Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Os primeiros anos da CVRD (História da Vale)

Viaduto de acesso ao cais e ao silo de minério de Atalaia, do Porto de Vitória, ES

Preocupada em atingir a meta de exportação de 1,5 milhão de toneladas de minério de ferro acertada nos Acordos de Washington, a primeira diretoria da CVRD concentrou seus esforços na melhoria das condições de funcionamento do complexo mina-ferrovia-porto. Para que esse objetivo pudesse ser atingido satisfatoriamente era imprescindível a liberação dos recursos do Eximbank, acertados nos acordos.

Em 18 de março de 1943, foi firmado o acordo financeiro entre o governo brasileiro, a CVRD e o Eximbank, para concessão, pelo banco americano, do empréstimo de US$ 14 milhões. O dinheiro estava destinado ao financiamento das obras de ampliação da capacidade de produção das minas de Itabira, à reconstrução e ao reaparelhamento da Estrada de Ferro Vitória a Minas e à construção do cais de minério em Vitória. O empréstimo seria efetuado mediante notas promissórias emitidas pela CVRD, pagáveis em 20 anos a partir da data de emissão, com juros à taxa de 4% ao ano. Posteriormente, o prazo de vencimento foi ampliado para 25 anos. Garantidos os recursos externos, a CVRD deu continuidade, em ritmo mais intenso, às obras desenvolvidas pela Superintendência das Minas de Itabira, que chegaram a empregar, no ano de 1944, cerca de 6 mil trabalhadores.

Apesar disso, nas minas de Itabira, a lavra recém-iniciada se dava por processos rudimentares, sem nenhuma aparelhagem mecânica. O minério ainda era transportado em caminhões até a ponta dos trilhos da EFVM, em Oliveira Castro, a 22 quilômetros da jazida do Cauê. As condições da Vitória a Minas também eram muito precárias; com trilhos desgastados e dormentes praticamente imprestáveis, a ferrovia não oferecia segurança de tráfego para os trens de mercadorias e de passageiros, tampouco para as composições que carregavam minério de ferro.

O relatório da CVRD de 1943 menciona a ocorrência, naquele ano, de cerca de 100 descarrilamentos mensais, provocados pelo péssimo estado da linha. A Companhia também enfrentava problemas para contratar mão de obra, uma vez que a estrada, com quase 600 quilômetros, atravessava municípios sem estrutura.

Mesmo com todas as adversidades, em agosto de 1943 – quatro décadas após o começo da construção da ferrovia –, os trilhos da EFVM chegaram finalmente até Itabira, iniciando o carregamento regular de minério na recém-inaugurada estação da cidade. Em outubro seguinte, a firma norte-americana Raymond-Morrison Knudsen do Brasil S.A. foi contratada para administrar os trabalhos na via férrea. Diversas empreiteiras brasileiras foram convocadas para os serviços de terraplenagem.

No plano administrativo, devido à inexistência de prédios e meios de comunicação apropriados em Itabira, a sede permaneceu, durante alguns meses, em Belo Horizonte, nos escritórios da antiga Superintendência das Minas. Por conta dessa situação, a Companhia foi autorizada a transferir provisoriamente sua sede administrativa para o Rio de Janeiro.

Decorrido o primeiro ano de funcionamento da Vale do Rio Doce, as obras de infraestrutura já tinham consumido todo o seu capital. Assim, em assembleia geral extraordinária, realizada em 15 de julho de 1944, os acionistas autorizaram o aumento do capital de 200 para 300 milhões de cruzeiros. Nessa mesma assembleia, a diretoria foi autorizada a lançar 300 milhões de cruzeiros em debêntures.

Da mesma forma, o empréstimo feito junto ao Eximbank (US$ 14 milhões) já se mostrava insuficiente. Necessitando, com urgência, de material ferroviário destinado a reaparelhar a Vitória a Minas devido ao aumento da carga transportada pela ferrovia, a diretoria da CVRD negociou com o banco norte-americano um empréstimo adicional no valor de US$ 5 milhões. Esse montante foi liberado em 1o de março de 1945, depois que o Eximbank viu atendida sua reivindicação de que o Tesouro Nacional brasileiro avalizasse a operação.

Ainda que tenha enfrentado diversos contratempos, os avanços registrados pela CVRD nesses primeiros anos foram significativos. A importação de equipamentos, apesar de ter sofrido atrasos, assegurou certa continuidade operacional. Em meados de 1944, quando foi encerrado o contrato entre a CVRD e a PKBD, os projetos das minas e da ferrovia encontravam-se praticamente prontos, ficando a sua conclusão a cargo da própria diretoria técnica da Vale. O investimento nas obras da EFVM permitiu que, em abril de 1944, o carregamento dos vagões passasse a ser feito junto às minas, aumentando a eficiência do transporte ferroviário e, como consequência, as exportações de minério. Embora muito abaixo da meta prevista de 1,5 milhão de toneladas anuais, as exportações destinadas à Inglaterra, por exemplo, saltaram de 35.406 toneladas, em 1942, para 62.928, em 1943, e 127.194, em 1944. Com o término da Segunda Guerra Mundial e a redução da produção internacional de aço, os embarques de minério diminuíram sensivelmente, e a exportação caiu, em 1945, para 101.694 toneladas.

Se os números da balança comercial oscilavam, os projetos de desenvolvimento na região do Vale do Rio Doce prosseguiam em ascensão. A presença da Companhia na área foi de grande importância, atraindo novos investimentos. No final de 1945, diversas empresas já estavam instaladas no vale, destacando-se a Companhia Ferro e Aço de Vitória, a Companhia Ferro e Aço de Itabira, a Companhia Agro-Pastoril e a Companhia Açucareira do Rio Doce, as duas últimas no município de Governador Valadares (MG).

 

Fonte: Vale 70 anos: Nossa História, 2012
Compilação: Walter de Aguiar Filho, junho/2013



GALERIA:

📷
📷


Portos do ES

Comércio Exterior - Por Arthur Gerhardt (Parte V -Final)

Comércio Exterior - Por Arthur Gerhardt (Parte V -Final)

O executivo está a todo momento atendendo a favores políticos para ter maioria no Congresso e assim privilegiando Estados com grandes bancadas, e nós, no Espírito Santo, estamos cercados deles: Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia para não falar do vizinho nem tão próximo, mas que esta sempre de olho na gente que é São Paulo

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Corredor de Transportes, impulso para crescer

Corredor de Transportes, Uma ferrovia, sete portos e uma esperança

Ver Artigo
Novo barão explorou areias monazíticas até em Vitória

As jazidas com maior atividade ficavam em Carapebus, na Serra, mas também há registros de retirada de areia em Vitória

Ver Artigo
A dupla do milagre - Christiano Dias e Arthur Gerhardt

Seja quem for o pai do Espírito Santo moderno, Arthur e Christiano formaram uma dupla de sucesso nos primeiros momentos da Revolução de 1964

Ver Artigo
Dos trilhos para o mundo (Tradução para o inglês)

A história da ferrovia Vitória à Minas já estava essencialmente atada a CVRD quando dos quadros da ferrovia ascendeu para a presidência da empresa o engenheiro Eliezer Batista

Ver Artigo
A queda do Porto de São Mateus – Por Fernando Schwab Firme

Projetos não são problemas e sim a definição de sua utilidade e sua elaboração em resposta a uma demanda efetiva

Ver Artigo