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Rua Primeiro de Março (ex-rua da Mangueira) – Por Elmo Elton

Rua Primeiro de Março, começava na escadaria do Palácio e terminava na Rua General Osório, sendo a área enladeirada.

Começava na escadaria do Palácio e terminava na Rua General Osório, sendo a área enladeirada. Chamou-se, primitivamente, Rua da Mangueira, recebendo, ao término da Guerra do Paraguai, ocorrido a 1° de março de 1870, a denominação de Primeiro de Março, intitulativo que conservou até seu desaparecimento. A notícia do fim daquele conflito só chegou ao conhecimento da população vitoriense a 27 do referido mês, trazida pelo vapor Juparanã, tendo o Correio da Vitória distribuído o boletim comunicando o auspicioso acontecimento. Das diversas casas comerciais da Primeiro de Março, uma se destacava: — a Casa Verde, funcionando em prédio de quatro andares, a fachada pintada de verde, numa alusão aos caramurus, assim chamados os devotos de São Benedito do Convento de São Francisco, cuja irmandade tinha o verde como cor oficial. Os irmãos usavam opa como mantelete dessa cor. A Casa Verde abriu suas portas, a 1° de julho de 1879, sob a responsabilidade da firma Cruz, Duarte & Cia, antecessora da Cruz, Sobrinho & Cia. Esse estabelecimento se transformou, pouco depois, no maior armarinho da cidade. Vendia de tudo: — fazendas, calçados, malas, chapéus, roupas feitas sob medida, perfumes importados, bijuterias, brinquedos, enfim, o que se imaginasse, segundo apregoava o próprio povo. Editava, anualmente, um almanaque, em cujas páginas se registravam acontecimentos sociais, religiosos, políticos e recreativos de Vitória, ali também se estampando prosa e versos de autores capixabas.

Como a cidade não dispusesse de hotéis recomendáveis, os que existiam eram péssimos, "com cubículos de duas a quatro camas sem armários," a Casa Verde hospedava, em andar superior, os fregueses vindos do interior, assim como os caixeiros-viajantes, intermediários nas negociações da firma.

Outros estabelecimentos comerciais, igualmente importantes, figuravam nessa artéria: A Casa Samuel, A Guanabara, a Renner, a Tipografia Coelho, de propriedade de Afrodísio Coelho, a Viana Leal, a Farmácia Roubach etc.

Em 1870, foi instalado aí o Instituto Feminino Secundário, fronteiro à ladeira do Imperador, sob a direção da professora Mariana Lepoldina de Freitas Carvalho, diplomada pela província de Minas Gerais, passando o educandário, em 1871, a denominar-se Colégio Nossa Senhora da Penha, nome: - Escola Normal Pedro II, - centro reformador do professorado primário do Estado. O Instituto Feminino Secundário, de acordo com edital de 20 de novembro de 1870, estampado no Correio de Vitória, ensinaria “gramática portuguesa, aritmética e sistema métrico, música e tocar piano e trabalhos de agulha, além de francês, geografia e história”.

De frente para a Casa Verde, um de seus proprietários, o Sr. Augusto Cruz construíra, para residência, o prédio mais alto da cidade, demolido em 1964, após servido como sede do Juízo Federal, sendo que, das construções antigas do local, se sobressaía um casarão, que vinha dos tempos dos jesuítas, apelidado pelo povo de Vaticano, posto abaixo em 1893, no governo de Moniz Freire.

Em 1910 montou-se, nessa rua, uma fábrica de gelo, dando origem aos sorvetes de máquinas manuais em Vitória.

No começo dos anos 40, o prefeito Américo Poli Monjardim ordenou se aplainasse a área ocupada pela Primeira de Março, então desaparecida com a total demolição de seus prédios.

 

Fonte: Logradouros antigos de Vitória, 1999 – EDUFES, Secretaria Municipal de Cultura
Autor: Elmo Elton
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2017

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