Fotos

Publicidade

Quarto Centenário de Vila Velha

Trecho transcrito do Livro: Ecos de Vila Velha
Autor: José Anchieta de Setúbal
Pág.: 176 a 179


23 de maio de 1935 é considerada a data do Quarto Centenário da Colonização do Solo Espírito-santense. Por que não Quarto Centenário de Vila Velha, se foi aqui que tudo começou? Foi nessa data que Vasco Fernandes Coutinho aportou na enseada da Prainha com a sua caravela Glória para dar início à colonização da capitania.

Os festeiros Miguelzinho Aguiar, Clementino Barcellos, Lucio Bacelar, acompanhados de outras pessoas influentes da cidade e com integral apoio do prefeito, o engenheiro civil Francisco Almeida de Freitas Lima, entenderam que aquele centenário deveria ser comemorado condigna e festivamente, e de acordo com as tradições da cidade. Assim resolveram encenar a chegada de Vasco Fernandes Coutinho com seu séqüito à Prainha.

Ouvida a sociedade local, esta mostrou-se disposta a colaborar e aguardava tão-somente que se distribuíssem os papéis para providenciar os respectivos paramentos. Os ensaios e as indumentárias de época ficaram a cargo de Clementino Barcellos (Mestre Clê). Índios foi o que não faltou. Constituiu-se uma numerosa tribo com índios de verdade, de olhos pretos, castanhos ou mesmo azuis, como o do indiozinho Walter de Aguiar, índios de todos os tipos, ciosos da importância do seu desempenho. Só faltaram índias porque as mulheres não se atreviam a expor o corpo. A verdade é que as mulheres daquele tempo não ousavam sair das suas malocas. Assim, o cacique dessa imensa tribo, Lúcio Bacelar, num traje bem a caráter, chefiava apenas índios do sexo masculino.

Tudo preparado, no dia marcado estavam todos a postos para a grande encenação. Na falta de uma embarcação que representasse apropriadamente a caravela Glória, os fidalgos e sua comitiva aportaram ao cais da Prainha numa lancha. Fizeram troar um arremedo dos tiros de canhões que teriam espantado os índios das proximidades para que se pudesse fazer um desembarque mais tranqüilo.

Na cena, o primeiro a saltar foi o capitão-mor, Vasco Fernandes Coutinho, representado com muito garbo por Miguelzinho Aguiar. Atrás dele vinha, como sua esposa, Luíza Grinalda ou Grimadi, como querem estudiosos da nobreza de além-mar, protagonizada por Oraide Freitas Lima, também compenetrada do seu papel.

Representando Dom Jorge de Menezes, exibia-se na sua indumentária de fidalgo o Mestre Clê e atrás dele vinham os demais componentes do séqüito. Tudo era simbolismo. Luíza Grinalda não poderia ter descido como esposa de Vasco Coutinho, uma vez que fora esposa de Vasco Coutinho Filho.

Por certo, algumas palavras foram pronunciadas pelo representante de Vasco Coutinho ao tomar posse simbólica da capitania hereditária e, assim reunidos, paramentados e sob os aplausos populares, os participantes caminharam até à Prefeitura, sendo recebidos pelo prefeito Francisco Almeida de Freitas Lima.

Os índios, em grande quantidade e dirigidos pelo cacique (Lúcio Bacelar), acompanhavam arredios os acontecimentos, ora pelo meio do povo, ora se esgueirando ou subindo pelas árvores, cumprindo o papel que lhes fora atribuído. Dando destaque à programação, com evoluções acrobáticas sincronizadas, sobrevoou Vila Velha, para delírio do povo, pequena esquadrilha do Exército composta de cinco aviões. Como se isso não bastasse, Melo Maluco, o piloto mais arrojado da época e por muitas décadas, fez uma exibição à parte.

O que ele fazia com o seu pequeno avião era coisa de maluco mesmo. Desligava o motor em pleno ar e descia de ponta-cabeça, em parafuso, deixando para acionar o motor quando já se encontrava perto do solo, dando a impressão de que não conseguiria o seu intento. Fazia coisas inimagináveis. Dizem que não passou por baixo das Cinco Pontes porque as asas do seu monomotor eram grandes demais para os vãos entre pilastras, mas que tentara fazê-lo. Conseguiu passar, meio de banda, sob os fios estendidos do morro do Penedo ao Clube Saldanha da Gama, no Forte São João. Era um piloto fora de série, perseguido pelas autoridades, que chegaram a proibi-lo de voar, o que não conseguiram por muito tempo. Com suas piruetas imprevisíveis, Melo Maluco se imortalizou no meio aeronáutico. Não existiu outro igual a ele no tempo e no modelo em que voou.

