Autor: Walter de Aguiar Filho
Data: 05 de agosto de 2005.
Segundo me contou Francisco Mascarenhas de Barcellos, na época em que seu pai Clementino era o chefe do posto semafórico localizado no Morro do Moreno (nomeado pelo Governo Federal em 14 de novembro de 1914, aos 23 anos), o posto contava com uma luneta de longo alcance para identificação dos navios e também com bandeiras que eram hasteadas sinalizando a entrada de navios na baía de Vitória.
Mestre Clê, como também era conhecido Clementino, construiu no local uma cabana de apoio para descansar e guardar as bandeiras coloridas. A escritora Maria da Glória de Freitas Duarte, sobrinha de Mestre Clê, no livro Vila Velha de Outrora, conta que em noites de luar todos subiam o Morro para passar a noite com Clementino e que em noites frias o agasalho era as bandeiras coloridas.
Clementino era católico fervoroso, por isso logo depois que construiu sua cabana, ergueu um oratório à Nossa Senhora da Penha de frente para o Convento da Penha.
Francisco me contou que ao lado desse oratório, seu pai plantou algumas árvores frutíferas e dentre elas uma jaqueira que cresceu e se tornou uma frondosa árvore. Os anos se passaram e na década de 70, quando estive no topo do morro havia no local um enorme tronco rasteiro ao chão, já quase todo podre, com apenas um broto. Fiz questão de regar e cuidar para que essa árvore voltasse a desenvolver. Verifiquei que se tratava de uma jaqueira, que começava a crescer. Mais tarde, no ano 2000, quando já estava escrevendo o livro Krikati, Tio Clê e o Morro do Moreno, consultei Francisquinho e tive a informação do oratório e da jaqueira, e desde então, tais fatos fazem parte do meu livro, que por sinal, ainda precisa de patrocinadores para a impressão.
LINKS RELACIONADOS:
Livro Krikati, Tio Clê e o Morro do Moreno
Clementino de Barcellos
Vila Velha de Outrora
Guilherme Merçon