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Rudy Maurer

Rudy Maurer

Tudo no mundo é movimento. Esta inequívoca sensação de movimento sentimos quando damos um passo à frente, no desejo de sermos úteis e de fazer do trabalho a razão mais nobre de nossa vida. Dar este passo, por menor que seja, pode representar a conquista de recompensas que nunca foram desejadas nem imaginadas.

RUDY MAURER, atual Presidente do Sistema Financeiro do Estado, ao dar este passo decidido em direção ao futuro, colocou a seu favor um conjunto de forças interiores que lhe permitiriam destacar-se do grande conjunto de anônimos que formam a chamada multidão.

Por esta razão e pelos motivos que iremos contar mais adiante, ele ocupa atualmente as seguintes funções: PRESIDENTE DO BANCO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO S/A; MEMBRO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DO BANCO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO S/A; REPRESENTANTE DO GOVERNO DO ESTADO NO GERES GRUPO EXECUTIVO DE RECUPERAÇÃO ECONÔMICA: DELEGADO, NO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, DO SINDICATO DOS BANCOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO; MEMBRO DO CONSELHO FISCAL DA FEDERAÇÃO NACIONAL DOS BANCOS; MEMBRO DO CONSELHO FISCAL DA ASSOCIAÇÃO DE BANCOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.

Antes de falecer, o velho Maurer, como Rudy se refere ao pai, transmitiu-lhe este conselho que jamais foi esquecido: "VOCÊ ANDANDO DIREITO NÃO FARÁ FAVOR A NINGUÉM. SOMENTE A VOCÊ MESMO". Desde então ele jamais deu um novo passo à frente sem recordar as palavras daquele que foi seu iniciador na vida e seu melhor amigo.

No entender de RUDY MAURER, o cidadão honorário nem sempre é um grande benfeitor. Os critérios das honrarias seguem caminhos muito próprios. Mais meritório é o anonimato nobiliárquico compensado por uma fecunda atividade em prol da terra que se quer pátria, e que só não o é por uma acidentalidade geográfica. Não sendo cidadão capixaba por naturalidade nem por outorga, a identificação de RUDY com o Espírito Santo começou com um ano de idade. Nascido na cidade de São Paulo, a 20 de outubro de 1926, já são falecidos seus pais MARIA MAURER e CARLOS MAURER.

Sua infância passou-a, como a adolescência e a mocidade, em Vitória. Infância pobre e feliz estudando graças aos sacrifícios do pai encadernador de livros, um trabalho duro e honrado. O curso primário foi feito no antigo Externato Júlia Pena, que na época era dirigido pela própria professora Júlia Pena, figura inesquecível que encarnava bem o tipo das antigas mestras formadoras de gerações. No Ginásio Espírito Santo, onde depois estudou, foi aluno de professores lendários como: Ericson Cavalcanti, Francisco Genaro da Fonseca, Luís Simões de Jesus, Mário Tavares, Mauro Braga, Guilherme Santos Neves, e os diretores Sílvio Rocio e João Bastos.

Vivia RUDY MAURER o período de ouro de sua adolescência e seduzido pelo esporte tornou-se um fervoroso adepto do basquete, que praticava no Saldanha da Gama, pelo qual sagrou-se bicampeão, ao lado de Willy Pacheco, Vitor Hugo Gasparini, Zilton Tovar, Jayme Carvalho, José Lacourt, Fernando Grijó e outros.

Esta sedução do filho pelo basquete inquietava o VELHO MAURER. Recorreu então ao seu amigo José Jorge Ramos, dono de um pequeno comércio, pedindo-lhe que conseguisse um emprego para o rapaz. Mais tarde José Jorge Ramos contaria que na realidade foi a mãe de RUDY quem mais se empenhou para que conseguisse uma ocupação para o filho. E RUDY MAURER estreou na vida profissional na Gruta da Cutia, onde fazia vários trabalhos, entre eles o de atender aos fregueses. Isto foi em 1941, ano em que a II Guerra Mundial se tornara feroz na Europa e seus efeitos se faziam sentir em toda parte. José Jorge Ramos assim definia RUDY MAURER: "Um rapaz muito bom e caprichoso. Por seu comportamento, notava-se que seria um grande homem no futuro."

Foi muito importante para RUDY MAURER, para a sua formação moral, familiar e profissional, ter podido contribuir para o orçamento da casa dos pais, estudante que vivia sem mesada, morava com a família numa casa alugada, e esperava o domingo, "dia gratificante", com almoço à base de macarrão caseiro com presunto picado e de sobremesa torta de maçã, pratos que a senhora sua mãe dona Maria fazia como ninguém.

