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Os inacianos – Suas grandes propriedades territoriais

Ruinas dos Jesuítas e Rancho Forte

Voltemo-nos, por alguns instantes, para observar a atividade dos zelosos colaboradores do progresso capixaba – os jesuítas.

Já não se dispõe do auxílio portentoso do epistolário dos primeiros tempos, mas, sobre o esforço realizado pela Companhia, a obra do padre Serafim Leite é, sem dúvida, a mais autorizada. Sua exposição sobre os feitos e realizações dos inacianos no Espírito Santo, durante essa fase, leva a concluir que os padres, convencidos de que a catequese era a sua principal tarefa, se embrenharam terra adentro, pela Psittacorum Regio, olhos postos na indiada.(28) Entretanto, é curioso assinalar que os próprios jesuítas não conseguiram instalar-se no sertão profundo. Suas aldeias e fazendas distribuíram-se pela orla marítima, inclusive Itapoca(29) e Muribeca.(30) Sabe-se, contudo, que excursionaram a fundo nas brenhas e florestas espírito-santenses e “faziam de vez em quando entradas à Serra, e mais além, até Minas Gerais pelo Rio Doce, descendo índios para a catequese, e também com fim expresso de descobrimento, como as expedições às esmeraldas”,(31) conforme assinalamos.

Sem a pretensão de estudar as razões que fixaram os loiolistas no litoral – como os colonizadores – quando era justo esperar fossem os pioneiros da colonização do hinterland, ressaltamos o fato, bem demonstrativo das dificuldades que se antepunham aos intentos de penetração e conquista do que ficava além da serra de Mestre Álvaro, ou seja, a linha divisória do país do gentio.

Muribeca, fazenda de criação de gado, foi célebre e rica propriedade dos jesuítas. Chegou a ter quase duas mil cabeças de gado vacum e mais de duas centenas do cavalar. A exemplo do que fizeram em outras regiões, os padres construíram ali “obras de drenagem e saneamento, canais por onde se escoassem as águas” das inundações, além de grande casa, igreja e um espaçoso pesqueiro no rio.(32)

Para os inacianos, o século XVII assinalou-se, no Espírito Santo, como período de fixação territorial. Lamentável que as circunstâncias pelas quais se processou a política entre colonos e jesuítas, com relação ao índio, não permitissem que os primeiros seguissem as pegadas dos segundos. Melhor se entendessem e teria sido muito diferente a conquista da terra e dos seus primitivos donos e habitantes.

 

NOTAS

(28) - ROCHA POMBO diz que, por aqui, “cessava quase inteiramente a ação dos jesuítas” (HB, V, 320).

(29) - Itapoca – fazenda que se especializou na fabricação de farinha – foi fundada no século XVIII. Não estaria muito distante de Vitória, pois, conforme assevera SERAFIM LEITE, produzia hortaliça para o abastecimento do Colégio (localizado em Vitória). É do mesmo autor a afirmação de que “a evolução econômica da terra veio a aconselhar a concentração de todas as fazendas em três grupos, cada qual com a sua atividade especializada: criação de gado (Muribeca); engenho de açúcar (Araçatiba); fábrica de farinha (Itapoca)” (HCJB, VI, 152).

– “Ara-ça-tyba – sítio de se ver o mundo; é como se denomina – o planalto – no tupi amazônico” (SAMPAIO, O Tupi, 156).

(30) - Muribeca era fazenda de beira-mar e as suas terras não iam além de oito e meia léguas “de interior pelo sertão” (LEITE, HCJB, VI, 153).

– “Merú-beca – a mosca importuna, o mosquito pertinaz” (SAMPAIO, O Tupi, 271).

(31) - LEITE, HCJB, VI, 144; JÁCOME MONTEIRO, Relação da Província do Brasil (nota I do capítulo VIII deste volume).

(32) - LEITE, HCJB, VI, 153-4.

– Note-se que Muribeca se formou em meados do século XVII, porém teve seu fastígio mais tarde, já na centúria seguinte. Para um estudo mais desenvolvido, ver LAMEGO, As três grandes fazendas dos jesuítas.

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, julho/2017

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