Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Padre José de Anchieta - O Milagre do Poço em Reritiba

Padre José de Anchieta - O Milagre do Poço em Reritiba

O POÇO DE ANCHIETA  

 

A presença de Anchieta

No domínio capixaba

É força que não mitiga,

Castelo que não desaba,

Poema que não se esquece,

Planta que nunca fenece,

Não começa e nem se acaba.

 

O venerável apóstolo

Foi dos índios defensor,

Junto a Frei Pedro Palácios,

Tornando-se o pregador

Das mais bonitas lições,

Elevando os corações

Na religião do amor.

 

Notícias de seus milagres

Espalhavam-se afinal,

Atravessavam o Atlântico,

Chegavam a Portugal.

Seu nome tornou-se emblema,

A sua vida um poema

De beleza sem igual.

 

Na praia de Benevente,

Um poço guarda a lembrança

De um tempo em que se esvaía

Do povo toda a esperança.

A lenda que aqui se escreve

Mostrará, de forma breve,

Um Brasil inda criança.

 

Dos lados de Reritiba

Uma seca prolongada

Deixou a população

Local bastante assustada.

Fontes e bicas secavam,

Águas dos rios minguavam,

Não restava quase nada.

 

Animais se deslocavam

Buscando sobreviver

O povo desesperado,

Sem ter a quem recorrer,

Pedia numa oração

- Meu  Deus, manda a salvação,

Não nos deixa assim morrer!

 

Alguém então se lembrou:

- E se fôssemos pedir

Ao venerando Anchieta?

Ele, querendo intervir,

Rogará a Deus do Céu

Pelo fim desse escarcéu -

Voltaremos a sorrir.

 

A comitiva seguiu

Pela mata ressequida

Em busca do santo padre,

Temendo perder a vida.

Anchieta os recebeu

E logo compreendeu

Aquela gente sofrida.

 

Alguém pediu: - Dá-me água!

Meu bom pai, tem piedade.

Anchieta disse: - Filho,

Digo, e não falto à verdade,

 Só Deus do céu tem poder

Para aqui satisfazer

Do povo pobre a vontade.

 

Dizendo isso fez aceno

Para a grande multidão.

Bradou: - Peçamos agora

Em fervorosa oração

Que o céu venha nos remir,

Faça por terra cair

A causa dessa aflição.

 

A multidão, quando ouviu

O santo falar aquilo,

Notou que ele se mostrava

Tão sereno e tão tranqüilo,

 Em prece tão enlevada,

Que até mesmo a passarada

Se aproximava para ouvi-lo.

 

E como Moisés fizera

Com os hebreus no deserto,

Anchieta ergue o cajado

Desferindo um golpe certo,

Vencendo a cruel secura,

Da terra brota água pura

No poço que foi aberto.

 

Como a hedionda lagarta

Se transforma em borboleta,

A tristeza foi-se embora,

Qual passageiro cometa.

E a multidão que chorava

Louvando a Deus caminhava

Rumo ao Poço de Anchieta.

 

Autor: Marco Haurélio
Fonte: Lendas do Folclore Capixaba, 2009
Ilustrações: Eduardo Azevedo
Revisão: Varneci Nascimento
Coordenação: Francisco Aurélio Ribeiro
Capa: Adriana Ortiz e Klévisson Vianna
Editoração Eletrônica: ONPAGE Produções Gráficas Ltda
Editora Nova Alexandria, São Paulo – fone: (11) 2215-6252 - E-mail: novaalexandria@novaalexandria.com.br
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2014 



GALERIA:

📷
📷


Religiosos do ES

As pretensões dos Padres da Companhia pelo Convento

As pretensões dos Padres da Companhia pelo Convento

Só sabemos por Jaboatão, que teve conhecimento dos autos, que os Jesuítas negavam o direito dos Franciscanos, alegando o voto de pobreza

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

E o Ururau zarpou...

Com lenços e lágrimas, famílias desesperadas acenaram para os homens da província que foram sequestrados dois dias antes, durante a procissão de Corpus Christ nas ruas da cidade

Ver Artigo
Cronologia do Convento da Penha

Cronologia da história do Convento da Penha

Ver Artigo
A Construção do Convento da Penha (Parte II)

JABOATÃO não especifica o dia do lançamento da pedra fundamental; mas parece que já foi em fins do ano, pois em meados de 1652

Ver Artigo
A Construção do Convento da Penha (Parte I)

No ano imediato de 1651 o Custódio Frei Sebastião do Espírito Santo lançou a pedra fundamental nos alicerces

Ver Artigo
A Construção do Convento da Penha (Parte III)

Em1653, o Convento ainda não acabado recebeu de D. João IV uma ordinária do Rei

Ver Artigo