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Rainha Elizabeth II usa pedras de Itarana

Tiara da coleção de jóias da Rainha Elizabeth, composta de águas-marinhas extraídas da Pedra da Onça em Itarana, ES - Brasil

Entre as diversas joias que fazem parte da coleção da rainha Elizabeth II, da Inglaterra, um conjunto composto por uma tiara, uma pulseira, um broche, um colar, um par de brincos e um anel são de águas-marinhas extraídas do alto da Pedra da Onça, em Itarana, na região centro-serrana do Espírito Santo.

Segundo pesquisas do historiador Diogo Francisco da Silva, que nasceu em Itarana, as joias foram presenteadas em três ocasiões, O primeiro presente, formado por colar e brincos, foi dado por Assis Chateaubriand, então embaixador do Brasil em Londres, em nome do então presidente Getúlio Vargas, em 1953, na ocasião da coroação da rainha Elizabeth II.

“Cinco anos depois, em 1958, a rainha Elizabeth II visitou o Brasil pela primeira vez e foi presenteada, pelo presidente Juscelino Kubitschek, com um broche e uma pulseira de águas-marinhas, também da Pedra da Onça”, disse Diogo.

O terceiro presente foi em 1968, em sua nova visita ao Brasil. O então presidente Costa e Silva deu à rainha uma tiara.

Há relatos de que as pedras da tiara seriam de São Paulo. Entretanto, segundo o historiador, as maiores pedras de águas-marinhas de Itarana foram vendidas para a Caixa Econômica Federal de São Paulo, daí a ideia de que as joias são daquele estado.

“A prova de que todas as joias brasileiras dadas à rainha são de Itarana está em um relatório dos joalheiros reais britânicos da Garrards & Co, que foi entregue ao então presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1997. Os joalheiros constataram que todas as joias têm a mesma tonalidade e composição, o que comprova que foram extraídas em Itarana”, afirma Diogo.

A Pedra da Onça é conhecida como uma das maiores jazidas de águas-marinhas do mundo. No auge da extração das pedras, de acordo com moradores mais antigos, a região chegou a ter mais de três mil homens em busca de fazer fortuna.

 

Criança descobriu riqueza

 

A descoberta das primeiras pedras preciosas na Pedra da Onça, em Itarana, ocorreu em 1941, por Ângelo Piorotti, 83 anos. Na época, com 12 anos de idade, Ângelo encontrou uma água-marinha e mostrou a seu pai.

“Sem saber o que era, meu pai mostrou a pedra a um compadre, que se interessou e chamou meu pai para subir a montanha”.

Segundo o aposentado, havia muito espinho e foi preciso roçar para chegar até um local onde eles encontraram grandes jazidas. “Meu pai achou umas pedras que foram jogadas por um tatu que cavou um buraco. Eles cavaram mais um pouco e se surpreenderam com o que encontraram”, contou.

Por vários dias, os dois compadres subiram a Pedra da Onça e retornavam com sacos cheios de águas-marinhas. Quando a notícia se espalhou, logo vieram mais pessoas em busca do tesouro.

 

Joias feitas por ingleses

 

O primeiro colar feito com águas-marinhas de Itarana presenteado à rainha Elizabeth II, em 1953, pesava 300 gramas. Devido ao peso, a rainha mandou seus joalheiros desmancharem a joia, e dele produzirem um novo colar, mais leve; um broche e uma tiara.

Em entrevista a uma revista de circulação nacional, o filho de Assis Chateaubriand, Gilberto Chateaubriand, contou que o pai levou a joia costurada no forro do sobretudo. A peça pesava 300 gramas, e tinha 10 águas-marinhas de 120 quilates e 647 brilhantes.

O terceiro presente dado a Elizabeth II em 1968 pelo então presidente Costa e Silva foi também remodelado. Com um novo design, a tiara completou o “Conjunto Brasileiro”, utilizado pela rainha em várias ocasiões.

Em 2006, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva a visitou, no Palácio de Buckingham, na Inglaterra, ela fez questão de recebê-lo com as joias.

 

Cruzeiro e santas para pagar promessa

 

No topo da Pedra da Onça há um cruzeiro e uma gruta de pedras, onde há uma imagem de Nossa Senhora da Penha e outras imagens de santos.

O primeiro cruzeiro, construído em 1961, 10 anos após o início da peregrinação de moradores, foi destruído pela chuva. Em 2001 foi construído o atual cruzeiro, que permanece intacto até hoje.

 

Fonte: Jornal A Tribuna, 28 de outubro de 2012
Por: Julio Huber (Foi o editor e fotógrafo da matéria)
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2012 



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