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Os points da Praia da Costa

O ser humano e os animais sempre marcaram seus espaços, isso é uma característica do comportamento humano e social, mas principalmente do brasileiro.

Sua origem em nossas praias se deu com veemência na Praia de Copacabana, no Rio, quando criaram os postos que inicialmente tinham como objetivo a demarcação da área abrangida pelos salva-vidas. Os postos viraram “points”. Logo, essa tendência se espalhou pelas praias brasileiras.

Em Vila Velha não foi diferente. Na década de 1940, a Praia da Costa começou a ser freqüentada basicamente pelos moradores da Prainha e arredores.

Foi nessa época que começaram a surgir “points” famosos como o da Seria e o da Casinha Branca.

O nome daquele pedaço de praia ficou batizado como Sereia porque o pintor e escultor Lúcio Bacellar pintou uma sereia na parede do bar de sua propriedade. Depois o morador Gastão Rouback criou nesse lugar o Clube dos 40 (eram 40 sócios).

O point da “Casinha Branca” era o pedaço de mar que ficava de frente para a casa de um dos primeiros moradores, o médico Dório Silva. A casa do médico ficava localizada na Av. Gil Vellozo esquina com a rua 15 de Novembro, mais precisamente onde está hoje o Ed. Castelo de Alhambra.

A parte da Sereia ficou também conhecida na seqüência cronológica por “Geladeira”, “Pedrinhas” e bem depois, “Trampolim”.

Na região dos pescadores, onde hoje ficam os barcos, no passado havia no local vários quitungos, que são cabanas cobertas de palha de coqueiros, onde os pescadores guardavam suas canoas e os apetrechos de pescaria.

Ainda se falando dos anos 40 e 50, os pescadores mais conhecidos eram João Rita, Augusto Sergipano, Maria Bonita, Dadaia e outros. Entre os quitungos, quase na areia da praia, havia um boteco de madeira que se chamava Maracangalha, de propriedade do Faria.

Com a construção dos primeiros prédios da orla a partir da década de 1950, foram surgindo novos “points” que passaram a ter como referências os nomes das próprias edificações.

Foi daí que surgiram os “points” Guruçá ou Arrebentação, Sol e Mar, Maria Helena, Casa do Navio e Tabajara. Nesse último, o nome dado era em referência do Hotel Tabajara.

Quando Pelé veio à Vitória fazer um amistoso pelo Santos na década de 1960, se hospedou nesse hotel. O Rei aproveitou e tirou várias fotos na pedra do Clube Libanês e na praia da residência de verão do Governo. O hotel pertencia a Família Medina.

Freqüentar a Praia do Tabajara entre 1960 e 1975 era a coqueluche do momento. Alguns playboys vinham de Vitória, em seus karmanguias com tala-largas, pela Rodovia Carlos Lindemberg e lotavam aquele pedaço de praia nos finais de semana.

Os homens usavam sunga curta e uma toalha de banho pendurada em um dos ombros e a maioria ficava sentada no muro de arrimo. Não havia ainda o calçadão pavimentado. O conhecido “paredão” era formado só por homens, todos sentados lado a lado, sobre as toalhas. De lá ficavam paquerando as meninas na praia. Volta e meia, alguém pulava do paredão indo ao mar e dava um tremendo canivete ao estilo “Van Jonhson” (figura conhecida da época que executava canivetes em apenas 01 palmo d`água).

Os edifícios Guruçá, Sol e Mar e o Maria Helena ainda não foram demolidos. A Casa do Navio deu lugar ao atual Hotel Quality e o Hotel Tabajara, inicialmente vendido ao SESIMINAS, foi recentemente demolido e no local há uma edificação sendo erguida.

O local onde foi a residência do médico e intelectual Benjamin Buaiz, falecido há 2 anos, que hoje dará lugar a mais um empreendimento na orla, também foi um “point”. O médico, muito culto, tinha um grupo de amigos freqüentadores da praia, dentre eles Hernesto, Lucas Izoton, Bodinho, Antônio Cesar e muitos outros.

