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Patrimônio Cachoeirense - Por Gabriel Bittencourt

Igreja Senhor dos Passos, década de 1940

A cidade de Cachoeiro de Itapemirim, assentada às margens do rio Itapemirim, teve sua freguesia criada em 1856, pela lei provincial nº 11 de junho daquele ano, sob a denominação de "Paróquia de São Pedro das Cachoeiras do Itapemirim". O primeiro vigário encomendado da nova freguesia, padre Francisco de Assis Pereira Gomes, ali chegou em 1859, pouco se demorando, permanecendo somente até 1861.

Elevada a categoria de vila a 23 de novembro de 1864, instalada sua primeira Câmara Municipal a 25 de março de 1867 e criada a Comarca a 16 de novembro de 1876, não possuía ainda naquela ocasião uma igreja à altura da religiosidade de sua gente e das condições sócio-econômicas da população.

Mais importante centro produtor de café do sul da então Província do Espírito Santo, seu primeiro templo católico só foi construído em 1863 pelo fazendeiro português Antônio Francisco Moreira. Dedicado ao culto do Espírito Santo, serviu de matriz por longo período.

Atendendo aos reclamos da Câmara Municipal, lamentavelmente, o governo provincial fez demolir aquele patrimônio histórico para reconstrução de uma nova igreja no mesmo local, o que jamais se efetivou.

Posteriormente, construiu-se no então denominado largo de São João, às expensas da população, a capela de São João, também desaparecida para atender a melhoramentos urbanos.

A única igreja do século XIX ainda existente na Cidade, portanto, é a do Senhor dos Passos, que recebeu as antigas imagens da primitiva matriz supracitada desaparecida em setembro de 1884.

Não se conhece a data da fundação da igreja Senhor dos Passos, apenas se sabe que foi construída pelo fazendeiro Capitão Francisco de Souza Monteiro, (pai do ex-presidente do Estado Jerônimo Monteiro) destinada ao uso de sua família. Ampliada algum tempo depois, com suas obras concluídas em janeiro de 1882, foi a igreja entregue à paróquia a 10 de fevereiro do ano seguinte, com a bênção de alguns missionários que ali se encontravam na ocasião.

Esta igreja permaneceu durante muito tempo como a única opção do ofício do culto católico na Terra do Itabira. Nela oficiou o bispo D. Pedro Maria de Lacerda, quando lá esteve a 2 de março de 1886. Seu edifício encerra o que de mais marcante ainda existe da arquitetura e arte religiosa locais, devendo, por consequência, ser protegida e preservada para as futuras gerações de cachoeirenses. Por isso invocamos a lei estadual nº 2947/74 e solicitamos do egrégio Conselho Estadual de Cultura do Estado do Espírito Santo o tombamento deste significativo patrimônio histórico espírito-santense.

As coisas tombadas, isto é, inscritas no Livro de Tombo de Patrimônio Histórico e Artístico Estadual, embora permaneçam no domínio e posse de seus proprietários, não poderão, em caso algum, ser demolidas, destruídas ou mutiladas, nem sem prévia autorização especial, reparadas, pintadas ou restauradas, evitando-se, assim, sua descaracterização.

A sensibilidade dos cachoeirenses, posta à prova quando repudiou, há alguns anos, a destruição de sua velha ponte municipal de ferro e madeira, tão sólida, que ainda conserva os velhos pilares construídos em 1887, certamente apoia esta iniciativa.

A Gazeta — (Vitória) 12 de abril de 1984.

 

Fonte: Notícias do Espírito Santo, Livraria Editora Catedra, Rio de Janeiro - 1989
Autor: Gabriel Bittencourt
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2020

 

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