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Pedro Palácios, o São Francisco de Assis do Brasil

Nossa Senhora das Alegrias - Artista: Marco Polo, 2005

Frei Pedro Palácios desembarcou na vila do Espírito Santo em dia e mês ignorados do ano de 1558. Fundador do santuário de Nossa Senhora da Penha, seu nome recorda as doces figuras dos ermitões de outrora, que praticavam com os brutos e faziam da caridade e da oração os únicos motivos da existência. É o São Francisco de Assis do Brasil. Natural de Medina do Rio Seco, proximidades de Salamanca, tomou o hábito franciscano em Espanha, transferindo-se depois para Portugal.

Simples irmão leigo, conseguiu de seu superior licença para se transportar ao Brasil, fazendo-o em 1558 como passageiro de um navio que tomou porto na vila do Espírito Santo. Frei Basílio Röwer, traçando-lhe a biografia, diz que frei Palácios – era este seu constante apelido – “acariciava o desejo de, longe do convívio humano, viver uma vida toda solitária em oração e penitência”.(18)

Durante doze anos, pregou a religião de Cristo para a gente do Espírito Santo e Vitória, excursionando algumas vezes pelas proximidades, em visita às aldeias do gentio. Para abrigar um painel de Nossa Senhora e o Menino,(19) que trouxera da Europa, levantou uma ermida, mais tarde ampliada no santuário atual.(20)

 

NOTAS

(18) - RÖWER, O Convento, 14.

– GOMES NETO, sem indicar a origem da informação, afirmou: “Tendo notícia de que no porto da capital do Reino aprestava-se um navio para a América portuguesa, deu-se pressa em falar ao capitão, e, obtida a licença do seu prelado, frei Daniel da Torre, tomou passagem para a Capitania de Pero do Campo Tourinho. Lá em Porto Seguro soubera que na do Vasco Coutinho não havia nem um missionário da sua religião; por isso lá demorou-se somente enquanto não houve transporte para aqui” (As Maravilhas, 36).

(19) - O autor d’As Maravilhas da Penha atribuía a autoria da tela a Ticiano. E justificava-se:

“Contemplando-se a pureza das linhas, o vigor das cores, a expressão de beleza e a graça celeste do retrato, ninguém deixará de concordar que, se não é o fruto do gênio de Ticiano, a quem se atribui, deve ter sido o do talento de Leonardo da Vinci, de Miguel Ângelo, de Rafael Sanzio, de Corregio, ou finalmente de Paulo Veroneze, os quais, como aquele, foram insignes na pintura da Virgem. Nunca excedido nos retratos, e o primeiro dos coloristas, Ticiano, cuja fecundidade não foi menos prodigiosa do que o seu talento, além de numerosos quadros profanos deixou magníficos painéis de história sacra, como A Santa Ceia, A Flagelação de Jesus, A Assunção, A Morte de S. Pedro Mártir, S. Jerônimo no Deserto, O Martírio de S. Lourenço, Uma Madalena etc.

É verdade que também dos outros grandes pintores ficaram quadros da Virgem da Penha (rocher), da Virgem e do Menino Jesus, da Virgem Maria, inapreciáveis pela graça e perfeição das linhas, e pela vivacidade do colorido.

É crível que este, de que tratamos, seja o da Virgem com o Menino, um dos belos produtos da imaginação e do pincel do célebre veneziano, perdidos na Espanha; até porque de lá veio este painel” (GOMES NETO, op. cit., 272-3).

– Os processos modernos de identificação de peças de arte permitem afirmar, sem sombra de dúvida, que o painel da Virgem da Penha é trabalho de artista modesto. Inadmissível, atualmente, a hipótese imaginada por Gomes Neto.

(20) - Na obra já citada de frei BASÍLIO RÖWER, p. 12 e seguintes, autorizada biografia de frei Palácios e copiosa informação bibliográfica sobre vida e obras do ermitão.

– Sobre o convento, escreveu GOMES NETO: “Geralmente ignorando-se o princípio da igreja e do convento da Penha, supõe-se ter sido obra de frei Pedro de Palácios: algumas pessoas pensam terem sido os autores os padres da Companhia! Erro e mais erro. O templo e o recolhimento foram edificados depois de 1591, isto é, pelo menos dezesseis anos depois do falecimento do venerável leigo. Foram os seus fundadores os religiosos da ordem seráfica, conforme consta de um extrato do livro do tombo dos bens franciscanos, o qual livro tem a era de 1786” (As Maravilhas, 43)

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, maio/2017

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