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Povoamento do ES

Bandeira do Espírito Santo

No período colonial o povoamento do Espírito Santo ficou limitado ao litoral. Os lugares mais afastados do mar eram São Mateus e Linhares.

No século XIX, o interior do ES ainda era coberto de matas virgens. No rio Doce foram instalados quartéis militares para a defesa dos colonos. Eram, na verdade, simples postos onde alguns soldados tinham a missão de enfrentar os botocudos, usando muitos deles o gibão d'armas, colete de couro que servia para reter as flechas indígenas.

No começo daquele século, no governo de Fracisco Alberto Rubim, foi criada uma colônia de açorianos no sertão do rio Santo Agostinho, afluente do Jucu, a apenas 18 quilômetros de Vitória. Deu origem a Viana, cujo nome homenageia o intendente de polícia, espécie de ministro, do governo de D. João, Paulo Fernandes Viana, tio do governador Rubim.

Ainda no começo do século XIX, a chegada, no vale do rio Itapemirim, dos plantadores de café vindos de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, e, mais tarde, na metade do século, dos imigrantes europeus estabelecidos na região central e de montanhas do nosso território, provocou o povoamento dessas áreas.

A partir da abertura da Estrada de Ferro Vitória a Minas, já no século XX, e depois da inauguração da ponte sobre o rio Doce, em Colatina, no governo de Florentino Avidos (1924 - 1928), teve início a ocupação das terras ao norte desse rio.

Mesmo assim, o povoamento da região, onde dominavam as florestas e não existiam estradas, somente se completaria na metade do século XX. Em 1940, ainda se constatava a presença de botocudos na região, assistidos pelos postos do Serviço de Proteção ao Índio, em Colatina e Pancas.

Em linhas gerais, pode-se dizer que o povoamento do norte do Estado se deu da seguinte forma: para o extremo norte foram os baianos, que ocuparam as áreas de Pedro Canário, Montanha, Pinheiros e Mucurici; para oeste, dirigiram-se principalmente mineiros da vale do rio Doce, ocupando Barra de São Francisco, Ecoporanga e Mantenópolis; para o centro, os descendentes de italianos formaram São Gabriel da Palha e Rio Bananal, os poloneses fundaram Águia Branca e os descendentes de pomeranos fundaram Vila Valério e Vila Pavão.

A derrubada das matas para a extração de madeiras, o plantio do café e a pecuária foram os motivos que orientaram essas linhas de penetração e povoamento.

 

Fonte: Espírito Santo: Nossa história, Nossa gente, Vitória/1997
Autor: Luiz Guilherme Santos Neves/ Léa Brigida R. de Alvarenga Rosa/ Renato José Costa Pacheco
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2011

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