Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Tomé de Sousa visita a Capitania do ES

Tomé de Souza, autoria de Idalina Tavares - Oléo sobre tela, 1999, Bahia - Reprodução: Antonio Queirós - Fonte: Câmara Municipal de Salvador

Outro grande acontecimento foi a visita do governador geral, ocorrida em dezembro de 1552.(14) Relatando ao soberano as principais providências tomadas durante a viagem, que se estendeu até São Vicente, Tomé de Sousa frisou:

“Todas as villas e povoações de engenhos desta coosta fiz cerquar de taipa com seus balluartes he as que estavão arredadas do mar fiz cheguar ao mar e lhe dey toda a artelharia que me pareceo necesaria, a quall está entregue aos vossos almoxarifes por que os capitães nam querem ter a que são obriguados a ter nem tem fazendas por honde os obrigue a yso hordene V. A. nisto o que lhe parecer seu serviço e mandey em todas as villas fazer casas de audiencia e de prisão he endereitar allguas ruas o qe tudo se fez sem opressão do povo he com folleguarem muito de o fazer que disto são grande parteira”.(15)

O Espírito Santo deve ter-se beneficiado dessas obras, embora não se conheçam referências especiais à matéria e os termos da carta sejam tão gerais. Antes daquele trecho, já recordado nesta obra, em que fala da abastança da capitania e reclama a presença de Vasco Coutinho, Tomé de Sousa queixa-se acerbamente dos administradores que encontrou à frente dos vários senhorios, concitando o monarca a que obrigasse os próprios donatários a virem dirigir suas colônias.(16)

Dessa visita se conhecem, além das nomeações referidas (foot-note n.º 14), a autorização dada por Tomé de Sousa para que Manuel Ramalho(17) fosse ao sertão da capitania.(18)

 

NOTAS

(14) - Depois da publicação do Traslado da Carta por que o Governador Thomé de Souza proveu de Escrivão da Provedoria, Feitoria, e Almoxarifado, e Alfandega da Capitania do Espirito Santo a Manoel Ramalho morador na dita Capitania (DH, XXXV, 162-3) e do Traslado da Carta do Officio de Provedor da Capitania do Espirito Santo, de que foi provido Bernaldo Sanches Pimenta (DH, XXXV, 160-1), não pode haver mais dúvida sobre a época da excursão de Tomé de Sousa aos portos do sul do Brasil. Aqueles documentos foram passados na vila da Vitória em onze e dezenove de dezembro de 1552, respectivamente. A vinte e sete de novembro do mesmo ano, Antônio Cardoso de Barros, provedor-mor, nomeava a Domingos Martins para o cargo de porteiro da Alfândega de Porto Seguro (DH, XXXV,159-60). Como se sabe, Cardoso de Barros participava da comitiva do governador geral. De dezoito de novembro é a carta de nomeação de João Gonçalves Dormundo para provedor da Fazenda de Ilhéus (DH, XXXV, 157-8). Como elementos subsidiários, poderíamos citar MANUEL DA NÓBREGA (Cartas, I, 401-9 e 420-4, esta última datada de S. Vicente, doze de fevereiro de 1553).

(15) - Carta de Tomé de Sousa de primeiro de junho de 1553, já citada (foot-note n.º 34, do capítulo IV).

(16) - “Como dise a V. A. não farey senão as lembranças muito necessárias sem as quais esta terra se não podera sustentar senão se hum homem pode viver sem cabeça. V. A. deve mandar que os capitães proprios residão em suas capitanias e quando isto não for por allgûns justos respeitos ponhão pesoas de que V. A. seya contente porque os que aguora servem de capitais não os conhece a may que os pario” (HCP, III, 365).

(17) - Manuel Ramalho – Teve de Antônia Pais (índia) um filho, Jácome de Queiroz, que veio a ser cônego da Sé da Bahia e tomou parte, como capelão, na bandeira de Gabriel Soares (CALMON, Hist. Brasil, I, 423). Jácome de Queiroz figura tristemente – segundo o eufemismo de RODOLFO GARCIA – nas Confissões, 46; e Denunciações, 399.

(18) - DH, XIV, 305-6.

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, maio/2017

Vasco Fernandes Coutinho

Grupo Escolar Vasco Coutinho - Marco Cultural de Vila Velha

Grupo Escolar Vasco Coutinho - Marco Cultural de Vila Velha

Fundado em 1931, ainda nos primórdios do atual desenvolvimento de nossa terra, época repleta de dificuldades, cheia de obstáculos e carente de recursos, o “Vasco Coutinho” floresceu aos poucos, qual semente regada com carinho e dedicação, para alcançar nos nossos dias o apogeu de seu objetivo: oferecer o que de melhor for possível aos alunos que o freqüentam.

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Belchior de Azeredo é feito capitão (1560)

Curioso, muito curioso, é que o provimento dado pelo próprio Mem de Sá a Belchior de Azeredo fazendo-o capitão do E.S. é datado de três de agosto

Ver Artigo
Mem de Sá e a renúncia do Donatário Vasco

O povo, que já estava resolvido a deixar a colônia, quando tomou conhecimento da atitude de Fernandes Coutinho, procurou o governador geral

Ver Artigo
Pessimismo de Mem de Sá para com Vasco Coutinho

O governador geral já tinha elementos para julgar a situação do senhorio de Vasco Coutinho e não vacilou em transmitir seu ponto de vista ao soberano

Ver Artigo
Morte do fundador – Traços de sua personalidade

Vasco Coutinho faleceu em 1561, “tão pobremente que chegou a lhe darem de comer por amor de Deus, e não sei si teve um lençol seu em que o amortalhassem"

Ver Artigo
Coutinho viaja pela última vez para Portugal

Foi o próprio donatário quem deu ciência dessa viagem a Mem de Sá, 1558

Ver Artigo