Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Surgem as Minas Gerais - Por Mário Freire

Pepitas de Ouro

Artur de Sá e Menezes, o primeiro Governador, nomeado para o Rio, após o descobrimento do ouro, assim como os outros, providos depois, tiveram honras de Capitães-Generais. Tendo ido às Gerais, voltou fabulosamente rico... O Rei proibiu, em 1702, que os Governadores do Rio fossem, sem licença, àquela região. Com o intuito de impedir contrabandos e evasões, Artur de Sá ainda mandou concentrar, na; proximidades da atual Barbacena, os caminhos, do Rio e de outros pontos próximos até aquela zona.

Quanto ao Espírito Santo, não bastou o obstáculo natural da perigosa floresta, onde numerosos índios haviam buscado refúgio.

Da Bahia, o Governador Geral animava em 1700 a José Cardoso de Oliveira, incumbido de uma "entrada", a fim de procurar descobrir certas minas de ouro, que se presumiam existentes nas "cabeceiras" desta Capitania. Mandou fornecer-lhe índios das aldeias dos Reis Magos e Reritiba. Nomeou-o capitão-mor das entradas das minas de ouro. Para que se decidisse, pois não pôde logo seguir, acenou-lhe, no ano seguinte, com a notícia de que estava habilitado a conceder foro de fidalgo e hábitos das Ordens Militares, a quem efetuasse novos descobrimentos. Fez mais: como ele não seguiu porque se casara clandestinamente em Vitória, escreveu ao respectivo Vigário, Padre Sebastião Barbosa, para afastar quaisquer dificuldades...

Demorando a partida dessa expedição, o novo Governador do Rio fê-la sustar. Esse ato determinou enérgico protesto do da Bahia.

Insistiu o Governo Geral em mandar o novo Capitão-mór do Espírito Santo, Francisco Ribeiro, ao sertão, tentar novos descobrimentos; e ele, de fato, seguiu, deixando à Câmara o encargo de responder pela Capitania. Baixou um regimento especial, regulando essa exploração: o Capitão-mór não levaria religiosos, além de dois sacerdotes, no máximo. Somente admitiria moradores, para isso, autorizados. Proibiu ainda o acesso de estrangeiros às minas; mandou fornecer-lhe índios, das citadas aldeias, percebendo paga; e recomendou a plantação de legumes nas proximidades das explorações. Remeteu-lhe por último, em 1703 um técnico, o alferes Bartolomeu de Pina Pereira, com prática das minas dos paulistas.

Estava esse Capitão-mór no sertão, quando, chegando da Corte expressas e severas recomendações no sentido de proibir quaisquer "entradas" pelo Espírito Santo, o Governador Geral mandou logo que voltasse com todos os companheiros. Antes de receber e transmitir essa determinação régia, em 1704, já escrevera mostrando-se desanimado dos pretendidos descobrimentos. Os jesuítas, forçados a fornecer índios, alegavam que estes mostravam repugnância pelo serviço, porque não lhes pagavam... Chegaram afinal à Bahia, em 1704, umas amostras insignificantes de ouro encontrado nessa exploração...

A Corte mostrava-se preocupada com a guerra na Europa, e com o aparecimento de piratas na costa... Recomendou, por isso, muito cuidado no aparelhamento do forte e na construção da fortaleza na barra: esta não estava ainda concluída, mas o Governador Geral já mandava o seguinte letreiro, para uma placa, à entrada: "Reinando o muito alto e muito poderoso Rei de Portugal, D. Pedro II, Nosso Senhor, mandou fazer esta fortaleza D. Rodrigo da Costa, Governador e Capitão Geral deste Estado do Brasil, no ano de 1702". Não veio logo, entretanto, a artilharia, encomendada e reclamada do Reino.

