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Pródromos da Independência Nacional

Monumento do busto de Domingos Martins, ao fundo o antigo Palácio Domingos Martins

O novo governador – Baltasar de Sousa Botelho de Vasconcelos – assumiu o posto a vinte de março de 1820.(1) Seu período de administração coincidiu com o movimento de elaboração da Independência – o mesmo que dizer: agitação ininterrupta, cessação quase completa das atividades propriamente administrativas.

Era a hora em que o nativismo nacional começava a ser rudemente aferroado pelo liberalismo português.(2) Aproximava-se do desfecho a rivalidade entre brasileiros e portugueses – tão agravada pela atitude provocadora dos segundos com a vitória das armas legalistas na Revolução Pernambucana de 1817.(3)

O Espírito Santo, que assistiu horrorizado ao holocausto de um dos seus filhos – Domingos José Martins(4) – naquela tentativa de libertação nacional, não faltou ao grande comício da Independência. Colaborou desde os albores do movimento, ajudando a construir o ambiente que levou D. Pedro ao gesto extremo do Sete de Setembro.

Aqui, como em todo o Brasil, o sentimento nativista inspirou a reivindicação dos postos de comando e governo – em sua quase totalidade entregues aos portugueses – para os filhos da terra. Ao lado, o antagonismo secular das duas facções: emboabas e paulistas, mascates e olindenses, comércio e lavoura.

 

NOTAS

(1) - Governou o Piauí de primeiro de janeiro de 1814 (data de sua posse) até catorze de julho de 1819 (RIHGB, XX. 10-11).

(2) - EUCLIDES DA CUNHA, Da Independência à República, in À Margem da História, 232.

(3) - ROCHA POMBO, HB, VII, 521.

(4) - Domingos José Martins – Filho de Joaquim José Martins e de D. Joana Luisa de Santa Clara Martins, nasceu em Caxangá, hoje Itapemirim, onde seu pai servia como porta bandeira, “no começo do último quartel do século XVIII” (TEIXEIRA DE LACERDA, Domingos José Martins, 558). Mandado à Bahia e Lisboa aprimorar-se nos estudos, passou, depois, à Inglaterra, onde se empregou em uma casa comercial, da qual, mais tarde, se tornou sócio. Regressando ao Brasil, fixou-se no Recife, entregando-se, logo, a uma intensa propaganda dos ideais de liberdade, que sonhava ver praticados em sua pátria. Quando explodiu a Revolução de 1817, Domingos José Martins foi eleito representante do comércio na junta governativa revolucionária – escolha que fala eloqüentemente do prestígio que desfrutava na sociedade pernambucana. Derrotados os rebeldes, Domingos José Martins foi preso e conduzido para a Cidade do Salvador onde, aos doze de junho de 1817, morreu arcabuzado. Estudos sobre Domingos José Martins: Um Vulto de 1817, da autoria de JÔNATAS SERRANO; Domingos José Martins, por MARCÍLIO TEIXEIRA DE LACERDA – ambos na RIHGB, Tomo Especial Consagrado ao Congresso de História Nacional (Parte I). Também a coleção da RIHGES contém numerosos estudos da personalidade de Domingos José Martins, aliás patrono daquele sodalício. – Note-se ainda que Domingos José Martins teve sete irmãos: André, Francisco, Luíza, Maria, Joaquim, Ana e Vitória. O primeiro fez carreira militar e alcançou o posto de tenente-coronel. O segundo dedicou-se ao sacerdócio. Ambos lutaram ao lado do irmão em 1817, sendo que Francisco José Martins foi companheiro de frei Caneca na Confederação do Equador (BAHIENSE, Domingos Martins, 116).

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, dezembro/2017

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