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Uma exceção honrosa para o ES

Anchieta - O grande catequizador dos índios

O Espírito Santo foi uma das raríssimas, senão a única das capitanias brasileiras em que os jesuítas sempre viveram em paz com os habitantes. Aqui não houve lutas que empolgassem os ânimos, como no Pará, no Maranhão, no Rio de Janeiro, em São Paulo, embora o motivo que as provocasse – o índio – fosse abundante nas suas terras.

A ação catequizadora dos inacianos tem significado inapreciável na obra ciclópica da conquista da terra capixaba. Elevaram o nível moral da população branca, tão degradada nos primeiros tempos, propiciando clima sadio para o convívio social. Coube-lhes também o papel relevantíssimo de, pela linguagem do coração, tornar menos bravios e ferozes os silvícolas inconquistáveis. Se não os trouxeram a todos para o lado dos brancos, aplainaram pelo menos grandes dificuldades que se antepunham à aproximação, mesmo precária, das duas sociedades. Isso não foi tudo, mas o suficiente para tornar a Sociedade de Jesus credora da gratidão de todos os espírito-santenses.

Franceses na costa – Ainda da era de 1551, temos trechos de uma carta de Antônio Cardoso de Barros, provedor-mor da Fazenda, escrita na “cidade do salvador da baia de todos os samtos XXX dabril”, um dia, portanto, depois da de Pero de Góis, que regressava com aquele da excursão aos portos do sul. Dizia o ex-donatário do Ceará a el-rei: “Temos novas que amdam muitos framceses por esta costa e a pouqos dias que tomaram hua nao cheia dasuqueres a qual hera de Francisco de Barros Dazeuedo que vinha de sam vicente e tomaram na tamto avante com a capitanja do stprito samto e a queimaram e outros framceses corerão após Jorge de Melo filho de Vasco Fernandes Coutinho que hia em huu seu navjo”.(10)

Muito interessante o informe relativo a Jorge de Melo, de quem não se conhece até hoje outra notícia das suas atividades no Brasil.(11)

Deve ter sido em consequência da presença de franceses nos mares capixabas que, da Bahia, veio para a capitania nova e grande remessa de armas e munições de que se tem notícia.(12) É o que informa o mandado de catorze de setembro de 1551, que determina ao almoxarife dos armazéns da cidade do Salvador entregar a Francisco de Oliveira “um falcão de metal com seu reparo, duas câmaras e uma chave, setenta pelouros, um barril de pólvora de bombarda, dois quintais de ferro e seis arrobas de pólvora de espingarda”.(13)

 

NOTAS

(10) - Notícias Antigas, 19.

(11) - Seria ele um dos “três filhos de Vasco Fernandes Coutinho moços sem barbas” que Mem de Sá encontrou no Espírito Santo em 1560? (SÁ, Carta, II, 228). – A História só registrou a existência de três filhos de Vasco Coutínho: Jorge de Melo e Martim Afonso de Melo (legítimos) e Vasco Fernandes Coutinho (bastardo). Estariam, pois, todos na colônia quando da passagem, por aqui, do governador geral.

(12) - As primeiras, como vimos (foot-notes n.º 24 e 25, do capítulo IV), foram autorizadas a vinte e dois de março de 1550 e quinze de dezembro de 1549.

(13) - “...as quais cousas eram para estar na dita Capitania para defensa della, e por elle com seu Conhecimento em fórma feito pelo Escrivão do seu Cargo assignado por ambos, em que declarasse receber delle as ditas cousas lhe ficasse Carregadas em Receita em seu Livro della para se haver de arrecadar os preços destas ditas cousas com toda a mais artilharia, e munições que lhe já eram entregues pela Redizima da dita Capitania pelos preços, que vieram dos armazens do Reino lhe sejam Levados em conta” (DH, XXXVII, 328).

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, julho/2018

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