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Porto de Vila Velha

No final do século XX começaram a falar de porto de Vila Velha, referindo-se aos cais pelos lados de Paul, que passaram a existir a partir do cais de Argolas.

Por ali vê-se em fotos antigas, que a Estrada de Ferro Vitória a Minas desembarcava seus insumos e justamente nas proximidades, construiu a estação de Diamantina, depois Pedro Nolasco e hoje Museu Ferroviário.

Com a criação da CVRD em 1942, para incrementar exportações pelo cais de Vitória, o Governo do Estado construiu por volta de 1945 o ramal ferroviário, acessando o Porto de Vitória pela ponte Florentino Avidos. Os primeiros carregamentos de minério de ferro haviam sido feito por lá, só que transbordavam minério para caminhões que levavam para a ilha.

A seguir, a CVRD construiu o caís de Atalaia, o Pela Macaco, grandiosa obra, que constava até no selo fiscal do Governo do Estado.

Nos anos seguintes veio o "Cais da Usiminas" mais perto de Paul, usado na importação de carvão de pedra.

Nessa época já funcionava o terminal de combustível.

Depois veio a época da esteira transportadora e os viradores de vagões de minério em Paul, quando a CVRD teve que paralisar o uso do paredão do Pela Macaco.

Nos anos 70 surgiu o cais de Capuaba; e olha, tudo em Vila Velha.

Nos anos 90 surgiu o terminal particular no saco do Aribiri logo depois da pedra dos ovos junto ao Penedo.

Com os arrendamentos de trechos de cais pelo lado de Vila Velha, a partir do final do século XX é que voltaram a falar de porto de Vila Velha. Contudo desde o ínicio da colonização que Vila Velha tinha um portinho na Prainha, que tanto assim piratas chegaram a tomá-lo ainda que por curtíssimo tempo.

Nessa época porto era um ponto com algum aterro de pedras que possibilitava algum atracamento que facilitava o transbordo de cargas.

Esse porto de Vila Velha, acredito que existiu onde havia um fortim para protege-lo na Prainha, mais ou menos em frente do bar do Bereco, onde depois, muito depois surgiu o célebre barraco que só foi removido no mandato de Max Filho.

Junto a atual guarita do 38º BI existiu até outubro de 1960 o cais dos padres, que fora construído para receber os materias de construção que edificaram o Convento a partir de 1651, quando teve seu início.

Esse cais tinha um pequeno depósito, onde os padres guardavam utensílios para a navegação com canoas que utilizavam para ir e vir pela baía de Vitória.

Diga-se de passagem, que tais portinhos haviam diversos na baía de Vitória, como o de Santana na foz do rio Itacibá em Cariacica, Velho junto a foz do Rio, e em Vitória um deles era o cais São Francisco, justamente um portinho para uso do convento de São Francisco em Vitória.

Tal cais ficava próximo onde é hoje o Centro de Saúde do Parque Moscoso.

O cais dos padres da Prainha, com a decadência do que onde havia junto ao fortim, foi ficando o mais importante.

O do fortim foi aproveitado suas ruínas e construídas duas casas em cima, que Antonio Ataíde cita em seu relatório e conseguiu demolir, já que inclusive o esgoto jogava direto na Prainha.Temos foto desses imóveis.

Então o cais dos Padres era usado por visitantes que se dirigiam tanto ao Convento como à municipalidade de Vila Velha. Tanto assim ali desembarcou em 1860 a comitiva de D.Pedro II quando aqui visitou. André Carloni imortalizou tal cais com gravura que fez a respeito. Afonso Pena e Arthur Bernardes também ali desembarcaram.

Com o surgimento do automobilismo e o fim das lanchas que faziam travessia para Vitória, logo depois da inauguração da linha de bonde em 1912, tal cais ficou para uso dos pescadores, e os franciscanos quando muito citam em livro histórico que houve um esbulho da referida benfeitoria, e que não houve jeito de tirar-se alguma indenização.

Com o aterro da colônia de pescadores de Inhoá (para construir a EAMES), o cais dos padres ficou sob uso mais intenso, e desde essa época não tinha mais o depósito sobre ele.

Nos anos 50 havia então o cais dos Padres à direita, e à esquerda o Cais de Dona Celeste, (esposa de Anselmo Cruz, português que foi dono de imóvel junto a entrada principal da EAMES).

Em meados dos anos 50 a Administração do Porto de Vitória conseguiu que fosse feita uma batimetria na enseada da Prainha, e idealizaram aproveitar a linha de bonde, para interligar com a Linha de Leopoldina e com a da Vitória a Minas, e construir-se um cais para navios de carga entre o cais de Dona Celeste e o cais dos Padres, o que acabaria de vez com a Prainha.

Nessa época o que o DNPVN fez foi do cais de saneamento da Prainha, de Vila Velha, o paredão que o velho Sr. Mota construiu em alvenaria de Pedra.

Chamava-se assim a semelhança do que fora feito em Vitória, na esplanada capixaba, demitando o mar, de tal forma que parassem de jogar entulho e lixo por ali, dando uma visão mais saneada para a capital capixaba, que 
foi completada com um aterro hidráulico.

O paredão durou até meados de outubro de 1960 quando a Administração do Porto de Vitória, dragando o canal (draga Ster) jogou areia por ali, engolindo-o parcialmente, inciando o grande aterro da Prainha, quando em página interna do Jornal A Gazeta, trouxe matéria com o título:Acabaram com a Praia de Frei Pedro Palácios. A história é longa até chegarmos a proposta atual de dotar Vila Velha de um porto que seria de passageiros e para belonaves.

Com isso no programa de revitalização do Parque da Prainha proposto no início deste ano (2009), haveria o seguinte programa:

- cais para belonaves e visitações.
- cais para cruzeiros de grande porte que não entram até ao cais de Vitória.
- cais para embarcações de recreio e para pesca tradicional de pequeno porte.
- cais para o sistema aquaviário de transporte público remunerado de passageiros.

Assim Vila Velha teria uma grandiosa e magnifíca estrututra portuária, pertinho da área urbana, e com ela integrada, tendo ainda adjacentes:

- eixo esportivo, com duas quadras de futebol de salão, um cancha de bocha, um campinho de futebol de areia
- eixo histórico para lazer contemplativo, com monumentos e uma réplica da caravela Glória.
- eixo de utilidades, com terminal aquaviário, peixaria, lojinhas, etc.
- uma bateria de balanços e similares, para lazer das crianças.
- estacionamento de veículos e ônibus, em magnífica esplanada para uso também em grandes eventos e feiras.

Coroando tudo isso haveria a escavação e resgate do cais dos padres para ficar àvista (está um metro do piso perto do atual rink de patinação), e até se for o caso do fortim.

Fonte: Roberto Brochado Abreu. Membro da Casa da Memória de Vila Velha. (16/05/2009)

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