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TRECHO DO LITORAL ONDE FOI ERIGIDA A CAPITANIA DO ES

Fonte: Espírito Santo - Histórias de suas lutas e conquistas
Autora: Neida Lúcia Moraes

Gabriel Soares de Souza descreveu, no fim do século XVI, o trecho do litoral onde se erigiu a Capitania do Espírito Santo:

“Do rio das Barreiras à Ponta do Tubarão são quatro léguas, sobre o qual está a Serra do Mestre Álvaro; da Ponta do Tubarão à ponta do Morro de João Moreno, são duas léguas, onde está a villa de Nossa Senhora da Victoria: entre uma ponta e a outra está o Rio do Espírito Santo, o qual tem defronte da barra meia légua ao mar uma lage, de que se hão de guardar. Em direito desta ponta da banda do norte, duas léguas pela terra adentro, está a Serra de Mestre Álvaro, que é grande e redonda, a qual está afastada das outras serras: esta serra aparece, a quem vem do mar em fora, muito longe, que é por onde se conhece a barra: essa barra faz uma enseada grande, a qual tem umas ilhas dentro, e entra-se nordeste-sudeste. A primeira ilha, que está nesta barra se chama de D. Jorge (hoje Ilha do Boi), e mais para dentro está outra, que se diz de Valentim Nunes (hoje Ilha do Frade). Desta ilha para Villa Velha estão quatro penedos grandes descobertos; e mais para cima está a Ilha de Anna Vaz; mais avante está o Ilheu da Viúva; e no cabo desta Bahia fica a Ilha de Duarte de Lemos (hoje Ilha de Vitória), onde está assentada a villa do Espírito Santo, a qual se edificou no tempo da guerra dos Goitacás, que apertaram muito com os povoadores de Vila Velha.”

Foi nesse belo cenário tropical, de muito calor e águas límpidas, montes e florestas, que o nosso 1º donatário iniciou a sua empreitada. Vasco Fernandes Coutinho foi dos primeiros, logo depois de Duarte Coelho, a tomar posse do seu domínio em terras do Brasil. Para cumprimento dessa missão vendera, ainda em Portugal, as suas terras de Alenquer, cedera ao Estado, a troco de um navio, a tença (pensão com que se remuneram serviços) com que fora premiado pelos assinalados serviços no Oriente. E partiu rumo ao Novo Mundo com uma frota, “mui provida de moradores e das munições de guerra necessárias, com tudo o que mais convinha a esta empreza, em a qual se embarcaram, entre fidalgos e criados Del-Rei, sessenta pessoas, entre as quais foi D. Jorge de Menezes, o de Maluco, e D. Simão de Castello Branco, que por mandada de S. A. iam cumprir suas penitencias a estas partes”.

Os documentos que existem da demarcação de limites com a donatário de Pero de Góis (pelo lado do Sul) e da doação de Santo Antônio (atual ilha de Vitória) a Duarte de Lemos nos mostram um traço da personalidade de Vasco Fernandes Coutinho.

Duarte de Lemos chegou ao Espírito Santo por volta de 1536. Fidalgo da casa real, vivera na Bahia era trabalhador e aventureiro ambicioso, segundo asseveram seus contemporâneos e companheiros de empreitadas. Foi um grande colaborador de Vasco Fernandes Coutinho no momento de grandes dificuldades quando do início da tarefa de fazer a Capitania crescer e progredir. Mais tarde, porém, veio o desentendimento.

Vasco Fernandes Coutinho e Duarte de Lemos tornaram-se inimigos, rompendo velha amizade.

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