Em suas origens, a procissão de São Pedro, na Praia do Suá, saía do altar armado em frente à Colônia dos pescadores. Mais tarde, passou a sair da igreja de São Pedro pela rua Neves Armond e ia em frente até a Colônia dos pescadores, na rua Almirante Tamandaré, onde ocorria uma salva de foguetes. Depois passava pela rua Ferreira Coelho e retornava ao ponto de partida. Alguns anos este trajeto foi aumentado, passando a procissão pela avenida Leitão da Silva e indo até a avenida Cesar Hilal como para delimitar os limites do bairro, numa romaria de fé.
Para a procissão marítima ("quando os barcos foram motorizados é que eles fizeram a procissão marítima" - demarca no tempo o informante Eugênio Rodrigues), armava-se um andor numa baleeira que era seguida por uns trinta barcos que iam da Praia do Suá até Vila Velha, em frente ao Convento de Nossa Senhora da Penha, onde se estendia a rede de São Pedro e os anzóis eram benzidos. A procissão saía das areias da antiga praia do Suá, hoje totalmente aterrada.
Mais tarde, depois do aterro feito no local, a procissão passou a a sair do terminal dos pescadores (no estaleiro do Sr. Varela).
A partir daí, a barca-mãe, seguida de numerosos outros barcos, entrava no canal da baía de Vitória, dirigindo-se até a Ilha do Príncipe, atingindo as Cinco Pontes, donde voltavam, mantendo-se a tradição dos benzimentos dos anzóis em frente ao Convento da Penha. Durante o percurso havia cânticos, em sua maioria religiosos, mas também batucadas. Adotou-se o hábito de premiar as embarcações mais enfeitadas.
Marília de Almeida Neves, viúva de Guilherme Santos Neves, e filha do engenheiro Ceciliano Albel de Almeida, primeiro prefeito de Vitória, recorda-se que, na década de 20, ia assistir à procissão marítima de São Pedro com seu pai. "Ele trabalhava na Estação São Carlos, em Argolas. Nós pegávamos a barca Vi-Minas (da Vitória a Minas), no cais Schimidt (hoje avenida Florentino Avidos), é íamos ao encontro da procissão. Havia muitos barcos enfeitados, como o da firma Antenor Guimarães, e muito foguetório".
Por questão de segurança, a Capitania dos Portos proibiu a procissão marítima por volta de 1985. Seu restabelecimento, graças ao apoio da Prefeitura Municipal de Vitória, deu-se em 1993, com grande regozijo para a comunidade do bairro da Praia do Suá.
Fonte: Festa de São Pedro na Praia do Suá
Autores: Luiz Guilherme Santos Neves/ Renato Pacheco/ Léa Brígida R. de A. Rosa.
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