Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Visão de Pedro Palácios

Nossa Senhora das Alegrias

AS "LENDAS CAPIXABAS" DE DORALICE DE OLIVEIRA NEVES

 Os filhos da Terra das Palmeiras viviam, como os nossos pais bíblicos, num verdadeiro Éden, sem precisar tirar do trabalho o pão de cada dia.

Com a chegada do estrangeiro, veio também a ambição e seu séquito de maldade. Os pobres índios, escravizados, eram obrigados a trabalhar, para enriquecer os ambiciosos conquistadores. Suas esposas e filhas eram roubadas. Debalde, lutavam para expulsar os invasores. As armas dos estrangeiros eram mais fortes que suas setas.

Mas os lamentos daquela gente chegaram até às regiões celestes. Vieram os Missionários, afrontando os mares incertos, para trazer à nova Pátria os ensinamentos do “Crucificado”. Um deles, jovem ainda, desembarcou na Capitania de Vasco Coutinho para missão sagrada.

Sempre, nas horas em que morre o dia, o moço frade sentava-se na praia, e aí permanecia, distraído, olhando para o morro que domina o mar. Um dia, quando se deixava ficar a contemplar a colina, adormeceu. Em sonho, apareceu-lhe a Virgem da Terra da Cruz e disse-lhe:

- “Todos os dias, venho ao alto deste monte para abençoar a Terra em que vive essa gente simples, sem a mácula do primeiro pecado. O espírito do mal ainda não penetrou na Terra das Palmeiras. Agora, porém, vieram os brancos. A Ambição domina-os e os fará esquecer os ensinamentos de Cristo. Para que o Espírito de Deus não se afaste dos filhos da nova raça, levanta em cima do monte a minha casa e ensina aos filhos da nova Terra o Evangelho de Jesus”

Quando Pedro Palácios acordou, chamou os colonos e os silvícolas, e transmitiu as palavras da Senhora do Céu.

No dia seguinte, caía a tarde sobre a terra; o frade acompanhado dos colonos e dos índios, subiu ao monte. Lá chegando, deslumbrados, viram a Divina Soberana. Sua presença mostrava aos fiéis onde queria sua casa.

Mas a voz acariciadora da Indolência aconselhou o contrário: “façam a Casa da Senhora em baixo, no sopé do monte, bem perto domar, para não precisarem subir esta ladeira tão alta”.

Apesar dos rogos do frade, a Santa foi trazida, à tarde, para a planície. No outro dia, porém, a imagem desapareceu e foram encontrá-la no alto do monte.

Os colonos tentaram trazê-la para baixo, e, novamente, foram revê-la no alto da Penha.

Prevaleceu a vontade Divina. Pedro Palácios realizou seu sonho, construindo o Templo no alto do morro.

De lá, as bênçãos divinas caem em jorros sobre a Terra da Cobra Feroz...”

 

FONTE: ESTUDOS DE CULTURA ESPIRITO-SANTENSE – VITORIA, 2002
AUTOR: Getúlio Marcos Pereira Neves é neto da  Professora Doralice de Oliveira Neves.
DEDICATÓRIA DO LIVRO: “Dedico estes escritos (textos e capa) à minha Avó, Doralice de Oliveira Neves que não chegou a ver seus livros publicados”.

 

 

Folclore e Lendas Capixabas

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

As Timbebas - Edward Athayde D’Alcântara

A Prainha era um berçário de mariscos; ali, você colhia com fartura o burdigão

Ver Artigo
Crendices, Orações e Benzimentos

As orações, rezas, benzimentos, e responsos eram muito usados pelos nossos antepassados. E nesse gênero também, o nosso folclore é rico

Ver Artigo
Praia do Suá - Malhação do Judas

Realizada no Sábado de Aleluia, durante a Semana Santa, a zombaria atrai hoje Sábado de Aleluia e porrete!

Ver Artigo
Festa de São Pedro - José Carlos Mattedi

A Festa de São Pedro é, depois da Festa de Nossa Senhora da Penha, o mais popular festejo religioso do Espírito Santo

Ver Artigo
O Judeu Pescador ou Lenda de Brás Gomes - Por Maria Stella de Novaes

Brás Gomes, o pescador, desejoso de preparar-lhe um oratório, ou lugar adequado, conservava-o numa caixa de madeira, que lhe servia de banco, em sua casa

Ver Artigo