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Reminiscência 5ª Parte (última) – Memória da cidade de Nossa Senhora da Vitória (1936 -1956)

Foto escaneada do Livro de Guilherme Santos Neves - Coletânea de Estudos e Registros do Folclore Capixaba, 1944-1982 - Volume 2, ano 2008 - Editor de fotografia: Caco Appel

5 – 1956 A.D.

Volto de São Paulo e encontro meu lugar ocupado por outro. Quem vai a Bahia perde a bacia...Chiquinho reina, rei morto, rei posto, viva o novo Rei. Ceciliano e eu fundamos a Universidade do Povo e Câmara Cascudo dá antropologia cultural no Auditório do Centro de Saúde, depois de uma dezena de batidinhas de caju, NO Sagres, com Paulo Veloso. Mestre Guilherme e eu trazemos os Jograis de São Paulo, Rubens de Falco. Armando Bogus à frente, e felizmente não tivemos prejuízo. O velho Carlos Gomes trema de febre poética.

Pretendo cuidar de outra vida, magistério não dá.

Zequinho Leão levanta o dedo em riste:

- Não há verba, não pode, não há verba.

Jogamos pelada em Camburi, a ponte ainda se esconde nas curvas do futuro e os conjuntos habitacionais não existem.

Aos sábado bebemos Martini no Bar Sagres. Temos uma turma de almoços mensais e Zé Leão frusta Paulo Vellozo:

- Não gosto de lazanha.

E repete, três vezes, o delicioso prato feito pela Clara.

Mas o melhor são as feijoadas de D. Marília, Eugênio Sette que o diga.

Volto a São Paulo, graças a Pierson, Muller e Anísio Teixeira, e quase perco meu cargo em Vitória. Salvou-me o Mário Gurgel, oficial de gabinete do homem.

Revejo cartas desse tempo e nelas Vitória fulge, Vitória é um tudo, Vitória é o centro do meu universo. Há uma dor tão grande em deixar Vitória, a vidinha de Vitória, a gente de Vitória, tão doce, Tão calma, tão cordata, trinta anos atrás.

Vitória ainda não metrópole, Vitória de ontem, Vitória sempre viva, aquela Vitória não há mais, mas continua existindo em minha alma, e eu ando naquelas ruas, e eu vejo aquela gente, e caminho nas brumas do passado por entre uma saudade imensa de uma Vitória que existirá sempre, sempre.

 

Nota do Site: O Termo A.D. juridicamente significa: A.D. perpetuam rei memoriam - Diligências requeridas e promovidas com caráter perpétuo, quando haja receio de que a prova possa desaparecer; para a perpétua memória da coisa.

Autor: Renato Pacheco
Fonte: Escritos de Vitória, 1- Crônicas, Vitória-ES, 1993
Compilação: Walter de Aguiar Filho,junho/2011

 

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