para nele ser colocado.

A todos os que nos deram a honra de vir assistirn a este ato a nossa melhor gratidão.”

 

 

Fonte:Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, nº 10 dezembro de 1935
Pesquisa e Fotos: Walter de Aguiar Filho,maio/2011

 

 



 

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