Como se vê, as comemorações do IV Centenário foram as que mais marcaram o 23 de Maio em Vila Velha. Parte do que ocorreu durante o dia foi isso. Imaginem o que não aconteceu durante a tarde e a noite. Isso, pedindo escusas, deixamos por conta da imaginação de cada um. 


Conteúdo

Canais Monumentos Cidades do ES Cidades do ES
AMAMOR
Aventura
Bairros
Bonde
Cidades do ES
Colégio Marista de Vila Velha
Convento da Penha
Culinária Capixaba
Curiosidades...
Ecologia
Editorial
Entrevistas
Escritores Capixabas
Especiais
Genealogia Capixaba
História do ES
Imigração no ES
Livros Capixabas
Matérias de Edward DAlcântara
Matérias de Roberto Abreu
Matérias Especiais
Monumentos
O ESPORTE NA HISTÓRIA DO ES
Personalidades Capixabas
Porto de Vitória
Prainha
Recantos Escondidos
Religiosos do ES
Variedades
Vila Velha
A História da Marinha em Vila Velha
A Igreja de São Tiago
A Igreja e o Convento de Nossa Senhora do Monte Carmo
Arquitetura rural em Santa Teresa
Arte indígena em Anchieta
Capela de Nossa Senhora das Neves
Casa da Memória
Catedral Metropolitana de Vitória
Convento da Penha
Escadaria Maria Ortiz
Escadaria São Diogo
Farol de Santa Luzia
Fortificações - Estado da Capitania em 1682
Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Igreja de São Gonçalo
Igreja de São Gonçalo – Vitória ES
Igreja do Rosário é restaurada
Inauguração da Ponte de Linhares
Maciço do Penedo
Marca Morro do Moreno
Mestre Álvaro
Monte Aghá
Monumento a Domingos Martins
Monumento a Florentino Avidos
Monumento a Henrique Moscoso
Monumento a Jerônimo Monteiro
Monumento a Onça
Monumento a Vasco Fernandes Coutinho (1º Donatário da Capitania)
Monumento ao Ano Internacional da Paz
Monumento ao Expedicionário
Monumento ao Índio (Araribóia)
Monumento ao Trabalho
Monumento do Sesquicentenário da Polícia Militar do Estado do Espírito Santo
Museus no Espírito Santo
O Exército: 38º BI.
Obelisco da Praça dos Namorados
Palácio das Águias é restaurado
Parque Moscoso
Por quê o nome do viaduto é Caramuru?
Praia do Ribeiro
Prainha: 400 Anos
Santuário de Nossa Senhora das Neves
Teatro Melpômene
Terceira Ponte
Terrenos pertencentes ao patrimônio da Penha
Roteiros de Guarapari
25 de Julho
A CIDADE DE ANCHIETA
A cidade de Vila Velha
A Estrada de Venda Nova do Imigrante a Castelo
A praça Duque de Caxias de Vila Velha
Alfredo Chaves
Anchieta
As Belezas de Matilde
Baixo Guandu
Barra do Jucu
Barra do Riacho
Cachoeiro de Itapemirim
Caparaó
Carta revela tesouro de jesuítas
Colatina
Divino de São Lourenço
Do pouso do Riacho a Linhares
Domingos Martins
Dores do Rio Preto
Fazenda em Castelo
Guaraná
Guarapari - turismo e folclore
Guarapari e Perocão
Ibatiba
Iconha
Iconha - Crônica de Rubem Braga (1951)
Iriri - sua origem
Itaguaçu
Itapemirim
Itaúnas
João Neiva
Lave a alma nas cachoeiras
Linhares
Manguinhos
Marataízes
Marechal Floriano
Matilde
Meaípe
Mercado Municipal de Vila Velha
Mimoso do Sul
Muqui
O calendário e Vila Velha
Parati
Passagem do Imperador pela vila de Santa Cruz
Pedra Menina


Colunistas

ROBERTO ABREU

Vila Velha já teve um serviço de auto falantes “A voz de Vila Velha”. Por Roberto Abreu. Leia mais!

 

EDWARD D'ALCÂNTARA

Foi grande o legado de Antônio Athayde para Vila Velha. Vejas as principais obras. Por Edward D'Alcântara.

Parceiros
JOSÉ ROBERTO SANTOS NEVES
COMPANHIA DO VÍDEO
MÔNICA BOITEUX