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Pedro Nolasco (Tradução para o inglês)

Pedro Nolasco - Foto: Acervo Museu/Vale ES

O engenheiro Pedro Augusto Nolasco Pereira da Cunha é indiscutivelmente um dos grandes empreendedores de sua geração, que ajudou a desenvolver o Brasil por meio de suas ações nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, no que hoje é Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo e também na Argentina.

Nasceu em 1865 e pouco se sabe sobre sua vida pessoal e o que há se refere aos seus empreendimentos que são uma importante referencia a respeito do pensamento sobre o desenvolvimento de infra-estrutura no Brasil do final do século 19 e ínicio do século 20, quando se buscava abrir vias de acesso de comunicação com o interior.

Começou sua vida profissional na construção do ramal Poços de Caldas na ferrovia Mogiana e dali para frente esteve envolvido como engenheiro e empreiteiro na construção das obras. Realizou diversos negócios em parceria com seu sogro, o cafeicultor Visconde de Sapucahy, e com João Teixeira Soares, dentre elas a Noroeste do Brasil, a Vitória a Minas, a Companhia Norte do Paraná e a retificação do rio Sena, em Paris.

Seus negócios eram em diversos setores. Ele atuou em 11 projetos ferroviários, fundou o Banco do Rio de Janeiro; teve duas indústrias; realizou 4 grandes obras de saneamento; atuou no setor de seguro de vida; realizou 4 projetos portuários; teve uma empresa de telecomunicação; organizou a Companhia Norte do Paraná. Todavia, o grande negócio de sua carreira foi a Companhia Estrada de Ferro Vitoria a Minas.

Em 1890, logo após a proclamação da República, o governo deu ao Banco Constructor do Brazil, a permissão para a construção de algumas ferrovias, que ligariam o estado da Bahia ao de Minas Gerais e outra concessão que dava permissão para construir uma ferrovia ligando a cidade de Vitória (ES) a de Peçanha (MG), assim o Engenheiro Pedro Nolasco foi contratado.

Uma série de conjunções levaram o Banco Constructor a falência, que em um acordo, deu como pagamento ao engenheiro 52 mil ações da Companhia Peçanha ao Araxá. Para não perder novamente o dinheiro, Pedro Nolasco buscou recursos para viabilizar a construção da ferrovia, criando a Companhia Estrada de Ferro Vitória a Diamantina, em julho de 1901.

Apesar de todas as pressões políticas a Companhia Estrada de Ferro Vitoria a Diamantina começou a negociar as suas ações na bolsa de valores, o que ocasionava maior liquidez dos papéis para os investidores. Em 30 de marco de 1903 iniciaram-se as obras de construção da linha.

Com o tempo, Pedro Nolasco tornou-se uma pessoa bem relacionada no Brasil e fora dele, afinal, as ações da ferrovia eram negociadas na Franca e na Praça de Amsterdã. Além dos negócios, Nolasco escreveu três obras sobre seus trabalhos e o destaque fica para a publicada no ano de 1928, quando se afastou de suas atividades. Assis Chateaubriand, um de seus amigos, cita uma fala do engenheiro sobre este momento: "Você sabe que não tenho razões de ordem pessoal para simpatizar com o Sr. Getulio Vargas. No seu governo, quase todas as empresas que fundei ou ajudei a fundar foram atrozmente perseguidas. Tem sido a revolução [de 1930] uma inimiga de tudo quanto criei. Afastado da vida ativa, fora de qualquer co-participação nos negócios da empresa que incorporei (...)". Ele faleceu na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1935, aos 70 anos de idade.

 

Pedro Nolasco

 

Engineer Augusto Pedro Nolasco da Cunha was born in 1865. Little is known of his personal life, and what is known is in relation to his undertakings. These explain not the man, but rather are an important source to explain Brazilian thinking on infrastructure development in the decades before and after the turn of the 20th century. At that time, the country strove to open lines of communication to access the interior. His works in the states of Sao Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Parana, Espirito Santo and also in Argentina, place him among those who helped develop the country throught their businesses.

Pedro Nolasco's career began in the construction of the Pocos de Caldas extension to the Mogiana Railroad, and from there on he was involved as the engineer in charge of studies and/or the contractor building the works. He went into a number of businesses along with his father-in-law, the coffee planter Viscount of Sapucahy, and also along with Joao Teixeira Soares who worked him in shared projects, among them the Noroeste do Brasil and Vitoria a Minas railroads, the Companhia Norte do Parana real estate developer and the straightening of the River Seine in Paris.

His businesses were in different areas. He worked in eleven rail projects, founded the Bank of Rio de Janeiro; owned two industrial firms; undertook four major sanitation projects; worked in the life insurance business; built four port projects; had a telecommunications company; and organized the Companhia Norte do Parana. However, the largest business of his career was the Companhia Estrada de Ferro Vitoria a Minas railroad.

In 1890, soon after the proclamation of the Republic, a commission was formed to draw up the means of controlling Brazil's transportation links. Permission had already been granted for the construction of some railroads which would connect the states of Bahia and Minas Gerais, and another concession gave permission to build a railroad joining the cities of Vit6ria (ES) and Pecanha (MG). The government gave the latter authorization to Banco Constructor do Brasil, which in turn hired engineer Pedro Nolasco.

A series of factors took Banco Constructor to bankruptcy, and in a settlement with the engineer he received 52,000 shares of the Pecanha ao Araxa Railroad. In order to not lose his money again, Pedro Nolasco raised funds to build the railroad. After reorganization to meet the investors' demands, the Estrada de Ferro Vitoria a Diamantina railroad company was formed in July 1901.

Despite all the political pressures Vitoria a Diamantina Railroad began trading its shares on the stock exchange, which made the stock more liquid for investors. On March 30, 1903 construction of the line began.

Over time, Pedro Nolasco became a well-connected person in Brazil and abroad, after all, the railroad's stock was traded in France and on the Amsterdam exchange. Besides his businesses, Nolasco wrote three books on his work and the highlight is the one published in 1928, when he retired. Press magnate Assis Chateaubriand, one of his friends, quotes a phrase of the engineer on this moment: "You know that I do not have personal reasons to like Mr. Gettilio Vargas. In his government, almost all companies I founded or helped to found were atrociously persecuted. The revolution (of 1930) has been an enemy of all that I created. Retired from active life, divested of any remaining investment in the company I incorporated (...)". He died in the city of Rio de Janeiro in 1935, at the age of seventy.

 

 

Fonte: Estrada de Ferro – Vitória à Minas – Rio Doce... Terra proibida, ano 2010
Autor: Cassius Gonçalves e Vito D’ Alessio
Tradução: Richard Pedicini
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2015

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