Ecoara rapidamente muito longe a notícia do primeiro ouro, encontrado por Antônio Rodrigues Arzão. Do interior de S. Paulo veio, para o Espírito Santo, Pedro Bueno Cacunda: atraira-o a tentadora nova de que, além dos "coroados", os purís, localizados à margem do Manhuassú, para pescar, usavam pedaços de ouro como... Chumbadas nas linhas! Esse sertanista acabou comprando uma fazenda nesta Capitania; e, em 1712, obteve uma sesmaria no Tapemiri. Decorridos trinta anos de explorações, escreveu ao Rei alegando que fora o povoador do Guandú e de uma serra conhecida pelo nome de Castelo... Essa denominação já figurava, como vimos, numa informação de 1639, sobre riquezas do Espírito Santo, escrita por um dos Capitães-móres.

A quem descobrisse, no Brasil, veios de ouro ou de prata, além do foro de fidalgo e do hábito de uma das três Ordens militares, uma carta régia de 1694 assegurara a propriedade das minas, com a obrigação apenas de pagar o quinto devido à Fazenda. Essa real promessa foi a causa do desmembramento do vasto sertão desta Capitania. Invocando tal determinação régia, os famosos sertanistas de São Paulo fizeram a Câmara representar ao Rei, nos seguintes termos: "As terras do território das minas de Cataguazes, assim como matos lavradios, de direito pertenciam aos paulistas, para as possuírem por datas de S. M. ou do Donatário, porquanto eles foram os que conquistaram e descobriram as minas de ouro, que de presente se lavram, o que é notório e patente; o que tudo fizeram à custa de suas vidas e fazenda, sem dispêndio algum da Fazenda Real: e que seria grande injustiça concederem as ditas terras aos moradores do Rio de Janeiro, que nunca tiveram parte tanto na conquista, como no descobrimento".

As explorações haviam se estendido, pelo menos, até o rio Doce. Até lá chegou, entre outros, o temido e façanhudo Borba Gato.

O ponto de vista sustentado pelos paulistas levou-os a se empenharem em acérrimas lutas fratricidas. Uma provisão de 1701 já se referia ao distrito onde ficavam "as minas gerais dos Cataguazes", cuja exploração visou o Regimento especial, baixado no ano seguinte, para a superintendência das minas de ouro. Quando a mineração se tornou realidade já havia uma legislação sobre o assunto; decretada no século anterior... Nelson Werneck, que acentua esse fato, resume as  primeiras vantagens: concessão, ao descobridor, de uma pequena área, depois acrescida; e de outra, outorgada como minerador. Uma lei de 1702 mandou distribuir áreas de terras pelo descobridor e pela Coroa, além de uma parte atribuída ainda ao descobridor, na proporção do número de escravos que tivesse em trabalho.

Uma carta régia de 9 de novembro de 1704 fazia presumir instituída a nova Capitania de S. Paulo e Minas. Sacrificava-se grande parte da do Espírito Santo. Outros documentos contemporâneos entraram a aludir à Capitania de S. Paulo e Minas Gerais. Em novembro de 1709 foi estabelecida uma administração especial da Capitania de São Paulo e distrito das Minas de ouro, denominação reproduzida numa carta de sesmaria em 1717. Ficou subordinada somente ao Governador Geral.

Ao período que Pedro Calmon classifica inorgânico, de ocupação das Gerais, isto é, desde 1698 até 1709, seguiu-se, em 1714, um, de pacificação. Atrás do Capitão-General, chegou o Fisco. E o critério geométrico da primitiva divisão, conforme fizera D. João III, foi vencido, no interior, pelo determinismo econômico; salienta Roberto Simonsen.

