Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Praia do Suá, tipos populares - Por José Carlos Mattedi

Como em qualquer bairro, a Praia do Suá, em quase cem anos de existência, também tem seus personagens típicos, ou populares. Alguns deles, como Tal Mendes (Astrogildo Mendes Filho) e João Varanda (João Rodrigues Pereira), devem ser citados como figuras ilustres, pelo tanto que fizeram pela comunidade praiana. O primeiro, falecido em 1956, era colunista social e pessoa querida no Suá, onde costumava organizar festas animadíssimas com muita dança e música. Já o português João Varanda é tido como uma "relíquia viva" do bairro. Aos 90 anos, veio para o Brasil aos 17 anos, sendo o último pescador da antiga geração. Deixou de ir para o mar há dez anos, e por lá deixou também parte de sua vida e história. Mas está feliz: "Terra melhor que essa não tem. A cachaça é muito boa".

Outros personagens, porém, marcaram passagem pela Praia do Suá devido aos seus trejeitos ou manias, ou por causa de alguma particularidade física, que os tornaram populares entre os moradores. Abaixo, alguns deles — todos falecidos:

Maria Sapeba - Açougueiro espirituoso que gostava de botar apelido nos outros. Dizem que levou um tiro na cabeça de raspão, e a bala atravessou até sair pela boca, deixando-a torta. A alcunha vem daí: Sapeba é o nome de um peixe de boca torta.

Miss Taruíra - Bebia muito e era bem magricela, por isso o apelido. A molecada mexia com ela, que respondia xingando ou jogando pedra. Quando sóbria, demonstrava enorme conhecimento. Era professora.

Helena Garguelo - Filha de Miss Taruíra. Tentou o suicídio com fogo, e como falhou em seu ato, teve o corpo queimado do pescoço para baixo, só ficando o "Garguelo".

Pneu Furado - A perna curta, que o fazia andar em "altos e baixos", rendeu-lhe gozações. Seu nome era Cícero. Bem humorado, dava risadas quando mexiam consigo.

Miss Mundo - Por ser muito gorda — dizem que tinha quase 200 quilos — não passava desapercebida. Morava em casas abandonadas. Certa vez chegou a tentar o suicídio nas águas do Suá devido a uma desilusão amorosa — recuou quando a água atingiu o seu queixo.

Deixa que Eu Chuto - Tinha uma perna defeituosa, e por isso mancava. Como não sentia firmeza no andar, costumava trocar as pernas, o que lhe valeu o apelido. Era negra e mendiga. Se bebia, corria atrás dos moleques que a atormentavam.

 

Fonte: Praia do Suá – Coleção Elmo Elton nº 9 – Projeto Adelpho Poli Monjardim, 2002 – Secretaria Municipal de Vitória, ES
Prefeito Municipal: Luiz Paulo Vellozo Lucas
Secretária de Cultura: Luciana Vellozo Santos
Subsecretária de Cultura: Joca Simonetti
Administradora da Biblioteca Adelpho Poli Monjardim: Lígia Mª Mello Nagato
Conselho Editorial: Adilson Vilaça, Condebaldes de Menezes Borges, Joca Simonetti, Elizete Terezinha Caser Rocha, Lígia Mª Mello Nagato e Lourdes Badke Ferreira
Editor: Adilson Vilaça
Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica: Cristina Xavier
Revisão: Djalma Vazzoler
Impressão: Gráfica Sodré
Texto: José Carlos Mattedi
Fotos: Raquel Lucena
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2020

Bairros e Ruas

Rua Professor Baltazar (ex-ladeira da Várzea)

Rua Professor Baltazar (ex-ladeira da Várzea)

Rescala, pintor de talento, expondo em Vitória em 1938, teve a oportunidade de retratar fielmente a ladeira, estando esse seu trabalho no Palácio Anchieta

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Praça João Clímaco (ex-praça Afonso Brás) – Por Elmo Elton

Em 1910, Jerônimo Monteiro, quando o logradouro tinha o terreno inclinado, para aplainá-lo, construiu-se um muro de arrimo, coroado por balaustrada, fronteiro à atual Rua Nestor Gomes

Ver Artigo
Como nasceu a Vitória – Por Areobaldo Lellis

Circundada por montanhas desabitadas, os seus extremos eram ligados, a partir das Pedreiras, hoje Barão Monjardim

Ver Artigo
Rua 13 de Maio (ex-rua do Piolho) – Por Elmo Elton

Esse caminho, sinuoso passou a ser a Rua do Piolho, que, já neste século, trocaria de nome para rua Treze de Maio

Ver Artigo
Rua 23 de Maio

Era considerada, até os anos 40, como ponto nobre da cidade. Teve belas residências, destacando-se sobretudo a Vila Oscarina, palacete de propriedade de Antenor Guimarães

Ver Artigo
Ponta da Fruta – Por Edward Athayde D’Alcântara

Até os anos 40 era pequena e conhecida ainda como vila de pescadores e era considerada área rural do município

Ver Artigo