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Produção de açúcar na era Vasco

Engenho real ou rasteiro - Fonte: Livro Vila Velha seu Passado e sua Gente, 2002 Autor: Djairo Gonçalves Lima - Autora: Mônica Mol

Primeiro carregamento – Minucioso relatório a carta de Ambrósio de Meira. Tudo quanto dizia respeito ao interesse da Fazenda Real registrou cuidadosamente. Lá está a parte relativa ao culto: “Dysto [da dízima do pescado] se pagua capelão a Requerimento de pouo por nam ter prouisão de Vossa Alteza e nam querer dizer misa e bautisar e não aver quem ho faça”.

Voltando ao açúcar, agora para informar sobre o preço, diz: “Daquy em diamte que os ofyçiais vão achando ho pulso aos acuqueres sempre valera ho de Vossa Alteza a 300 res arroba e sayra ho bom vendido a 400”.

Depois de citar o número de engenhos em funcionamento e em construção, pondera que “os negocyos nesta terra fazem se de vagar asy por ser lomge do Reyno como por as propiadades das cousas não serem conhecydas”

Não tendo sido ainda nomeado feitor para a capitania,(27) não existia também a casa de feitoria. Ambrósio de Meira recomenda: “Proueja Vossa Alteza com prouisão pera se fazer casa de feytoria ou pera se caregar ho acuquere por que sempre avera no ano de 1546 1000 arrobas moemdo estes engenhos que esperam começar em janeiro”.

Por fim, uma valiosa notícia: “Esta [a carta] vay em huum nauyo darmação de braz telez(28) que he o primeyro que nesta capitaja caregou daçuquere”.

Esplêndido retrato das realizações materiais, em grande parte produto do trabalho dos índios escravizados. O que explica a atitude dos que, em liberdade, passaram a vingadores dos seus irmãos, assaltando engenhos e homens, trazendo o silêncio e a morte aonde o trabalho e o entusiasmo erguiam um baluarte de civilização.(29)

 

NOTAS

(27) - Só a vinte e quatro de fevereiro de 1546 o soberano nomeará Belchior Correia para feitor e almoxarife da capitania. Teria sido tal ato resultado da sugestão de Ambrósio de Meira?

Curioso é que a vinte e seis de fevereiro de 1550, Antônio Cardoso de Barros, “provedormar da Fazenda d’El Rei Nosso Senhor nestas partes do Brasil”, de passagem pela “Villa do Espirito Santo,” “por sentir ser serviço do dito Senhor houve por bem, que nesta Capitania do Espirito Santo haja os Officios de Feitor, e Almoxarife do dito Senhor por delles haver necessidade, e ser serviço de Sua Alteza, e bem da terra, segundo informação, que disso houve, dos quaes encarrego a Francisco de Oliveira morador na dita Capitania por ser apto e confiar delle, que os servirá bem, com os quais não haverá ordenado algum, sómente os proes, e precalços a elles ordenados, e o mais mantimento será aquelle que Sua Alteza houver por seu serviço” (DH, XXXV, 61-2). Esta designação leva à suposição de que Belchior Correia não chegou a exercer o cargo.

(28) - Este Brás Teles deve ser o mesmo Braz Teles de Menezes “cavaleiro da casa do infante D. Luís”, a quem foi concedida, em 1541, uma sesmaria (ver foot-note n.º 10, do capítulo II). Por certo, não é outro o Brás Teles que cedeu um mestre de engenho a Pero de Góis (ver foot-note n.º 2, do capítulo IV).

(29) - De como agiam os colonos em relação ao gentio temos, entre outros, o testemunho de Pero de Góis, donatário de São Tomé. Ele é particularmente expressivo porque tem origem no procedimento de um tal Anrrique Luis, que “sayo da terra de Vasquo Fernandes Coutinho”, embora Varnhagen o diga “pirata da costa” (HG, I, 247). Trata-se da carta de vinte e nove de abril de 1546, datada da Vila da Rainha e endereçada a D. João III. Eis o trecho que interessa: “sayo da terra de Vasquo Fernandes Coutinho hum omem per nome Anrrique Luis com outros e em hum carauellão sem eu ser sabedor se foy ha hum porto desta minha capitania e contra o forall de Vosa A. resgatou ho que quis e não contente com isso tomou por engano hum imdio ho maior principall que nesta terra auia e mais amiguo dos cristãos e o premdeu no nauio pedindo por elle muito resgate ho quall despoes de por elle lhe darem ho que pedia por se congraçar com outros imdios contrairos deste que prendeo lho lleuou e entregou preso e lho deu a comer, contra toda verdade e rezão per donde os indios se allevantarão todos dizendo de nós muitos malles que se não fiassem em nós que não mantinhamos verdade e se vyerão lloguo a hua povoação minha pequena que eu tinha mais feita e estando a gemte segura fazemdo suas fazendas derão nelles e matarão tres homens e os outros fogirão e queimarão os canaveaes todos com ha mais fazenda que auia e tomarão toda quanta artelharia auia e deixarão tudo estroido” (Corpo Cronológico, Parte I, 77, 120, apud MALHEIRO, Regimen Feudal, 263).

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, julho/2018

Vasco Fernandes Coutinho

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