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Os anos 70 e a modernidade - Literatura, ES

O Jardim das delícias. Capa do livro de Bernadette Lyra

Se Audifax Amorim pode ser considerado o introdutor da poesia pós-moderna no Espírito Santo, pela própria desconstrução do signo verbal, a partir dos anos setenta, a prosa com essas características surge, apenas, em 1972, com a publicação de Blissful Agony, de Amylton de Almeida (1946), reeditado pela FCAA, em 1988. O mesmo autor escreveu, ainda, os romances A passagem do século, 1977 e Autobiografia de Hermínia Maria, publicada em 1994, além de várias peças de teatro.

Na mesma geração de 70, introdutora da ‘consciência de abismo do mundo moderno’, da dissolução dos costumes, da angústia existencial e da consciência da escrita, surgiram os principais escritores da literatura do Espírito Santo: Maria Bernadette de Lyra (1938), autora de As contas no canto, contos, 1981; O jardim das delícias, conto, 1982; Corações de cristal ou A vida secreta das enceradeiras, 1984; Aqui começa a dança, novela, 1985 e A panelinha de breu, romance, 1992. Reinaldo Santos Neves (1946) é o principal romancista dessa geração, tendo escrito Reino dos medas, 1971; A crônica de malemort, 1978; As mãos no fogo: o romance Graciano, 1983 e Sueli, 1988. Seu irmão Luiz Guilherme Santos Neves (1933) escreveu Queimados, teatro, 1977; A nau decapitada, 1982; As chamas na missa, 1985 e A torre do delírio, 1992. Da mesma geração foi Luiz Fernando Valporto Tatagiba (1946-1922) autor de O sol no céu da boca, contos, 1980, Invenção da saudade, crônicas, 1982 e Rua, crônicas, 1986.

A criação da Editora da Fundação Ceciliano Abel de Almeida, UFES, em 1978, foi o fato mais marcante da literatura do Espírito Santo. Em seus dezessete anos de existência, a Editora da FCAA publicou mais de 300 títulos revelando jovens autores e consagrando outros. Ao lado da industrialização e crescimento da Grande Vitória, nos anos 70 e 80, houve o aumento da população inclusive escolarizada – o que propiciou a formação de um público leitor, a democratização do país, o crescimento e desenvolvimento de estudos literários nas faculdades de letras, as oficinas literárias – verdadeiras fábricas de escritores – tudo foi motivo para um grande desenvolvimento da literatura no Espírito Santo que, pela primeira vez, se desatrelou dos grandes centros (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador), para se profissionalizar. Nos anos 80, o Espírito Santo resolveu o problema de publicação e divulgação do escritor local; falta, ainda, resolver o problema de divulgação e distribuição para outros centros.

Dentre os jovens escritores, quase todos contistas, lançados nos anos 80 pela FCAA, destacaram-se: Adilson Vilaça, Marcos Tavares, Sebastião Lyrio, Francisco Grijó. Os mais significativos poetas foram: Roberto Almada, Oscar Gama Filho, Deny Gomes e Miguel Marvilla, numa linha tradicionalista; Valdo Moura, Sérgio Blank, e Paulo R. Sodré, mais inseridos numa estética de contemporaneidade. Outros autores como Lacy Ribeiro e José Augusto Carvalho na prosa, Marien Calixte, José Irmo Goring e Luiz Carlos Almeida Lima, na poesia, ganham concursos literários e têm duas obras publicadas fora da FCAA.

A partir de 1992, com a criação da Secretaria de Produção e Difusão Cultural da UFES e da aprovação de projetos através da Lei Rubem Braga, da Prefeitura Municipal de Vitória, novas fontes de recursos impulsionaram a publicação de livros, no Espírito Santo. Vinte e dois títulos foram publicados, em dois anos, pela SPDC/UFES e 39 títulos de Literatura editados pela Lei Rubem Braga. Hoje, a produção literária do Espírito Santo é uma das maiores do país, proporcionalmente ao seu tamanho e expressão econômica no contexto nacional, apesar de continuar desconhecida no cenário nacional. Vários fatores concorreram para que isso acontecesse, conforme pude demonstrar em pesquisa realizada sobre parte da produção literária dos anos 80. A grande publicação dos anos 90 ainda deverá ser estudada, principalmente pelos alunos do curso de pós-graduação em Letras apenas recentemente iniciado em nosso Estado. Todavia, já se pode afirmar que não se trata, apenas, de uma literatura provinciana, cópia ou simulacro de modelos europeus, norte-americanos, cariocas ou baianos, como se fez, no Espírito Santo, até há muito pouco tempo.

A literatura do Espírito Santo, a partir da década de 70 e sobretudo nas duas últimas décadas, está inserida no contexto de uma literatura produzida na América Latina, em que o escritor recusa o espontâneo e assume a sua escritura como “dever lúcido e consciente”, conforme as palavras de Silvano Santiago, em texto não muito recente, embora atual. Reinaldo Santos Neves, Bernadette Lyra, Amylton de Almeida, Valdo Motta, Sérgio Blank, Paulo Sodré, são autores do mesmo nível de qualquer outro autor brasileiro divulgado pela mídia e conhecido nacionalmente. Se não o foram, ainda, é porque “o Brasil não conhece o Brasil”.

 

Fonte: A Literatura do Espírito Santo – uma marginalidade periférica, 1996
Autor: Francisco Aurélio Ribeiro
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2012 

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