 

Fonte: A Capitania do Espírito Santo, ano 1945
Autor: Mário Aristides Freire
Compilação: Walter de Aguiar Filho, junho/2015

História do ES

Cine De Lourdes

Cine De Lourdes

O trabalho no resgate da história do cinema está aberto para doações de periódicos, fotos, e depoimentos pelo e-mail malverdes@gmail.com, a fim de enriquecer a exposição, que busca além de informar o público, auxiliar os estudantes nos trabalhos de pesquisa sobre o passado cinematográfico do Espírito Santo

Pesquisa

Facebook

Matérias Relacionadas

No princípio – Por Mário Freire

A “Glória”, a caravela de Coutinho, permitiu-lhe trazer 60 companheiros. Entre esses, o fidalgo D. Jorge de Menezes e Simão de Castelo Branco

Ver Artigo
Os primeiros Jesuítas do ES - Por Mário Freire

A fundação dessa confraria ou irmandade justifica ser a Misericórdia do Espírito Santo, da qual Anchieta foi capelão, uma das mais antigas do Brasil

Ver Artigo
Finda o Governo do Primeiro Donatário - Por Mário Freire

Confiou o governo a Belchior de Azevedo, como Capitão, com os poderes e a jurisdição que o donatário exercera: firmou esse ato na "vila de N. S. da Vitória"

Ver Artigo
Nas Vésperas da Independência – Por Mário Freire

A última barreira do Siri, próxima à foz do Itapemirim, havia sido o extremo norte da fazenda, doada aos padres em 1702

Ver Artigo
Há duzentos anos passados... - Por Mário Freire (1945)

Reritiba assistiu, em 1742, um indígena que, durante uma procissão portara-se inconvenientemente, exaltou-se e conseguiu amotinar todo o aldeamento

Ver Artigo
A Independência no Espírito Santo - Por Mário Freire

O Ministro Manoel Pinto Ribeiro Pereira de Sampaio, notável espírito-santense, que faleceu em 1857 como presidente do mais alto Tribunal do País

Ver Artigo
Após a Independência - Por Mário Freire

Dissolvendo a Constituinte em Novembro de 1823, Pedro I incumbiu o Conselho de Estado de organizar um projeto de Constituição

Ver Artigo
O Norte do Espírito Santo – Por Mário Freire

Atravessaram a Ponte da Passagem, construída com o nome de Ponte de Maruípe em 1799 ou 1800, Saint-Hilaire já a encontrou em mau estado 

Ver Artigo
Últimas observações de Neuwied e Saint-Hilaire - Por Mário Freire

Saint-Hilaire escreveu curiosas observações sobre algumas culturas, como a do algodão

Ver Artigo
O Herói de 12 de junho – Por Mário Freire

Varonil até o derradeiro instante, parte dele a ordem de atirar, ao pelotão do próprio fuzilamento! 

Ver Artigo
O Sul do ES no início do Século XIX – Por Mário Freire

Rubim descreve uma grande planície até a povoação de Guaranhum, inundável quando se não limpava a vala que conduzia as águas do rio da Costa 

Ver Artigo
O Governador Rubim - Por Mário Freire

Francisco Alberto Rubim, oficial de marinha, assumiu o governo em 1812. Mandou escrever em 1816 uma descrição da Capitania

Ver Artigo
Vitória Colonial – Por Mário Freire

O cientista Saint-Hilaire enumera os conventos de S. Francisco e do Carmo quase fora da Vila: o pavimento térreo do segundo já estava ocupado por soldados pedestres

Ver Artigo
Expulsão dos Jesuítas - Por Mário Freire

Em Vitória foi erguido um templo a N. S da Conceição. Foi construído no prolongamento da Rua da Praia no ponto onde a Rua Graciano Neves atinge a Praça da Independência 

Ver Artigo
O Governador Tovar - Por Mário Freire

A vila do Espírito Santo ainda conservava os alicerces da primitiva alfândega, estabelecida nos primeiros dias da colonização

Ver Artigo
Primeiros dias do Século XIX – Por Mário Freire

O primeiro Governador no século passado, Antônio Pires da Silva Pontes era notável geômetra e astrônomo, com relevantes serviços na demarcação dos limites do Brasil 

Ver Artigo
Ao findar do Século XVIII – Por Mário Freire

O majestoso portão de acesso ao Convento da Penha conserva a data de 1774. Nessa época, ergueram, ao fim de penúltima volta da ladeira, uma capela ao Bom Jesus

