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Visão dos Holandeses (Poesia) - Por Orminda Escobar Gomes

A Visão dos Holandeses - Benedito Calixto, 1927

VISÃO DOS HOLANDESES

 

De além se divisava a linda capelinha,

Erguida sobre a rocha. Esplêndida moldura

O céu azul turquesa... Excêntrica, a estrutura

Do monte-matagal a florescer... Na linha

 

Longínqua do horizonte, pontos negros... Vinha

Cortando, airosamente, as ondas cuja altura

Não teme — grande frota da Batavia. A alvura

Das praias deslumbrava... Original marinha!

 

A barra foi transposta e o desembarque, audaz,

Dos holandeses deu-se... No rincão feraz,

A treva se adensou... As nuvens — esquadrão

 

De bravos defensores de um fortim — parecem!

Depois, trovões... Centelhas.. lá do espaço descem...

E o infiel partiu — fugindo ante a Visão!

 

ASSOMBRAÇÃO

 

Contemplando o cenário. “Oh! que riqueza encerra

— Disse o lobo do mar — aquela branca igreja

Destacada da mata que a florir viceja

Contornando, no cimo, a grande penha... Oh! terra!

 

Conquistada vais ser... Viva a Batávia! Guerra!

Nas quebradas ecoa... o desafio... Alveja

Nos cachopos a espuma e a brisa rumoreja

Quando a frota orgulhosa, manobrando, ferra!

 

Escurece. O marujo, audaz, já foge à luta...

A tremer... a tremer... clangor de guerra escuta

E, aterrado, entrevê guerreiros aos milhares...

 

No sopé do rochedo, um frade com fervor

Suplicava ... outro, alçando a Cruz do Redentor,

Esconjura o pirata — o vil terror dos mares!...

 

 

MARIA, AUXILIUM CRISTIANORUM!

 

Disciplinado, forte. O exército otomano,

Na luta se lançava... a conquistar, cruel!

O império bizantino, o Egito, a Síria, o Argel...

Gemeram sob o jugo, atroz, do vil tirano!

 

Com os príncipes cristãos... implora o Papa! Ufano,

No Golfo de Lepanto, à grande frota infiel

Destroça, D. João. Após, sem dar quartel,

Derrota, Sobieske — o fero muçulmano!

 

Campinas desolada... Assustadora peste!

Rogava o padre Néri, à boa Mãe celeste

Para debelar o mal — os órfãos amparando...

 

Foi atendido. Após, tornou-a protetora

De sua Diocese — é nossa intercessora

Piedosa, junto a Deus, eternamente, orando!...

 

Fonte: Lendas e Milagres no Estado do Espírito Santo (Poesias 1551-1950) – Prêmio Cidade da Vitória, 1951
Autora: Orminda Escobar Gomes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, Abril/2021

 

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Do livro O RELICÁRIO DE UM POVO – Santuário de Nossa Senhora da Penha (1958, 2ª Edição), da autora Maria Stella de Novaes

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