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Por que ler os autores capixabas?

A I Feira Capixaba do Livro, que será realizada de 15 a 18 deste mês, na Praça do Papa, é uma excelente oportunidade para conhecer melhor a literatura feita no Estado

A literatura feita por capixabas ou no Estado precisa ser mais conhecida por várias razões. A primeira delas é porque tem qualidade e nossos melhores escritores são tão bons quanto quaisquer outros autores brasileiros ou estrangeiros. A segunda é porque, lendo os autores capixabas, conhecemos melhor a nossa cultura, nossa formação histórica e reforçamos nossa identidade.

O Espírito Santo tem realidades específicas, se compararmos sua transformação histórica do século XVI, quando surge como unidade política, ao século XXI. No primeiro século de colonização, nasceu como capitania promissora, a “mais bem dotada de todas as da terra”, conforme Gandavo, um “Vilão Farto”, segundo seu primeiro donatário, Vasco Fernandes Coutinho. Aqui, o aparelho ideológico dos jesuítas criou as bases da cultura capixaba, com a catequização dos nativos.

A exploração da madeira nativa, até sua quase extinção, no século XX, do açúcar, em que foi necessária a mão-de-obra escrava de origem africana, e a busca ininterrupta das riquezas minerais formaram os alicerces da capitania dos Coutinho. Do século XVII ao XIX, por 300 anos, o Espírito Santo serviu de escudo natural de proteção às riquezas das Minas Gerais, o que permitiu a existência de inúmeros grupos indígenas nas matas nativas, até o final do século XIX, quando se incentivou a imigração de colonos europeus e asiáticos, para as terras antes ocupadas pelos silvícolas.

O Espírito Santo, a partir do século XIX, torna-se um caldeirão étnico, com uma diversidade cultural inexistente em qualquer Estado brasileiro, alicerçado na cultura do café, base de sua economia por mais de cem anos. A maior parte da população capixaba nunca estudou a história do Espírito Santo, nada sabe de seus personagens e de seus atores históricos, pouco participa da cultura local.

Hoje, temos uma grande produção de livros de autores capixabas, tanto na Grande Vitória quanto nos centros regionais, Cachoeiro, Colatina e municípios. Há leis de incentivo à cultura que funcionam bem em Vitória, Cachoeiro, Serra, Cariacica e Vila Velha, o que proporcionou uma grande produção de livros. Calculo que, atualmente, exista uma publicação anual em torno de 300 títulos, dentre ficção, memória, poesia e informativos.

Em Vitória, temos lançamento de livro quase todo dia. No entanto, o grande problema é que esses livros não circulam e não chegam ao seu destinatário, o leitor. Existem poucas livrarias e pontos de venda que aceitam comercializar esses livros. As grandes livrarias que funcionam nos shoppings não comercializam livros de autores capixabas. Não existe nenhum espaço de venda em rodoviárias, aeroportos ou pontos turísticos. Enfim, o escritor capixaba escreve para os amigos, para familiares e pouca gente mais.

O que agrava o problema é que, há quase oitos anos, o governo estadual não compra livros de grandes autores capixabas para as escolas. O governo federal só compra os livros de grandes editoras ou das que vencem suas licitações e nenhuma é capixaba. As prefeituras municipais mal têm verba para manter suas escolas e a maioria não tem biblioteca. Se tiver, essa não possui bibliotecário. Acervo atualizado nem pensar, mesmo em prefeituras consideradas ricas, como a de Vitória. Por tudo isso, surge em boa hora a I Feira Capixaba do Livro, a ocorrer de 15 a 18 de maio deste mês, na Praça do Papa. É uma excelente oportunidade para que todos conheçam melhor a literatura feita em nosso Estado.

 

Fonte: Jornal A GAZETA de 03/05/2014
Autor: Francisco Aurélio Ribeiro

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