Casado com a senhora IDA MAURER, tem com ela quatro filhos: RUDY JR., EVELYN, ROBERTO e RENATA, e quatro netas: PATRICIA, ROBERTA, MELISSA e ALESSANDRA, aos quais ele e a mulher dedicam os melhores e os mais importantes momentos de suas vidas.

RUDY MAURER é acima de tudo um ''marido coruja". Ele gosta sempre de elogiar a mulher e sua opinião sobre ela é a seguinte: "Nunca mediu sacrifícios e sempre soube fazer renúncias para o bem do casal. Muito organizada, tem uma personalidade marcante. É filha de Durval Santos e Nivea Alves Santos, de tradicional família capixaba. Ida, companheira constante, foi, sem dúvida alguma, a inspiradora de todas as minhas lutas e a força de todas as minhas conquistas".

Transcorria o ano de 1948, um concurso público do Banco do Brasil atraiu a vocação nata de RUDY MAURER para o mundo dos negócios bancários, onde viria prestar serviços em agências localizadas nos Estados da Bahia, Santa Catarina, Espírito Santo, Minas Gerais, antigo Estado da Guanabara, e no Distrito Federal, Brasília, onde funcionou como "Cônsul" capixaba, prestando ajuda durante 20 anos ininterruptos aos capixabas que o procuraram. Nesta etapa de sua vida de bancário, RUDY MAURER não esquece um episódio ocorrido na "Cidade Livre", em Brasília, durante um churrasco, quando o então presidente da república, já falecido, Juscelino Kubitschek lhe confidenciou: "Em determinado momento da vida, a estrada do homem apresenta uma bifurcação: um caminho leva à glória, outro à felicidade. É necessária uma opção, porque as duas estradas não podem casar-se jamais. Ambas são femininas". A conclusão a que RUDY MAURER chegou após meditar sobre a confidência que lhe havia feito o então presidente, foi de que "ele optou pela estrada da glória, e portanto, não se sentia feliz".

Desde então, RUDY MAURER passou a ter a concepção de que a felicidade deve estar nas coisas simples, alternando-se a convivência no sofisticado mundo financeiro, com hábitos saudáveis como uma boa palestra, um bom livro, um dia de sol na praia, coisas que atraem qualquer pessoa. Aos iniciantes na tarefa de escolher ficar parado ou arriscar um passo à frente em busca da realização pessoal, RUDY MAURER daria dois conselhos: "FAZER O BEM INDISTINTAMENTE E VIVER, PERMITINDO QUE TODOS TAMBÉM VIVAM"; NUNCA ESQUECER QUE O DINHEIRO É UM MEIO, NÃO UM FIM.

Da autoria de RUDY MAURER são os seguintes trabalhos: Levantamento geral, na República Federal da Alemanha, dos aspectos da Legislação Cambial, Fiscal, Social e Trabalhista, com vistas à instalação de uma Agência do Banco do Brasil naquele país; Relatório e informações à Consultoria Técnica da Presidência do Banco do Brasil, sobre política agrícola e subsídios agrários adotados na Comunidade Econômica Européia; Tabela de gravames incidentes nas importações da República Federal da Alemanha, publicados em boletins, para orientação aos exportadores brasileiros dos seguintes produtos: frutas tropicais, aspargos, palmitos, sucos, cebolas, tomates, pimentas, flores, móveis, bananas e pedras semipreciosas.

Antes de ingressar no Banco do Brasil S.A., RUDY MAURER trabalhou na antiga Estrada de ferro Vitória a Minas, onde foi telegrafista de estação, e depois na firma Exportadora de Café McKinlay. Dos dois ambientes, guarda indelével lembrança de Luiz Cavalcanti, Walmyr Ramos, os irmãos Vasconcelos, o Sr. Dante Michelini, Wilson Vilela, Gilberto Michelini, Farid, Othon Abreu, Aloir Ximenes dentre outros.

Participou de cursos e estudos, dentre os quais destacamos o Curso de Mercado de Capitais, realizado em Brasília, DF, em 1971; I Simpósio Latino-Americano e do Caribe de Pequena e Média Empresa, realizado no Rio de Janeiro — junho de 1977 (CEBRAE); Seminário Sobre "Relações Humanas", realizado em Washington, DC, USA, sob os auspícios do Departamento de Estado Norte-Americano, junho de 1961; II Ciclo de Estudos da ADESG, Brasília, DF, turma "SESQUICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA".

