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Obras de arte em solo sagrado

Em estilo Dom José, o arcaz da sacristia é feito em jacarandá maciço e é considerado o mais belo do país da

Passada a festa da padroeira, o acervo artístico-cultural do Convento da Penha é um bom motivo para visitar o santuário

 

A festa acabou, o povo se foi e o Convento dos Franciscanos de Nossa Senhora da Penha ficou vazio. Entra ano sai ano, milhares de fiéis passam por lá sem se darem conta de que a visita religiosa está a poucos passos de um grande passeio cultural. Localizado a 154 metros de altura da antiga Vila do Espírito Santo, o primeiro santuário mariano do Brasil é, por si só, uma obra de arte. Sua construção, iniciada no século XVI, é um exemplar de arquitetura colonial barroca e integra o Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Como se não bastasse, o santuário abriga um rico acervo que inclui móveis, pintura em óleo sobre tela, talhas e imagens. Uma verdadeira galeria aberta ao público diariamente.

Para que o verdadeiro valor desse monumento seja compreendido na íntegra, melhor subir o íngreme penhasco a pé, de preferência pela ladeira das Sete Voltas – em alusão às sete alegrias de Maria, devoção instituída e propagada pela Ordem Franciscana. Por ali subiram escravos e índios carregando pedras nos braços sob o comando de Frei Pedro Palácios, idealizador da capela. Vindo de Portugal numa missão religiosa em 1558, Frei Pedro – irmão leigo franciscano – trouxe consigo apenas um quadro da santa de sua devoção e uma imagem de São Francisco de Assis.

O quadro era o de Nossa Senhora dos Prazeres ( ou das Alegrias) e é tido por muitos como o óleo sobre tela mais antigo do Brasil. Diz a lenda que a obra foi responsável pela localização do templo. Depois de desaparecer duas vezes seguidas e ser reencontrada entre duas palmeiras no cume do penhasco, teve o seu sumiço interpretado como um sinal de Nossa Senhora. Atendendo ao pedido da Virgem, ergue-se o santuário no morro da penha. Daí o nome Nossa Senhora da Penha que, na verdade, se refere ao quadro de Nossa Senhora dos Prazeres.

A bela moldura rococó, esculpida em madeira, é posterior ao quadro. Foi talhada pelo artista português José Fernandes Pereira. Também de sua autoria são o zimbório, os púlpitos, os capitéis, os estuques, o assoalho em piso mosaico (ou marcheteria) – substituído em reforma do ano de 1980 – e os retábulos onde estão colocadas as quatro pinturas de Vitor Meireles – famoso por pintar a Primeira Missa no Brasil – que são verdadeiras relíquias. Foram feitas sob encomenda do Frei João Costa, por volta de 1877, especialmente para a ornamentação dos medalhões ovais dos retábulos.

 

Fonte: Jornal A GAZETA de 18 de abril de 1999.
Jornalista: Andrea Pena



GALERIA:

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