Ver Artigo
Um cimélio do Arquivo Municipal - Por Mário Freire

A Prefeitura Municipal de Vitória possui uma planta datada de 1764 do capitão José Antônio Caldas, incumbido de apresentar as plantas de diversas fortificações desta Capitania 

Ver Artigo
Primitivas Matrizes – Por Mário Freire

Sobre o Reguinho, lodosa vala que, buscando o mar, derivava pelas atuais ruas Graciano Neves e Sete de Setembro, até a praça, agora, da Independência

Ver Artigo
De Francisco Gil de Araújo ao final do Século XVII - Por Mário Freire

A criação da Vila de Guarapari, em 1 de janeiro de 1679, foi um de seus mais celebrados atos 

Ver Artigo
Reincorporação da Capitania à Coroa - Por Mário Freire

Um velho mapa, rudimentar, de 1631 assinala o rio Doce como extremo da Capitania de Porto Seguro. Teria talvez influído para a Ouvidoria do Espírito Santo ficar limitada, por esse rio, com a Comarca de Porto Seguro

Ver Artigo
A Inquisição no Espírito Santo - Por Mário Freire

Uma ordem régia de 1720, por exemplo, proibiu aos barqueiros e canoeiros cobrarem passagens aos franciscanos, em viagem por mar ou rio, no trecho entre o Espírito Santo e o Rio de Janeiro

Ver Artigo
Cessa o domínio dos descendentes do fundador - Por Mário Freire

Filho de Ambrósio de Aguiar Coutinho, era neto de Antônio Gonçalves da Câmara. Este fora casado com D. Maria de Castro, filha de outro Ambrósio de Aguiar Coutinho

Ver Artigo
Primeira metade do Século XVII – Por Mário Freire

Puderam os franciscanos ampliar, em 1637, a ermida da Penha, transformando-a em santuário; pouco depois, faziam o calçamento da ladeira

Ver Artigo
Segunda metade do Século XVII – Por Mário Freire

Os jesuítas, cuja rivalidade com os franciscanos era indisfarçável, tentaram apossar-se judicialmente do Santuário da Penha

Ver Artigo
Como se escrevia a história nos tempos de Maria Ortiz - Por Mário Freire

Maria Ortiz despejou um caldeirão de água fervente, no Almirante Pieter Pieterszoon Heyn, chefe da expedição holandesa

Ver Artigo
Finda o século XVI no Espírito Santo - Por Mário Freire

A “Capitoa e Governadora” do Espírito Santo; por morte de filho de igual nome do Fundador, coube a donataria, em 1589

Ver Artigo
Primeiras ocorrências do Século XVII - Por Mário Freire

O velho Tombo do Convento registrou a invasão holandesa em Vitória. Durante a luta, as mulheres postaram-se na igreja da Misericórdia

Ver Artigo
Quando os Franciscanos e os Beneditinos chegaram - Por Mário Freire

Pedro Palácios em 1558, ergueu, uma pequena ermida a São Francisco; e iniciou mesmo a construção de uma capela, no alto pedregoso da colina

Ver Artigo
No tempo de Maria Ortiz - Por Mário Freire

Uma das primeiras medidas administrativas do século XVII, foi, corno dissemos, completa proibição de tráfico ou comércio com estrangeiros

Ver Artigo
Primitivos Aldeamentos após a morte do 1º Donatário - Por Mário Freire

O desânimo que a todos ia empolgando, na Capitania, não atingia, felizmente, os jesuítas

Ver Artigo
Velhas Contendas - Por Mário Freire

A resolução régia de 1732 fez presumir ou considerar Campos pertencente ao Espírito Santo

Ver Artigo
Revoluções Liliputianas - Por Mário Freire

D. João V, que, indiferente aos protestos do povo, costumava repetir: "Meu Avô deveu e temeu; meu Pai deveu: eu não devo, nem temo"... 

Ver Artigo