Durante sua carreira, RUDY MAURER ingressou no Banco do Brasil em 1948; em 1961 foi requisitado pela Presidência da República, onde ficou até 1967, como assistente do Gabinete Civil; em 1967 foi selecionado, pelo Ministério das Relações Exteriores, entre centenas de candidatos, para servir como Assistente Técnico Comercial, junto à Embaixada Brasileira na República Federal da Alemanha (Bonn), onde ficou dois anos e seis meses. Na época conheceu vários países europeus, a serviço que estava da Embaixada Brasileira; em 1970 regressou da Alemanha, retornando ao Banco do Brasil em Brasília, ficando lotado na Direção Geral do Banco, no Gabinete da Presidência, de onde saiu para chefiar o setor de Cheque-Ouro, em Brasília, sistema que estava sendo implantado; em 12 de março, após ter exercido a função de Gerente da Agência do Banco do Brasil, no Ministério da Fazenda, na Capital Federal, foi promovido, por merecimento, ao último posto de carreira naquele estabelecimento. Aposentou-se, a pedido e por tempo de serviço, deixando o Banco do Brasil para exercer, em Brasília, o cargo de chefe da Divisão de Serviços Auxiliares da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (EMBRAPA); em 1976, a convite do Governador de Brasília, Dr. Elmo Serejo Farias, assumiu a Diretoria Financeira do Banco Regional de Brasília S/A, eleito em 14 de outubro de 1977, em reunião extraordinária do Conselho de Administração do referido Banco; em 1979 foi honrado pelo Governador Eurico Rezende, para assumir, no Espírito Santo, a presidência do Banco do Estado, tomando posse no dia 20 de março de 1979.

Ao dar este novo passo em sua vida, RUDY MAURER voltou às origens, como o próprio Eurico Rezende, retornando à terra que sempre amou e a qual acolhendo-o com um ano apenas de idade, batizou-o filho legítimo, não adotivo, do Estado Espirito-Santense.

RUDY MAURER RECEBEU AS SEGUINTES CONDECORAÇÕES E DISTINÇÕES

— Agraciado, em junho de 1971, com o titulo de "Sócio Fundador", do Clube dos Pioneiros de Brasília;

— Admitido no Grau de Cavaleiro, em 25-7-76, na Ordem do Mérito da Educação;

— Promovido ao Grau de Cavaleiro Oficial, em 01-10-76, na Ordem do Mérito de Educação;

— Agraciado, em outubro/77, com a Medalha "Ana Neri";

— Promovido, em 16-12-77, ao Grau de Comendador, na Ordem do Mérito de Educação;

— Admitido, em 21-04-78, no Grau de Cavaleiro, na Ordem do Mérito de Brasília;

— Agraciado, no grau de Comendador da "Legião do Mérito Presidente Antônio Carlos", pelo Instituto Internacional de Heráldica e Genealogia do Rio de Janeiro, em 29-06-79;

— Agraciado com a Medalha e Diploma de "Amigo de Colatina", homenagem prestada pela Câmara Municipal de Vereadores de Colatina em abril/79, por relevantes serviços prestados ao Município;

— Agraciado com a Medalha e Diploma de "amigo da Serra”, homenagem prestada pela Câmara Municipal de Vereadores da Serra em 26-12-1979, por relevantes serviços prestados ao Município;

— Agraciado com o Diploma de "Amigo do 38° Batalhão de Infantaria", homenagem prestada pelo Comandante Paulo Fernando Eschiletti em 28-01-80, pela excelente cooperação prestada ao Ministério do Exército, 28 Brigada de Infantaria.

 

ELOGIOS

(COM REGISTROS EM SEUS ASSENTAMENTOS FUNCIONAIS)

— Do Excelentíssimo Senhor Presidente da República —1961;

— Do Senhor Diretor-Geral do Serviço Nacional de Municípios (SENSM) — 1961;

— Do Senhor Coordenador-Geral da Assessoria Técnica da Presidência da República — 1961;

— Dos Senhores Subchefes do Gabinete Civil da Presidência da República, nos anos de 1962, 1964 e 1967.

 

Fonte: Personalidades do Espírito Santo. Vitória – ES. 1980
Produção: Maria Nilce
Texto: Djalma Juarez Magalhães
Fotos: Antonio Moreira
Capa: Propaganda Objetiva
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubroo/2020

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