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Vila Velha quando aqui cheguei - Por Edward Alcântara

Praça da Matriz - Vila Velha, ES

Em 1932 quando aqui cheguei, Vila Velha era uma cidade muito pequena, constando de uma pequena praça ladeada por palmeiras e oitizeiros. Na praça havia um coreto que aos domingos a banda do 3º BC entretia os moradores com a famosa “retreta”. A praça conhecida como Praça da Matriz em frente à igreja do Rosário; aos fundos da igreja, uma área aberta reservada para futura praça com algumas árvores, casas residenciais e comercias ao seu entorno. Os romeiros que vinham visitar o convento de Nossa Senhora da Penha saltavam do bonde nesta praça ou seguiam até a próxima parada nas imediações da entrada do portão principal que dá acesso a estrada de pedra (Sete voltas).

O bonde que fazia o transporte de passageiros Paul/Vila Velha nos horários de chegada e saída dos militares deixava o reboque de passageiros nesta praça e seguia sem o mesmo para subir a ladeira de acesso a Piratininga, pegando-o no seu retorno.

Considerada cidade dormitório, grande parte de seus moradores trabalhavam em Vitória. As compras no pequeno comércio eram complementadas por maiores na capital.

Nas ruas próximas como a Coronel Mascarenhas, Pedro Palácios, Capitão Freitas, Vasco Coutinho, 23 de Maio, Luciano das Neves, D. Jorge de Menezes, Torrão era onde estava o principal comércio e repartições públicas, tais como o Correio, a Delegacia de Policia, o Cartório do Registro Civil, o Matadouro Municipal, o cinema do Tinininho, a farmácia do Antonio Faustini, as padarias de Nazário Simões e Silvino Valadares, a sapataria do seu Vicente, o salão de barbeiro do senhor Pacífico, os bares Piratininga e Ponto Chic, o restaurante do João Nava e o hotel do mesmo senhor, a fábrica de balas do Higino e dona Lindanor, o armazém do Eugênio Queiroz, as escolas dos professores Ernani Souza (masculino) e Assizolina Assis (feminino), etc.

No início dos anos trinta, na área reservada para a praça (Praça Vasco Coutinho) e equipamentos públicos, conforme planta cadastral de 1894 executada pelo Doutor Antonio Athayde, foi construída a Prefeitura Municipal e o Grupo Escolar Vasco Coutinho, o que levou o crescimento da sede do município para o lado sul da cidade. No canto superior da praça, esquina com a Rua Luciano das Neves existia uma bomba de gasolina de propriedade do senhor Targino (primeira bomba no município, sendo a segunda pertencente ao senhor Antenor Braga na esquina da Rua Presidente Lima com a Avenida Jerônimo Monteiro).

Na sede existiu um clube muito famoso do senhor Pedro Augusto da Silva chamado “União das Flores”. Mais tarde, surgiram outras agremiações como os Democráticos, Fenianos, Foliões do Amor, Recreio, Morcego, Vai Quebrar, Bloco da Sereia e o Celestial.

Prédios, o do João Nava, Arens Langen, padre José e dona Quitu.

Os cais dos Padres (aterrado) e cais das Pedrinhas (do senhor Anselmo Cruz).

Um pouco mais afastado começava os arredores: Inhoá, Maxambomba e Jaburuna e um caminho com poucas casas levava à Toca e a seguir Cruz do Campo.

Moravam em Vila Velha naquele tempo famílias importantes do nosso Estado: Aqui residia o doutor Thieres Veloso com sua família, pai do saudoso Gil Veloso, os dois desembargadores Dr. Augusto Afonso Botelho e Dr. Christiano de Andrade, o coronel da Guarda Nacional Manoel Ferraz Coutinho, os irmãos Elias e Francisco Ferreira Coelho, Gil Bernardes da Silveira, Godofredo Schneider, Anselmo Cruz, Antonio Bezerra de Faria, João Ramires da Costa, Dinorah Louzada, Denizarth Santos, Jose Buzzio S. Filho, Padre Jose Lidwin, os Octávio Schneider e Queiroz, os Ex prefeitos, e, tantos outros que contribuíram para a história e o desenvolvimento de Vila Velha.

 

Texto de: Edward A. D’Alcantara, 2001 - fundador e membro efetivo da Casa da Memória de Vila Velha, ES
Compilação: Walter de Aguiar Filho, julho/2012



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