Morro do Moreno: Desde 1535
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Rua 23 de Maio

Residência de Antenor Guimarães

Tem início na antiga rua do Comércio (atual Florentino Avidos) e se prolonga até a Henrique Coutinho, atravessando-a a avenida Cleto Nunes, parte dela dando frente para o Parque Moscoso. Foi construída, após concluído o aterro do Campinho, no começo deste século. Era considerada, até os anos 40, como ponto nobre da cidade. Teve belas residências, destacando-se sobretudo a Vila Oscarina, palacete de propriedade de Antenor Guimarães, então um dos homens mais prósperos do Estado. Também aí residiu a família de Serafim Derenzi, italiano, a quem se devem importantes empreendimentos em benefício da cidade.

A rua contou com uma fábrica de gelo, a terceira (ou quarta?) de Vitória, da família Vivacqua. Essa fábrica mantinha uns dez homens, crioulos atléticos, que saíam à rua vendendo, em caixas de madeira, brancas, pintadas a óleo, que eles equilibravam, sobre rodinhas de estopa, na cabeça, - picolés e beijos-frios. Esses beijos-frios faziam a delícia de velhos, moços e crianças, mormente no verão. Eram uns bastõezinhos, envoltos em papel de seda, os mais procurados, feitos de coco, custando duzentos réis cada um. Os crioulos apregoavam: - Oia o beijo-frio! O beijo-frio... gente! Tá gelado, geladinho!, justamente num tempo em que, também outros pregões de vendedores ambulantes musicavam as ruas da cidade, tornando-a ainda mais poética na sua simplicidade provinciana...

Em galpão fazendo esquina com a rua do Comércio, a firma Hard & Hand estocava sacas de café, para exportação, sendo que, à chegada de caminhões vindos do interior, pessoas mais humildes se reuniam em volta para catar os grãos caídos das sacas, cada qual juntando o bastante para o café da manhã seguinte. Anos antes, nesse mesmo galpão, o Clube de regatas Álvares Cabral, então recém-fundado, guardava suas poucas embarcações, seus atletas, os mais madrugadores, ali se reunindo, após os banhos de mar no Porto dos Padres.

Paschoal Del Maestro e seu filho Francisco (Chiquinho) movimentavam, mais adiante, espaçosa garage de automóveis, onde, ao lado, o empresário Edgard Rocha, já da década de 50, construiu o cinema São Luís, então considerado dos melhores da cidade.

A denominação 23 de Maio refere-se à data do início da colonização do solo do Espírito Santo (23 de maio de 1535).

 

Fonte: Logradouros Antigos de Vitória, 1999
Autor: Elmo Elton
Compilação: Walter de Aguiar Filho, maio/2012 



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