De 1975 a 1985, novos “points” surgiram: Mug,Trampolim, Vila Praia, Catamaram e a Casa do Navio ainda se mantinha.

O Mug era um boteco e ficava localizado na Av. Gil Vellozo de frente para o Ed. Guruçá, construído em cima do atual calçadão. Foi demolido quando fizeram o calçadão da orla (Governo de Albuíno) em sua primeira etapa que se estendia do Bar Mug até ao Clube Libanês onde aos domingos tinha a famosa “Mamadeira”.

De 1985 para cá, houve um “boom imobiliário” que transformou todo o cenário bucólico do local, como aconteceu também com Guarapari. Para se ter uma ideia, durante o governo de Gil Vellozo, de 1955 a 1959, a cidade de Vila Velha contava com apenas cerca de 30.000 habitantes, aproximadamente, e era notório o aumento da população. Hoje a população do município atinge 440.000 habitantes. Em 50 anos a população aumentou em 15 vezes.

Voltando aos “points”, a Praia da Costa, cuja população atual é composta por pessoas na maioria vindas de outros estados, principalmente de mineiros e cariocas que elegeram o local para residir ou passear, é freqüentada também por quem está outro lado da Terceira Ponte.

No local, além da beleza natural, as águas são límpidas, não há poluição e portanto são próprias para o banho de mar. Muitos restaurantes, atravessaram a ponte e abriram suas filiais. Tudo isso tem trazido novas caras, gente bonita e criando assim novos “points”.

O “Beverly Hills”, já em Itapoã, leva esse nome por ser um local de gente bonita e sarada, como a localidade chique americana de mesmo nome. Para não faltar à tradição, já lançaram um empreendimento de mesmo nome de frente para o “point”. Nos classificados vemos chamados como “venha desfrutar os encantos do mar de Beverly Hills”. O “point” parece que veio para ficar.

Há outros “points” na praia conhecidos como Castanheiras e Pescadores, onde há o parquinho das crianças e a feirinha de artesanato.

Outro que atualmente está tomando força e crescendo, é o “Point do Frescobol” que tem como organizador do pedaço o famoso Bambu. Funcionário de carreira da Prefeitura Municipal de Vila Velha, sempre gostou de esportes. No futebol foi um dos fundadores da famosa pelada do Mug que rolava aos sábados à tarde. Depois passou a pedalar longas distâncias e também jogar e dar aula de tênis na quadra do John Helal.

O primeiro jogador de frescobol se chamava Miguel Vieira, engenheiro da Vale, falecido, pai de Julinho Mac Laren. Quando pai e filho jogavam, davam um show. Os dois sabiam bater a raquete na bola com qualquer um dos braços. Eles eram os globetrotters do frescobol. A bola usada era peluda. Bola de tênis. Não havia quem não parasse para observar.

No “point” do Frescobol, com sol ou com chuva, as feras atuais das raquetes estão sempre presentes dando suas elegantes batidas. São elas, além do Bambu: Claudinho, Bize, Zé Ricardo, Valdeci, Torezani, Serginho Bol, Bené e Marilson. Sabará, que é da época de Miguel, até hoje bate um frescobol de alto nível.

Mais recente de todos é o “Point do Posto 9”, localizado na Gil Vellozo de frente para o Ed. Saveiros e o Carro do Côco. Até dar início ao verão, tem sido a febre do momento, depois os freqüentadores irão se debandar para Guarapari. E se no passado, na década de 1960, a Praia da Costa foi presenteada com a vinda do Rei Pelé, atualmente temos a informação que há uma “figura” freqüentadora do “point” que se auto intitula Michael Jackson do Posto 9.

Há 30 anos, se dizia que Praia da Costa poderia se tornar uma Copacabana. E já se tornou. Novas gerações virão e novos “points” serão criados. Retrato de uma época, seu resgate é importante para nossa história!

Por: Walter de Aguiar Filho, Engenheiro Civil, Pós Graduado em Administração e Escritor. (junho/2010)

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>> Trampolim da Praia da Costa
>> O Campanelli
>> A Casa do Navio
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